segunda-feira, 22 de abril de 2013

Nascer em Natal: um negócio pra lá de escrachado

Sinceramente eu tenho medo de parir em Natal. A situação do nascimento aqui está pior do que o quadro geral do Brasil, que já é ruim. O ano começou já com proibição de doula e recentemente uma das duas maternidades particulares de Natal lançou seu vídeo de divulgação de 2013. É possível perceber que se trata de uma cesárea eletiva (quando há agendamento prévio sem real motivo) como sendo uma situação normal de nascimento, contrariando o que preconiza a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde (MS). As evidências científicas mostram que cesárea eletiva tem sido associada com maior risco de desfechos maternos graves e maiores complicações para o bebê, principalmente quanto a questão da prematuridade. O Brasil tem um índice muito superior aos 15% estabelecidos pela OMS para o índice de cesarianas. A situação de Natal me parece um tanto horrenda. Eu mesma rodei por cinco obstetras até encontrar um que estivesse disposto a conversar sobre a minha concepção de como eu gostaria que fosse o meu parto. E ainda assim eu passei por uma cesárea desnecessária entre outras situações péssimas durante o nascimento do meu filho. Tive a certeza de que a prática definitivamente não era baseada em evidência científica. A situação obstétrica de Natal tem se mostrado cada vez mais tensa. Profissionais da assistência que se mostram a favor da humanização do parto e questionam condutas de um modelo obstétrico engessado são alvo de chacota e de condutas desrespeitosas por parte do complô da assistência engessada. Os protocolos de atenção ao recém-nascido vão contra o que recomenda OMS e MS. Não há contato pele a pele. Não há incentivo a amamentação, uma vez que já ministram leite artificial assim que o recém-nascido chega no berçário. Quem perde no final das contas são as mulheres e os bebês. Em sua grande maioria estão desinformadas e/ou estão a mercê de um corporativismo que não está disposto a mudar paradigmas. O pré-natal, que era para funcionar como um momento de informação e de troca, funciona mais como uma  pesquisa minuciosa para achar algo que justifique a cesárea (e que geralmente não é uma real razão).
O município conta com uma maternidade pública com instalações favoráveis ao parto humanizado. O problema é que os profissionais não estão capacitados dispostos a acompanhar o parto de forma humanizada. Ver o nascimento como um negócio, prezando pela comodidade de horários agendados e de retorno financeiro ao invés de ver o bem estar da mãe e do bebê são condutas desumanas. 
Pelo que vivi, para parir em Natal de maneira natural, humanizada, para que respeitem os desejos da parturiente, só mesmo parindo em casa longe das armadilhas do pré-natal ou então protegida das armadilhas que são colocadas por obstetras cesaristas. Os profissionais e os hospitais de Natal não estão preparados para essa demanda do parto humanizado. As pessoas que podem mudar essa realidade são as mulheres. Exigindo e lutando por um modo de nascer respeito e com carinho DE VERDADE. Porque pra ser respeitoso, é preciso ter uma conduta horizontal, é preciso acompanhar o parto. Afinal, o parto é da mulher e de quem mais ela quiser que o seja.

Mulheres, o direito é nosso!

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Guest Post: Elucubrações sobre alimentação complementar de uma mãe amante de comida

Perto de Cauã fazer seis meses comecei minha procura por informações e relatos da introdução alimentar. E hoje o post é da querida Soraya Souza, a Sol, mãe da linda Rosa (essa menina de olhos luminosos da foto)! Eu aprendi um bocado com a experiência dela! Olhaí:

O que comer é para você? Para mim, é algo entre uma benção, uma celebração, um honra, uma dádiva, um deleite. Não sei quando ou como isso se deu, sei somente que comer é uma das coisas mais importantes e prazerosas da minha vida. Mas só tive a dimensão disso quando, grávida, comer se tornou uma obrigação regrada: enjoos tão intensos no primeiro trimestre que perdi um bocado de peso e nos meses seguintes uma fome tão descomunal que eu não podia atrasar as refeições em mais que dez minutos, para evitar perigosas quedas de pressão. Some a isso o entendimento da importância de comer bem para o bem-estar global e pronto, estava composto o contexto para uma mãe preocupadíssima com o futuro alimentar da sua cria.
Felizmente, Rosa mamou muito bem desde a primeira oferta. Amamentando em livre demanda, sofri horrores no primeiro mês, peguei o jeito no segundo e no terceiro a vi se organizar para mamar a cada 2h, em média por 40min. Ciente de que o retorno às atividades do doutorado me imporiam limites na manutenção desse esquema, muito cedo comecei a me preocupar com a introdução alimentar. Quando a hora chegou, estrategicamente me cerquei de boas referências: fui para perto de minha mãe, que introduziu oito pessoas à vida alimentar, e da minha irmã com quem tenho mais sintonia, que tem três filhos e um pediatra que é também gastroenterologista. Assim, eu tive quem me auxiliasse na tarefa de preparação e oferta das primeiras refeições, juntamente com a sorte de receber as orientações de alguém de confiança e muito preocupado em fazer a coisa de um jeito respeitoso ao organisminho dos bebês.
Esse profissional é adepto da separação por grupos de alimentos, visando, ao mesmo tempo, oferecer variedade e respeitar o ritmo de funcionamento dos órgãos digestivos, principalmente os sensíveis intestinos. Ele me passou um esqueminha que ajuda a orientar como garantir a variedade e progressão de introdução das coisas mais difíceis de digerir. Uma coisa que é meio consenso é de que o oferecimento nunca deve envolver mamadeira, pelo simples fato de que ela é extremamente confortável pro bebê. Ou seja, acostumou com ela, vai se apegar e, muito, provavelmente, largar o peito, que demanda deles um esforço danado. Atentos a isso, usamos sempre a colher pros sólidos (tem vários modelos em silicone bem legais) e o copo pros líquidos (o primeiro foi comprado por minha mãe, pasmem, feito para se tomar cachaça, de um plástico molinho). Aos 7 meses oferecemos canudinho e ela sugou feliz da vida, tanto que é a maior “canudeira” até hoje.
Ela já estava com 10 meses quando aprendeu a usar uma caneca de transição que nos tem sido genial: ela tem alças, uma tampa com bico de silicone molinho e uma válvula de segurança que nem deixa derramar, nem deixa os restinhos babados voltarem pra dentro da caneca. A funcionalidade dela é tanta que quando a esquecemos em algum passeio, ficamos meio atrapalhados, especialmente se não há disponibilidade de canudo ou onde lavar bem a menininha, já que o uso do copo comum implica em maior sujeira. Fazemos uso dela sabendo que contraria as recomendações médicas, que são enfáticas quanto ao uso exclusivo de copos simples. Mas essa escolha entra no rol daquelas que fazemos assumindo os riscos da discordância pela conveniência que oferece ao cotidiano que vivemos, tal como foi com a escolarização aos 7 meses e o desmame precoce, aos 12.
A primeira coisa que oferecemos foi mamão, depois pera, em dias alternados e nesse meio tempo rolou também suco de laranja lima, que é menos ácida e mais doce. As papinhas salgadas fizemos conforme o esquema do pediatra, sempre amassadas no garfo e mantendo os vegetais separados. A finalidade é favorecer a mastigação e trabalhar o paladar pros diferentes sabores e texturas. Quando eu senti que ela já encarava, passei a oferecer pedacinhos e cedo ela demonstrou preferência por essa forma, tanto que permanece meio reticente a coisas pastosas, como purê de batata, por exemplo.
Eu demorei a entender que as papinhas salgadas não só podem como devem ser temperadinhas que nem comida de gente grande, e quando passei a temperar, ela aceitou ainda melhor, mesmo tendo estranhado as primeiras vezes, o que não só é considerado normal como sadio. Ela já comia há mais de um mês quando parei para ler com atenção a caderneta de vacinação e lá me deparei com o link para o site do programa do Ministério da Saúde sobre complementação alimentar. Lá, tivesse acesso ao pdf com receitas regionais de papinhas para a complementação alimentar, o que me ajudou muito com isso dos temperos e, mais ainda, com o cálculo das quantidades. Porque era um tal de falta papinha pra janta (ofertávamos o mesmo do almoço), sobra papinha pra mais três bebês, e eu vivia louca sem acertar as quantidades. Fora as vezes que me desliguei um pouco e ela comeu beterraba várias vezes na mesma semana e ficou avermelhada, como se tivesse tomado sol sem protetor...
Na orientação do pediatra, as fontes de glúten (trigo, aveia, cevada) deveriam ser oferecidas somente após os 8 meses, preferencialmente na versão integral, assim como as frutas muito ácidas (cupuaçu, por exemplo) e que prendem muito o intestino (açaí, goiaba), e foi o que fizemos. Para reduzir a produção de gases, os grãos eram mantidos primeiro num molho, cuja água era dispensada, e somente depois eram cozidos, para serem consumidos sempre no mesmo dia. Além disso, somente depois dela ter completado 1 ano foi que oferecemos alimentos com a clara de ovo e os derivados de leite, primeiro um queijo magro (aqui optamos pelo minas frescal) e depois iogurte natural, feito em casa, misturado somente com mel ou batidinho com frutas.
As poucas tentativas que fiz de oferecer mingaus foram frustradas e nunca envolveram leite de vaca (somente de soja e arroz), que ela até hoje só toma como ingrediente de alguma receita. Desde cedo oferecemos sucos variados, sempre com pouco açúcar, muitas vezes em combinações (abacaxi + hortelã ou gengibre, maracujá + manjericão, acerola + manga, manga + cardamomo, limão + couve). Em dias de temperaturas mais baixas, oferecemos também chás morninhos (cidreira, erva-doce, camomila). Dou preferência aos bolos e biscoitos feitos em casa, com farinha integral. E ofereço saladas cruas sempre temperadinhas com azeite, limão, ervas (secas e/ou frescas), pouco sal e sementes como de gergelim e mostarda.
Mesmo com a complementação, ela manteve o esquema de amamentação de 2h em 2h até os 8 meses, quando precisei escolarizá-la para poder cumprir com os compromissos do doutorado. Pouco antes dela completar o primeiro aninho, meu ritmo de trabalho somado com a amamentação noturna consumiram mais energia do que eu podia suportar, então conversei com o marido e as pediatras (contamos com a ajuda de uma homeopata e de uma alopata), e decidimos pelo desmame. Isso implicou no aumento do número de refeições diárias dela (de 4 para 6, depois para 7), o que fizemos gradualmente. Felizmente ela tolerou bem a mudança, permanecendo com um apego tão grande ao peito que, alguns meses depois, quando enfrentou um processo grave de adoecimento, voltou a mamar como se nada tivesse mudado. Até hoje, depois de mais de 1 ano de desmame, ela continua com verdadeira adoração ao peito e ainda pede para mamar vez por outra. E eu dou, feliz da vida.
Entre meus radicalismos, está a não oferta de várias coisas: biscoitos recheados, refrigerantes, embutidos, maionese, bebidas lácteas e achocolatados. Ela experimentou chocolate pela primeira vez ao completar 1 ano e depois disso em oportunidades tão poucas que contamos nos dedos das mãos. O mesmo vale para frituras, que jamais são feitas em casa. De vem quando, vamos a uma sorveteria na cidade onde os sorvetes são feitos artesanalmente, a partir de frutas frescas e sem gordura vegetal. Na pizzaria, que é raridade frequentarmos, escolhemos opções menos calóricas e oferecemos pequenas porções.
Um dos atrativos da escola escolhida foi a ajuda nesse sentido: são proibidos lanches muito artificiais e calóricos, ao invés de cantina tem cozinha, com cardápio feito por nutricionista, sem uso de açúcar branco (em casa usamos demerara para os sucos e mascavo para bolos e biscoitos), com boa variedade de vegetais e de receitas. Todos os dias ela leva fruta e somente fruta para o lanche, com tanta variedade quanto conseguimos manter (em geral, são 3 tipos).
Se foi fácil a introdução alimentar? Não. Impossível ser. Dá trabalho estar atenta à geladeira e à fruteira, calcular combinações, manter variedade, descascar, cortar, refogar, cozinhar. E ainda fugir dos agrotóxicos e adubos químicos, dos conservantes, corantes, espessantes, acidulantes e das pessoas querendo ser legais oferecendo toda a sorte (sorte?) de guloseimas supostamente saborosas. Mas, como eu disse no começo, isso de comer é algo que me encanta e fascina. Talvez por isso seja um trabalho a que me entreguei e entrego com esmero, dedicação e muita, muita satisfação. E certamente por isso que eu tenho uma criança que mastiga cookies de aveia com o mesmo prazer de bananas, sushis, tomates-cereja e cupcakes de limão.


E você? Como foi sua experiência com os alimentos do seu filho?

domingo, 31 de março de 2013

Meu relato de parto


Tava faltando meu relato de parto por aqui. Ele não foi nada como o esperado. A única coisa que saiu como eu queria foi que meu pequeno nasceu com saúde e bem. Me dói saber que não recebi a pessoa que mais amo na vida como eu queria. Enquanto tudo acontecia eu não sabia que estava sendo vítima de violência obstétrica, mas sentia que aquilo ali era muito ruim... Depois descobri que muitas outras mulheres passaram por situações parecidas com a minha. 1/4 das mulheres brasileiras.

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Eu me tremia toda. Toda mesmo. A enfermeira veio e desligou o ar condicionado. Eu sabia que não era frio. Era pura adrenalina. Estava sondada, até que não foi tão ruim, a técnica em enfermagem foi bem gentil e ficava conversando comigo enquanto colocava a sonda. Eu já me tremia antes, mas agora estava imoral. Tentava me controlar, respirava fundo, mas quando eu abria os olhos e via que estava deitada em uma estreita maca em um centro cirúrgico com uma luz de nave espacial em cima de mim, eu me tremia muito mais do que antes de me controlar. E aí ele chegou, o anestesista. Cara estranho aquele. Chegou, se apresentou de uma maneira ríspida –“Eu sou o anestesista” e mandou que me virasse de lado. Era um homem por volta dos seus 50 e definitivamente ele não me parecia feliz de estar ali. Fiquei me perguntando onde estava a anestesista que a obstetra tinha dito que acompanhava ela nas cesáreas. Minha barriga estava enorme, a mobilidade de uma grávida às 41 semanas de gestação não é lá essas coisas. Enfim, tentei virar de lado e não consegui sozinha. Estava com medo de cair daquela maca estreita. Pedi ajuda à técnica em enfermagem, me virei e ele começou a palpar minha coluna. Ele não ficou feliz, murmurava algo como – “a coluna dela é muito ruim de achar” – e aí minha adrenalina disparou. Eu já tinha pavor de ter que passar por uma cesárea, tinha mais medo ainda da anestesia da cesárea, e ainda um cara esquisito daquele falava que minha coluna era ruim? Bom, me parece que ele não achou o que tinha que achar comigo deitada, então mandou que eu me sentasse e ficasse com a cabeça abaixada.  Mais uma vez a técnica me ajudou. Sozinha eu não conseguia ficar parada de tanto que tremia. Ele então, como um general que dá a ordem de atirem os canhões!, mandou que chamasse um enfermeiro para me segurar. O enfermeiro entrou no centro cirúrgico dizendo que eram 22:01 e que o plantão dele já tinha terminado, mas o que ele poderia fazer né? Fiquei mais desesperada ainda. Já estava pensando em possíveis rotas de fuga, talvez se eu saísse correndo dali eu ia parir naturalmente em um lugar menos insensível. Foi quando o enfermeiro me abraçou e segurou meu pescoço pra baixo e ficou falando pra eu ter calma. Ele foi o único, até então, que percebeu que eu estava absurdamente nervosa e que fez alguma coisa pra me ajudar. Então o anestesista furou uma, duas, resmungou, três e finalmente na quarta vez ele conseguiu achar o que queria e a anestesia pegou. Lembro vagamente que mandaram meu marido entrar, colocaram um pano na minha frente, amarraram meu braço esquerdo com um soro e o braço direito com um aparelho de pressão e eu fiquei deitada ali como Jesus na cruz, pedindo ajuda de anjo da guarda, Deus, minhas ancestrais, todo mundo que eu lembrasse para que enfrentasse aquele momento do melhor jeito possível. Tudo foi muito rápido. A obstetra pediu que eu ficasse calma e falou que tudo ocorreria bem. Meu marido estava sentado em um canto e eu fixava meu olhar no dele para me sentir um pouco menos insegura com aquilo tudo. Estava me sentindo como um pedaço de carne qualquer em um açougue. Queria que tirassem logo meu filho e que me dessem para eu abraçá-lo. Então alguém do outro lado do pano disse: nossa como ele é cabeludo! E rosa! Aí eu pude escutá-lo chorando. Eu e meu marido choramos também, felizes pelo nosso menino! Demorou um pouquinho, a pediatra levou ele para fazer os procedimentos ali mesmo na sala, e quando eu vi as intervenções virei o rosto para o outro lado, senti meu coração apertar e segurei muito fortemente um choro de desespero. Tudo saíra tão diferente de tudo que eu sempre quis. Durante a gravidez fiz várias mentalizações, exercícios, estudei a fisiologia do parto, queria muito um parto natural, com a doula e meu marido, no quarto do hospital. Mas naquele dia da cirurgia, havia feito uma ultra que mostrava líquido amniótico com nível 5.8. Logo que saí de lá levei o exame para a obstetra que me acompanhava e ela disse que por eu querer muito um parto normal ela iria tentar a indução. Colocou a primeira ampola e dali a 6 horas eu voltaria a encontrá-la para ver como estavam as contrações. Bom, é importante dizer que eu estava com contrações irregulares havia mais de uma semana, dilatação de 2 cm e colo grosso. Ficamos esperando, mas tinha chegado no limite dela. Depois eu descobri que 6h de indução não é absolutamente nada. Um processo de indução pode durar 48h e exige muita paciência e habilidade para conduzir. Eu pensava que se esperássemos poderia entrar em trabalho de parto de fato. E que estar a uma semana com a mesma dilatação não significava nada porque o trabalho de parto poderia engatar a qualquer momento. Sabia também que 5.8 de líquido não era, pelas evidências científicas, indicação de cesárea. Mas ela disse naquela manhã que iria esperar no máximo até a manhã seguinte. Colocamos a primeira ampola pela manhã e quando voltei no final da tarde, as contrações não tinham engatado e a dilatação estava do mesmo jeito. Foi então que ela me disse: Agora a minha conduta é cesárea. Engoli uma bola gigante de medo e tristeza. Queria que aquilo fosse uma brincadeira. Mas não foi... não consegui nem olhar para meu marido nem pra minha mãe. Liguei pra doula e falei meio atravessado, rápido. Voltando ao centro cirúrgico após as milhões de aspirações, peso, medidas e etc, ela colocou ele por 3 segundos no máximo no bico do meu peito pra ver se ele sugava. É óbvio que não sugou. Ele nem devia estar entendendo o que tava acontecendo ali. Mas a pressa era grande e a sensibilidade, pouca. Ela ensaiou embrulhar ele e levá-lo. Meu marido pediu para segurar nosso filho. Ele pediu. Acho que ela não teria entregue se não tivesse pedido. Tamanha falta de noção essa. O filho acaba de nascer e você já quer levá-lo pro berçário? Nananinanão. Enfim, nosso bebê passou algum tempo no colo dele e depois ele PEDIU para que colocassem perto de mim. E aí meu coração se apertou muito e eu engoli um puta choro de desespero por não poder envolvê-lo em meus braços como eu queria, pegá-lo no colo, porque ninguém veio desamarrar meus braços. A pediatra o colocou ao lado do meu rosto e como um cachorro, que lambe a cria depois que nasce, eu passei meu nariz e meu rosto em sua bochecha várias vezes e só dizia que eu o amava muito. Depois saíram pediatra, meu marido e nosso bebê. O anestesista passou com uma seringa gigante e perguntou se eu tinha alergia a plasil. Eu disse que nunca tinha tomado. Ele então injetou lá no soro e foi embora. Então, enquanto me fechavam, eu tentei conversar algo, e então a obstetra disse que daquele jeito eu ia ficar cheia de gases (pelo visto isso deveria ser óbvio pra mim, mas eu não sabia disso) e logo em seguida alguém disse: “Tá achando que tá na terapia é?” Meus olhos lacrimejaram. Fiquei muito mal nesse momento por perceber que todas aquelas pessoas ali não entendiam a importância de um momento como aquele. Não só pra mim e pro meu marido. Mas pra humanidade. O nascimento é um evento maravilhoso e o modo que nascemos influencia absurdamente na nossa sociedade. Fechei meus olhos e fiz uma pequena oração pedindo mais sensibilidade, mais amor e mais humanidade praquelas pessoas. Se elas não viam o nascimento como um milagre da vida, imagino como elas viam as outras coisas da vida. Então quando abri os olhos senti uma coceira enorme. Nos olhos e na boca. Muito angustiante. Pedi para alguém vir coçar meus olhos porque estava insuportável e então alguém disse: tira o aparelho de pressão do braço dela pra ela coçar. OI? Na hora de abraçar meu filho não pode mas pra coçar o olho e não incomodar ninguém aí pode desamarrar o braço? COMO É ISSO MINHA GENTE? E a tristeza me consumia. Eu percebi que estava ficando meio grogue. Foi quando notei que estava sozinha na sala com a técnica em enfermagem. Achei que ela deveria estar fazendo algum curativo. Fiquei calada. Então uma enfermeira entrou e começou a dar uma bronca nela. Não entendi direito aquilo, na verdade só depois que a memória veio inteira: ela estava tirando pelos encravados da minha virilha. Sem pedir autorização, sem cogitar que ali estava uma pessoa. Após a bronca, ela se retirou. Mais uma vez confirmei: ali eu era tratada como pedaço de carne. Por um momento desejei morrer (drama Queen + plasil + raquidiana). Só lembro que depois acordei na sala de recuperação me tremendo muito mais do que no início da cirurgia. Achei esquisito, porque eu não estava mais com medo, não estava com frio. Chamei alguém que avistei passando e perguntei: essa tremedeira é normal? Ela disse: é, é a morfina da anestesia. Perguntei: quando vou para o quarto? Ela disse algum horário que eu não me recordo. Da sala de recuperação eu lembro de cada segundo, de cada tremor, de cada coçada de olho, de boca. Lembro da luz branca na minha cara. Lembro do silêncio. Do frio. Pensei que se eu convulsionasse ninguém ia ver porque não tinha ninguém ali. Finalmente chegou alguém e me levou para o quarto. E aí encontrei minha mãe e meu marido e falei o que consegui falar: o tremor é da anestesia. Perguntei pro meu marido se tinham dado leite artificial e ele disse que mesmo ele pedindo, eles deram, porque era protocolo do hospital (?). Logo depois meu bebê chegou e foi um sentimento tão ruim não poder pegá-lo, cheirá-lo. Tinha que ficar ali, deitada e ainda queriam que eu não conversasse. Um sentimento de impotência. Nos dias seguintes foi muito ruim. A recuperação de uma cirurgia desse porte é pra ser levada a sério. Senti por 15 dias dor na coluna da anestesia. Não conseguia ninar meu bebê. Não conseguia dar banho nele. Não conseguia tirar e colocá-lo na cama. Foi horrível não poder me doar como eu queria para meu bebê.
Sair do hospital foi maravilhoso. No caminho pra casa sentia como se meus órgãos estivessem soltos. Só consegui ver a cicatriz muito tempo depois. Só consegui tocá-la muito mais tempo depois ainda. Mas penso que a cicatriz física não é nada comparado ao que eu sinto ao saber que essa é a maneira que pessoas vem chegando ao mundo. Fico pensando se recebêssemos uma pessoa em nossa casa de maneira tão violenta. E depois as pessoas pedem mais sensibilidade da sociedade, reclamam da violência. E desconsideram a vontade de um ser vivo que está chegando. Essa relação com o parto normal, de nojo, de medo da “dor”, de pura ignorância diz muito da maneira que enfrentamos a vida. Mas ainda há esperança. Espero que esse relato tenha  te afetado. Não foi fácil escrevê-lo. Mas eu sei da importância de relatos assim para outras mulheres e pra mudar a maneira que o nascimento vem sendo lidado no Brasil. Eu ainda terei meu VBAC (vaginal birth after cesarean), de maneira natural, Humana, sensível e bela.

terça-feira, 19 de março de 2013

A Cicatriz


Demorei um tempo pra olhar pra você mais a fundo. Conhecer seu traçado, sua cor, seu endereço. Era muito doloroso olhar. Passei um tempo te olhando de relance, assim, de vez em quando, às vezes pega de surpresa por um descuido ao passar em frente ao espelho. Na verdade eu te evitava. Depois que se tornou menos doloroso olhar pra você, resolvi te tocar. Foi esquisito, confesso. Vim com a mão dando toques tão leves que parecia que você se abriria a qualquer momento. Senti sua textura, sua altura. Chorei. Senti um frio na barriga, uma leve agonia. Lembrei que você me acompanharia pelo resto da vida. Não gostei. Não gostei do que vi nem do que senti nem do que lembrei. Aí, conhecendo seu endereço e vestimenta, resolvi me perder de você. Passei um tempo sem te olhar, sem te ter. Até que esbarrei com você de novo. Fui abotoar uma calça e num descuido o dedo passou por você. Senti, vi, lembrei. Não gostei. Imaginei pegar uma borracha e apagar esse traçado. No processo contínuo de lidar com você conheci outras mulheres que lidam com suas cicatrizes também. A sensação de impotência parece comum. Uma pena. Resolvi então que tinha que conversar com você porque deixar as coisas assim, mal resolvidas, não ia dar. Você me mostrou que o livre arbítrio do ser Humano tinha feito de você um carimbo em muitas mulheres brasileiras. Triste fim o seu, ser usada assim, tão desnecessariamente. Em um dia em que me sentia bem, resolvi fazer diferente. Olhei pra você, te toquei, chorei, senti agonia, impotência. Pensei que você parecia um sorriso, só que não era. Respirei fundo, olhei pra cima com a mão sobre você e pensei: Será que vai ser sempre assim? Respondi: Não precisa ser assim. A tristeza quando você existe pra mim continua existindo, só que decidi fazer algo diferente com ela. Decidi que ao invés de abaixar a cabeça eu vou levantar. A gente vai continuar lidando, uma com a outra, tentando se entender. Mesmo me esfriando a barriga quando olho meu amor maior e penso que poderia ter sido diferente pra ele e pra mim. Mesmo assim. Mesmo voltando no tempo e pensando o que podia mudar, o que podia fazer o que podia... O que podia, não se pode mais. E a gente vai se entendendo, quem sabe.


terça-feira, 12 de março de 2013

Cama compartilhada


Confesso que antes de ficar grávida achava a ideia do bebê dormir com os pais um pouco esquisita. Depois, na gravidez, descobri que na verdade dormir com o bebê era uma prática comum em muitos países e que, até recentemente (meados do séc XIX) no Ocidente que surgiu essa prática de deixar o bebê dormir sozinho. Não fiquei surpresa ao descobrir que essa prática surgiu na sociedade ocidental pós-industrial¹. Acredito que esse seja outro item ruim da Industrialização da vida. Bom, fazendo uma reflexão para o lado primitivo da coisa, que está em nós e não há como negar, uma cria jamais seria deixada sozinha, pois dessa forma estaria protegida dos caçadores. Indo para um contexto mais urbano, acredito que se a mãe se permite escutar sua intuição por um momento, perceberá que para deixar o bebê dormindo sozinho em outro quarto, estará indo contra o que manda seu coração. Agora saindo um pouco da visão romanceada da coisa, e que não deixa de ser real, e indo pra visão científica. 
De acordo com a psicóloga Danielle Motta, o lugar em que o bebê dorme parece estar relacionado com as metas de socialização de determinada comunidade. Essa prática não é bem vista na maior parte do ocidente, mesmo sendo comprovado o bem que faz para a mãe e para o bebê. Os pais adeptos do attachment parenting (traduzido como “criação com apego”) também defendem a cama compartilhada.  Dentre os benefícios da prática segue alguns:
              - Ela facilita o aleitamento materno e sincroniza o sono dos dois 1,2,3,4,5
              - Quando feita com os cuidados necessários diminui a incidência da síndrome de morte subida do recém-nascido 2,3,4
         - A mãe não precisa se levantar para amamentar, nem mesmo acordar completamente para amamentar, conseguindo descansar mais 4,5
               - Estudos mostram que crianças que dormem com os pais são mais autoconfiantes e tem maior autonomia do que as crianças que não o fazem4
                - Intensifica os vínculos afetivos com os pais 4,5
             - Os bebês choram menos 4,5
             - Os bebês estão mais protegidos, pois caso precisem de socorro, os pais percebem com maior rapidez 2,3,4,5
Quais os cuidados que se deve ter para compartilhar a cama? Bom, coisas básicas como não utilizar colchas pesadas nem muitos travesseiros na cama, não dormir alcoolizado ou sob efeito de outras drogas. Tem um manual de como fazer cama compartilhada com segurança aqui  (em inglês).

O RELATO DA MINHA EXPERIÊNCIA
A gente comprou um berço provavelmente porque é o que todo mundo faz. Eu não tinha muita noção de como seria quando Cauã nascesse. Eu tinha lido sobre a cama compartilhada, mas queria que ele tivesse o canto dele na casa. Bom, ele nasceu e nunca usou o berço. Na verdade a gente usou o berço como porta entulho e em algumas ocasiões pra tirar foto pra mostrar o quanto ele era pequenininho. Mas pra dormir, não. Minha sogra e minha mãe tinham me dito que a gente não ia usar (Mal sabia eu que seria uma mãe Montessori). Mas eu sou teimosa não sabia como seria. Enfim, nas três primeiras semanas ele dormia no carrinho ao lado da cama. A gente ainda não tinha colocado ele na cama porque tínhamos medo de esmagá-lo (Acho que um medo comum de pais de primeira viagem. A gente tinha um cuidado gigantesco pra pegar ele. Parecia que ao menor aperto ele ia quebrar). Quando entendemos que ele não era de porcelana, passamos do carrinho pra nossa cama. Ele dormia entre eu e o pai. Senti uma diferença gigantesca no sono dele, tendo diminuído absurdamente as vezes que ele acordava. Nas primeiras semanas de cama compartilhada mesmo eu ficava acordando toda hora pra ver se ele tava bem. Outra coisa foi que ele nunca mais chorou de noite. Quando queria mamar ele soltava uns gemidos bem baixinhos como quem diz “mãe, tô com fome”, eu pegava ele no colo e amamentava sentada na cama. Nessa época a gente ainda não tava 100% na amamentação e eu me sentia mais segura amamentando sentada. Depois com 1 mês e pouco, nem levantava mais, assim como faço até hoje. Conto nos dedos de uma mão as vezes que levantei da cama durante a noite. Meu sono ficou tão bom que eu voltei a sonhar! Outra coisa maravilhosa é poder acordar com o sorriso dele. Ele acorda e fica ali olhando a gente dormir, sorrindo, balbuciando... Aí a gente acorda, às vezes finge que tá dormindo pra ver se ele dorme de novo, mas é sempre muito gostoso acordarmos juntos. Somos presenteados todas as manhãs.
Agora alguns tópicos que escuto quando falo que fazemos cama compartilhada:
MAS E VOCÊ E SEU MARIDO?
Olha minha gente, eu não sou hipócrita e não pago de santinha então vou falar no que eu acredito e vivencio. Se a presença do seu filho na sua cama está afetando o seu relacionamento, repense, porque o problema na relação não tem a causa nisso. Se você acha que a sua vida sexual vai ficar ruim porque seu filho dorme com você, existem outros lugares da casa que podem ser explorados. E deixa eu te dizer desde já que sua vida sexual vai mudar bastante. Cedo ou tarde você descobre que um bebê muda bastante a dinâmica do casal. Pra melhor ou pra pior, vai depender de como vocês vão se adaptar à nova realidade. Aqui a gente trabalha em equipe! o/\o

VAI SER DIFÍCIL DEPOIS PRA TIRAR ELE DA CAMA
Mas quem falou em tirar ele da cama? Todas as pessoas que eu conheço que fizeram cama compartilhada e que seguem uma linha de educação para autonomia e independência, mas sempre com amor e seguindo a intuição materna (criação com apego), relatam que chegou um momento que o filho quis dormir sozinho no seu quarto, ou que foi dormir no colchão ao lado da cama dos pais, fazendo o que a gente chama de quarto compartilhado. Eu realmente acredito que existem outras questões relacionadas se o processo é doloroso para uma criança não dormir com mãe. O fato isolado de ela dormir com a mãe não influencia negativamente na autonomia da criança, ao contrário, as crianças se sentem mais confiantes e seguras, como mostrei lá em cima.

SEU FILHO VAI SER MIMADO E GAY
Ser mimado definitivamente não está relacionado ao fato de fazer cama compartilhada. Eu não me importo se ele for gay. Eu quero que ele seja feliz.

Fecho com uma citação da Danielle Motta, do artigo 1:

“Talvez a questão seja justamente esta, somar e não sobrepujar, ouvir as sugestões sociais, sem calar os instintos e considerar, acima de tudo, o bem-estar físico e emocional de quem depende de nós.”

Recomendo:

Fontes:
¹MOTTA, Danielle.  Um bebê na cama dos pais. Revista Eletrônica Polêmica. Disponível em http://www.polemica.uerj.br/pol22/cquestoesc/artigos/contemp_4.pdf
²SENA, Ligia. Cama compartilhada: por que é bom e seguro? Disponível em http://www.cientistaqueviroumae.com.br/2012/03/cama-compartilhada-por-que-e-bom-e.html


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Método Montessori e o Maternar


“Durante toda a minha vida tenho proclamado a necessidade da liberdade de escolha, da independência de pensamento e da dignidade humana. Todavia, entendo que a verdadeira liberdade é aquela interior, que não pode ser ensinada. Não pode nem mesmo ser conquistada. Pode somente ser construída dentro de si, como parte da personalidade e, se isto acontece, não poderá mais ser perdida”- (Maria Montessori, New York – 1951) retirado de Lar Montessori
Maria Montessori foi uma mulher a frente do seu tempo. Foi a primeira mulher a se formar em medicina na Itália e dedicou sua vida às crianças.  Seu trabalho começou na psiquiatria com crianças com retardo mental. Seu primeiro grande feito foi alfabetizar essas crianças, utilizando para isso um método próprio, baseado em experiências sensoriais e atividades lúdicas. Em seguida, rompeu com a Universidade de Roma por motivos pessoais e começou uma jornada dando aulas na pedagogia, pesquisando e lançando livros sobre o aprendizado das crianças em suas escolas, conhecidas como A Casa da Criança.

Para Montessori, o sistema de ensino estava todo errado, pois estava estruturado para o professor e não para o aluno. A maneira dos móveis na sala, a altura do quadro, os materiais utilizados e o método; absolutamente tudo foi reformulado no seu método, que cada vez mais mostrava ser um sucesso para o aprendizado de conteúdos referentes a todos os setores da vida. O aluno passou de mero expectador para desempenhar um papel ativo dentro da sala de aula, participando da organização do espaço, do cuidado de uma horta, da limpeza do ambiente... Autonomia, independência, organização e criatividade são características de crianças montessorianas. O método Montessori ficou muito famoso na Itália e no mundo, principalmente pelo desempenho excepcional e a disciplina que tinham seus alunos.

“Libere o potencial da criança e você o transformará em um mundo”
Montessori

Maria Montessori acreditava que se retirássemos os obstáculos, as crianças se desenvolveriam espontaneamente através das experiências. Com Montessori eu passei a enxergar os ambientes da minha casa na óptica da criança, no meu caso do meu bebê. Os ambientes devem ser minimalistas, estilo clean, organizados e limpos. O quarto da criança/bebê deve ser feito para ele, e não para a comodidade do adulto. Portanto, as coisas importantes para que a criança veja e apanhe devem ficar ao seu alcance. A cama deve estar no chão ou em uma altura que o bebê, ao aprender a engatinhar, consiga sair por conta própria ou que a criança consiga sair sozinha. Um espelho é importante para desenvolver a autoimagem. O ambiente vai se modificando de acordo com a necessidade da criança, para que ela possa aprender ao máximo com o ambiente em que explora. Um exemplo básico é quando o bebê começa a se apoiar nas coisas para andar. Os pais montessorianos geralmente colocam barras pelas paredes do quarto e/ou da casa para que a criança caminhe livremente pelo ambiente.

O quarto de Cauã aos 3 meses, ainda tentando deixar o mais minimalista possível!
Além do ambiente, Montessori desenvolveu materiais próprios. Aqui no Brasil não encontramos quase nada pronto, por isso os pais Montessorianos vão criando materiais similares para fazer brincadeiras e brinquedos que proporcionem o aprendizado com prazer. Como exemplo posso citar os móbiles para bebês (tema para outro post), que podem ser feitos com cartolina ou argolas, seguindo tutoriais encontrados na internet. No quesito materiais, Montessori me ajudou a refletir ainda mais sobre que tipo de brinquedo eu daria para meu filho brincar. Qualidade ao invés de quantidade. Como Cauã é o primeiro neto da minha família e na do meu esposo, ele já ganhou muitos brinquedos. E eu já doei muitos deles. Priorizo os que vão ser de maior interesse pro aprendizado daquela faixa etária especificamente ou que possa ser útil em um futuro breve, que não possuam barulhos artificiais ou luzes loucas que ficam acendendo e perturbando apagando, que proporcionem maior exploração sensorial e claro, dou muito valor aos brinquedos artesanais. Creio que com isso atualmente temos cerca de oito brinquedos: laranja da Tiny Love (que tem várias texturas e cores e na medida que a criança se desenvolve, explora uma parte a mais do brinquedo), um bola de pano, dois mordedores, uma argola de madeira, uma argola com guizo de plástico, um porquinho e um macaco de pelúcia e as meias sensoriais (que eu já falei por aqui) - fora os livros, que são cinco. Ainda acho muito pra um bebê de quatro meses, mas pelo menos todos têm sido utilizados.

Pra mim o maior desafio em tentar ser uma mãe Montessori está sendo manter tudo organizado porque eu sou muito bagunceira e clean porque eu sempre juntei muita tralha, mas nada que a força de vontade não ajude a resolver! Quanto mais eu leio, mais encantada eu fico com Montessori! Não gosto muito de dizer que sigo o método à risca, mas muitas coisas foram reformuladas interna e externamente depois que comecei a estudar ele.

Pra mais informações sobre Montessori recomendo:
- o grupo Montessori para mamães no facebook

:)




quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Brincadeiras sensoriais para bebês

Quando Cauã começou a pegar no pé eu fiquei logo ansiosa pra fazer as meias sensoriais!
Tinha visto em um grupo que faço parte no facebook quando ele ainda era muito pequenino e fiquei guardando na caixa de coisas TO DO!

Nessa fase é muito importante a exploração de diferentes texturas, cores e sons. O aprendizado se torna cada vez mais elaborado. Então lá fui eu com agulha, linha e vários penduricalhos costurar um par de meinhas dele. Na escolha dos materiais a costurar, procurei coisas que se diferenciassem em cor, textura e forma: fita aveludada rosa, elástico preto, renda branca e um negócio de madeira. Recomendo colocar pelo menos um elástico em um dos pés, porque ele ficou fazendo um "cabo de guerra" com o pé. O resultado final ficou assim:


Importante dizer que pela primeira vez em 3 meses, no dia seguinte, eu e meu marido conseguimos tomar café da manhã juntos e tranquilamente enquanto Cauã....

Outra brincadeira muito legal é pegar uma luva daquelas de limpeza (comprei a minha por R$18,00 no Extra) e fazer olhinhos e uma boca e brincar de pegar as partes do corpo! Cauã pira de rir nessa brincadeira! A luva é bem macia e quando mexe a mão dentro dela as "minhocas" mexem também! Preguei a minha com cola quente mesmo! Recortei feltro pra fazer os olhos e a boca. Olha como ficou: 

E você, tem alguma brincadeira sensorial pra me ensinar?