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segunda-feira, 11 de maio de 2015

Passo a passo de como pagar seu parto humanizado

Dando sequência ao post anterior sobre valores (materiais e não materiais) da equipe de parto humanizado, segue agora um passo a passo (o famoso PAP) - pra quem é artesão isso faz todo sentido - de como levantar aquela grana para o parto humanizado.

Antes de tudo, os valores de um parto humanizado, domiciliar ou hospitalar variam muito de cidade pra cidade. Outra coisa é que as equipes humanizadas oferecem diferentes tipos de serviços, que podem ou não estar incluídos no seu contrato, como por exemplo, consulta de pré-natal, assistência pré-hospitalar, entre outras coisas. Além disso, os valores mudam de acordo com a formação da equipe: geralmente quando tem obstetra na equipe fica um pouco mais alto, tem as enfermeiras obstetras que trabalham com outras enfermeiras obstetras e tem as que trabalham com médicos também. A presença de pediatra ou não, o local do parto (porque parto humanizado pode acontecer em qualquer lugar), compra de material ou não (em caso de parto domiciliar algumas equipes pedem para comprar alguns itens, mas isso varia), são coisas que influenciam no preço da equipe contratada.

O meu contrato inclui o parto humanizado com duas enfermeiras obstetras, com consultas de pré-natal, já incluso o material da assistência domiciliar. Tudo ficou quase oito mil reais. E elas fornecem nota fiscal (o que permite ressarcimento do plano de saúde, que não oferece o serviço) além de abater do imposto de renda. 

Eu juro pra você que não tinha absolutamente nada de reserva quando contratei minha equipeEntão vamos lá. Qual é o passo a passo para conseguir?

Primeiro: Acredite.
É o seguinte. Não adianta de nada querer um parto humanizado e ficar de mimimi. Se você ainda está presa nesse papel, saia agora do papel de vítima do mundo e comece a acreditar que você vai ter um parto humanizado. Acredite de verdade. Você pode ter uma pontinha de dúvida, mas você tem que acreditar mais do que duvidar de que vai conseguir as condições para que ele aconteça.

Segundo: Mande a mensagem para o universo.
Você pode até achar que eu sou hippie, bicho-grilo, maconheira ou qualquer estereótipo que poderia colocar meu discurso em caráter duvidoso. Mas a física quântica tá aí pra provar: tudo é energia. Então, assuma sua responsabilidade em ser um ser criador e comece a vibrar a mensagem positiva de que você vai conseguir de fato, e comece a pensar isso todos os dias. Tipo um mantra. Você vai começar a atrair pessoas e situações para viabilizar o seu projeto. Acredite em mim, é algo quase inacreditável!

Terceiro: Planejamento é a ordem.
Agora que você está com uma atitude positiva e ativa, é hora de ver como você pode levantar essa grana. Se esse bebê tivesse sido planejado (como o primeiro foi) a gente teria feito uma poupança pro parto. Mas como aconteceu em meio a um momento de caos e de instabilidade financeira, tive que contar com uma boa dose de fé e de criatividade pra montar esse quebra-cabeça. Fiz mais ou menos assim:

Primeira etapa: O que eu sei fazer que eu poderia capitalizar? Fazendo um brainstorm.
Coloquei várias respostas com ideias diferentes em cada post it e espalhei pelo chão. Várias. Até ideias absurdas apareceram e foram escritas. Essa não é a hora de selecionar, é a hora de escrever. É uma logorréia escrita de possibilidades.

Segunda etapa: O que é realmente viável?
Peguei um papel em branco e fui escrevendo o que poderia fazer. Várias atividades, projetos, etc.

Terceira etapa: Organizei mais ou menos o que poderia fazer o mais breve possível e quem poderia articular para me ajudar na empreitada (parceiras). Criei um grupo no face que se chama “Quero ajudar a Gabi a ter um parto humanizado” que tem muitos amigos queridos e onde eu divulgo os eventos e recebo apoio através do compartilhamento do que tenho feito pra conseguir essa grana.

Apesar de fazer um planejamento, sempre aparece alguma ideia nova ou alguma coisa que não deu certo, e o planejamento vai sendo reconstruído continuamente. O meu planejamento foi/está sendo esse:

Coloquei as coisas que sabia fazer e selecionei algumas ideias que tive que poderiam ter um retorno financeiro. As coisas que já fiz e que tiveram o dinheiro totalmente revertido para o parto foram:
- Oficina de bolos veganos: coloquei um limite de pessoas e estabeleci um preço de R$80 por pessoa o que totalizou R$400.
- Participação em três feiras com comidas veganas e peças doadas para o bazar: consegui cerca de R$300 em cada. Acho que eu poderia ter conseguido mais, se tivesse mais o know how do público das feiras e tal. Uma das coisas mais interessantes foi que em uma das feiras coloquei um cartaz “Compre um lanche e ajude a pagar meu parto humanizado” e muitas mulheres que tiveram partos humanizados ou famílias que são apoiadoras da causa doaram dinheiro mesmo sem comprar nada, simplesmente para me ajudar. Foi muito gostoso me nutrir de tanto carinho e ter tanta conversa bonita! Mas decidi não mais participar de feiras por ser profundamente cansativo o dia anterior de preparação e o dia da exposição.
- Oficina de comidas veganas – edição salgada: essa oficina foi muito procurada. Fiz uma edição e farei a próxima dia 24/maio, as inscrições ainda estão abertas. São 5 vagas com o valor de R$100 por pessoa o que totalizou R$500 por oficina.
- Encomendas de bolos: peguei algumas encomendas de bolos e enquanto estiver dando conta, tô pegando encomenda.
- Poupanças cotidianas: a gente reservou o que economizávamos no dia a dia também para o parto. Uma ideia legal é deixar uma caixinha ou latinha pra ir colocando dinheiro. Mas não vale moedinha. Tem que ser nota. Na minha só colocava acima de 10 reais.
- Doações: recebi doações de amigas e da minha mãe querida.

Em abril tínhamos que dar 20% do valor total, mas conseguimos juntar mais e dar R$3000,00. E ainda pagar a doula, que estava por fora desse contrato. Isso mesmo. Sem o apoio dos amigos e da nossa equipe (Périnatale) isso seria impossível. Somos pura gratidão!

Ainda faltam quase 5000. Já tenho algum dinheiro guardado, mas pretendo levantar pelo menos uns 2000 antes da Cecília nascer. O resto que faltar talvez pegue um financiamento ou até mesmo divida no cartão (minha equipe facilita pacas). Para isso estou fazendo alguns eventos e iniciativas. Você pode me ajudar participando, compartilhando, divulgando, rezando ou me dando ideias para novas iniciativas! Tem uma aba aqui no blog que chama “Ajude meu parto” com o que está rolando pra juntar essa grana antes de Cecília nascer. Olha só:

- Oficina de comidas veganas (edição salgada): inscrições abertas, vagas limitadas

- Rifa em prol do parto humanizado: Cada rifa custa R$10. Para participar basta escolher o número disponível (aqui), efetuar a transferência para a conta do Banco do Brasil Agência 1507-5 Conta Corrente 42.780-2 e me avisar pelo facebook ou pelo e-mail gabriellacotta@gmail.com para que eu reserve o número. O sorteio será dia 10/junho. Para conferir as regras, acesse o link do evento ou me mande um e-mail que eu te envio de volta. Os prêmios são:
·         1º prêmio:  
·         2º prêmio: Livro de receitas veganas: bolos, doces e salgados
·         3º prêmio: Bastidor com bordado a mensagem Gradidão
- Bazar online: confira as fotos no álbum do facebook, tem muita coisa boa e barata

- Oficina: como criar ambientes que promovam a autonomia da criança. 14/junho (domingo) às 15h (local a ser definido). Investimento: R$50,00. Vagas limitadas. Inscrição pelo e-mail gabriellacotta@gmail.com  


- Livro de receitas veganas: Livro com receitas de bolos, doces, e comidas salgadas livres de produtos de origem animal. Frete a combinar. Você pode adquirir mandando um e-mail para gabriellacotta@gmail.com e aguardando as instruções para o envio do livro. Cada um custa R$30,00. (50 unidades disponíveis).

- Além disso, um casal amigo e artesãos me deram uma percentagem do que eu vender deles, então tenho vendido alguns wrap slings (que são maravilhosos) e outras coisas lindas que eles fazem para ajudar no parto também! Conheça um pouco mais do trabalho deles na página do face: Ammi: de mãe para mãe

Ufa! Tem dado um trabalhão organizar isso tudo, mas sei que vale a pena. Confio na equipe que contratei e estou investindo em algo que acredito profundamente. Será que você se interessa em alguma das possibilidades para me ajudar? Se sim, vá em frente! Agradecemos de coração! Se não, tudo bem, se rolar ajude a divulgar? Agradecemos mesmo assim!

Beijos cheios de gratidão, luz e de inspiração!

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Do apartamento pra um quarto - Dois cafés

Sua vida está ruim.  Talvez você nem perceba, mas todos os dias acorda de mau humor, fica desanimada rapidamente, reclama, se esconde no facebook, na TV, nas compras, nas festas. Na tentativa de fugir do que você mesma está tentando se mostrar. Você finge estar cega, surda. Adoece, tem dor de cabeça frequente. Está sempre cansada. Dorme demais ou de menos. Come demais ou de menos. Não sabe como respira. Como senta. Como come. O que come. O que sente. O que pensa. Simplesmente não sabe. Não saber parece mais fácil, e por um tempo pode até ser. Você pode até achar que está exercendo sua liberdade, mas na verdade está só cada vez mais presa às armadilhas da vida industrializada. O que o Alex Castro chama de prisões.

Eu vivi algumas dessas situações por algum tempo. Sem perceber. Às vezes a gente acha que a vida é isso mesmo. Afinal, tudo parece tão difícil e moroso. Mas em algum momento eu passei a me perceber. A me escutar, a me ver. A me interpretar. O corpo mandava sinais do que a mente pensava e o coração sentia. E eu, que me achava conectada comigo mesma, me vi tão distante. Numa vida tão distante do que eu gostaria. Cheias de mimimi comigo mesma. Mimimis que não me levaram a lugar nenhum. Até que...

Até que percebi que não precisava ser assim. Afinal, quem é dona da minha vida? Quem pode mudar e fazer acontecer? Se as coisas não estavam boas, mimimis é que não iam resolver. Sair da postura de vítima e ser ativa no processo contínuo da construção de mim mesma revolucionou minha vida. Primeiro foi a decisão difícil tomada conjuntamente: meu companheiro sair de um emprego de funcionário público federal que era em outra cidade e que implicava em viagens desgastantes emocionalmente para todos nós três. Isso implicou na mudança de casa.

De um apartamento de três quartos para um quarto no quintal da casa da sogra. Vender coisas, doar, jogar fora. Praticar o desapego de uma maneira nunca antes pensada. Lembrei dos amigos que fora pro Canadá sem levar quase nada, da amiga que mudou de cidade só com a roupa do corpo... Passei a entender melhor o minimalismo e as necessidades criadas. Entender quanto ao impacto qualitativo que isso tem na nossa vida. Já vi muitas pessoas dizerem que se sentiram livres vivendo só com o que consideravam o essencial, e que era muito pouco. E realmente pude perceber isso na prática. Uma coisa significativa foi a quantidade de roupas. Antes tínhamos um guarda-roupa de 3 portas + uma cômoda para acomodar roupa de cama, banho e vestuário dos três. E aí tivemos que nos adaptar para um guarda-roupa minúsculo de 3 portas pra tudo isso pros três. Foi incrível perceber como realmente dá pra viver com muito menos. Por exemplo: antes tinha muitas toalhas. Nem sei quantas. Agora a quantidade foi pensada. Somos 3, então precisamos de no mínimo 6 toalhas. Quando três estão lavando, 3 estão em uso. A mesma coisa para o jogo de cama. Só temos uma cama. Então temos: 3 lençóis de elástico + 6 fronhas + 4 lençóis (Cauã não usa lençol). E os sapatos? Eu reduzi os meus para: 1 havaiana + 1 sandália arrumadinha + 1 sapato fechado (eu não tenho necessidade de tênis). Nas roupas foi melhor ainda. Doamos muita, muita, muita coisa. O sentimento é incrível. Outra coisa foi material de artesanato. Eu tinha muitas coisas, mas acabei doando para amigas artesãs, porque nunca encontro o tempo para fazer os projetos e estava me tornando uma acumuladora. Ainda assim guardei muitos materiais porque tenho o apego emocional e a esperança de ainda fazer o projeto. Ainda não contei o número de peças no guarda roupa, mas devo fazer isso em breve.
Nunca tinha pensado sobre essas coisinhas. São coisas pequenas que ocupam espaços e criam demandas que levam nosso tempo. Com o minimalismo ficou mais fácil limpar, organizar e ver o que temos. E agora quando chego num ambiente cheio de coisas, fico me perguntando o que a pessoa levaria se tivesse que passar por algo assim.
Nós decidimos como queremos nossas vidas. E esse modelo posto não tá bom pra ninguém. Se o dia a dia estiver como na música da Tulipa Ruiz – Dois Cafés, está na hora de repensar e ressignificar a vida.

Tem que correr, correr
Tem que se adaptar
Tem tanta conta e não tem grana pra pagar
Tem tanta gente sem saber como é que vai
Priorizar
Se comportar
Ter que manter a vida mesmo sem ter um lugar
Daqui pra frente o tempo vai poder dizer
Se é na cidade que você tem que viver
Para inventar família, inventar um lar
Ter ou não ter
Ter ou não ter
Ter ou não ter
O tempo todo livre pra você
O banco, o asfalto, a moto, a britadeira
Fumaça de carro invade a casa inteira
Algum jeito leve você vai ter que dar
Sair pra algum canto, levar na brincadeira
Se enfia no mato, na cama, na geladeira
Ter algum motivo para se convencer
Que o tempo vai levar
Que o tempo pode te trazer
Que as coisas vão mudar
Que as coisas podem se mexer
Vai ter que se virar para ficar bem mais normal
Vai ter que se virar para fazer o que já é
Bem melhor, menos mal, menos mal
Mais normal
Tem que correr, correr
Tem que se adaptar
Tem tanta conta e não tem grana pra pagar
Tem tanta gente sem saber como é que vai
Priorizar
Se comportar
Ter que manter a vida mesmo sem ter um lugar
O banco, o asfalto, a moto, a britadeira
Fumaça de carro invade a casa inteira
Algum jeito leve você vai ter que dar
Sair pra algum canto, levar na brincadeira
Se enfia no mato, na cama, na geladeira
Ter algum motivo para se convencer
Que o tempo vai levar
Que o tempo pode te trazer
Que as coisas vão mudar
Que as coisas podem se mexer

Vai ter que se virar para ficar bem mais normal
Vai ter que se virar para fazer o que já é
Bem melhor, menos mal, menos mal
Mais normal

sábado, 19 de outubro de 2013

Eu sou ativista da humanização do parto

Dei uma sumida, a vida tava uma loucura! Aniversário de um ano seguido de organização da Marcha pela Humanização do Parto! Ambos eventos foram sucesso total! Eba!

Fiz um texto que tá na nota do meu perfil do facebook e gostaria de compartilhar aqui também:

Sou ativista da humanização do parto e do nascimento

Não se trata só de via de nascimento. Não. O buraco é muito mais embaixo do que você imagina (e do que eu imaginava antes de entrar nessa luta também). A gente não quer forçar ninguém a parir naturalmente. A luta pela humanização quer respeito à autonomia e ao protagonismo da mulher na hora de parir, quer que ela tenha privacidade, tenha um pré-natal informativo e de qualidade abordando conteúdos menos objetivos do que altura uterina, pressão arterial e peso. Queremos que os profissionais tenham uma prática baseada em evidências científicas. Simplesmente porque as evidências científicas tem mostrado que o sentido que a assistência ao parto no Brasil vai tomando é um sentido errado que não beneficia nem a mulher e nem o bebê. Quando a gente fala em evidência científica a gente tá falando de um monte de pessoas que dedicam grande parte de seu tempo pesquisando e estudando mais a fundo determinado tema. Não é opinião. É estudo, tempo, análise, conclusão. E a prática não está sendo baseada em evidência científica na assistência ao parto no Brasil. E não está seguindo as diretrizes da Organização Mundial da Saúde e nem do Ministério da Saúde. O que a gente quer é que os profissionais forneçam informações de qualidade para que as gestantes façam suas próprias escolhas. Mas temos encontrado muita resistência por parte dos profissionais em abrir espaço para conversa. Então sempre seguimos o caminho de informar as mulheres. Porque as mulheres podem mudar a realidade da assistência. Exigindo uma nova conduta, questionando velhas práticas, requerendo seus direitos, denunciando violências. Se uma mulher, sabendo que em uma cesárea sem real indicação médica tem um risco de 3x mais complicação materna e 2,5x mais complicação neonatal, que a cesárea eletiva tem sido associada com desconforto respiratório do recém-nascido e com prematuridade iatrogênica, com depressão pós-parto, entre outras coisas e ainda assim ela escolher marcar uma cesárea... que assim seja. Mas acho uma pena que as mulheres encontrem médicos que topem fazer uma cesárea eletiva. E acho lamentável profissionais que se baseiam em motivos ultrapassados (quando não absurdos) para justificar uma cesárea. Cômodo pra quem? Bom pra quem? Se cesárea fosse a via normal de nascimento, acredito que a OMS e o MS não estariam preocupados com o elevadíssimo índice de cesariana no Brasil. E a mortalidade materna não diminuiu, mesmo com o uso massivo de intervenções. Será que precisa disso tudo mesmo pra um evento que acontece o mesmo tanto de tempo que a Humanidade existe? A luta pela humanização do parto é a luta pela escolha informada, pelo empoderamento feminino. Nosso corpo sabe parir, sabe gestar. Nossa luta é para que cada vez mais mulheres saibam que é possível parir com privacidade, com respeito, com autonomia, com liberdade, respeitando a fisiologia do nascimento. Porque é nosso direito parir e do nosso bebê nascer com dignidade. O parto não precisa ser um evento traumático, permeado de dor. Eu acredito que o modo como uma sociedade lida com o nascimento está muito relacionado a outros aspectos, como a criminalidade (já comprovou Michel Odent no livro O camponês e a parteira). Se ¼ das mulheres brasileiras relata ter sofrido algum tipo de violência durante o nascimento dos seus filhos, o que será de nossa sociedade? Nós da humanização do parto queremos enaltecer cada vez mais a beleza do nascimento. O milagre da vida.


Saiba mais sobre a Marcha pela Humanização do Parto e do Nascimento e do Movimento pela Humanização do Parto e do nascimento em Natal



terça-feira, 30 de julho de 2013

Renascer é preciso

No mês de agosto terá o lançamento do aguardadíssimo filme O Renascimento do Parto. Me lembro como hoje quando, ainda grávida, assisti ao teaser do filme. Naquela época os organizadores ainda estavam procurando maneiras de viabilizar o lançamento sem ficar sem ter o que comer. No início desse ano as coisas caminharam muito bem com a realização de uma vaquinha coletiva pra finalizar o filme e fazer o lançamento. Esse é um filme que estará em circulação com mão do coletivo de pessoas que acreditam na importância que esse filme tem para o cenário atual da assistência ao parto e ao nascimento. Por que essa importância?

O Brasil tem índices altíssimos de cesárea. Muito distante do que preconiza a Organização Mundial da Saúde. Esse problema já está em evidência e o Ministério da Saúde tem desenvolvido ações que estimulem o parto normal. A questão é que não se trata só de via de parto. Quando se fala de parto, uma série de outras coisas está envolvida. Por que há esse mito em torno do parto normal? De onde vem tamanha desinformação dos profissionais envolvidos com o nascimento e das gestantes com suas cesáreas agendadas? E as indicações fictícias de cesárea? E a violência obstétrica? Puxa! São tantas questões a serem elucidadas... Várias pesquisas vem sendo desenvolvidas por todo o Brasil para evidenciar a falha grave que temos na assistência ao parto e ao nascimento em nosso país.

Michel Odent, em seu livro O Camponês e a Parteira: uma alternativa à industrialização da agricultura e do parto, relata diversas pesquisas que associam a industrialização da vida com aumento da criminalidade. A industrialização da vida trouxe uma série de intervenções desnecessárias ao processo fisiológico do parto, como a introdução de fármacos, procedimentos invasivos, posições não verticalizadas para a comodidade do médico, dentre outras. O pré-natal, um momento para ser de construção, de preparação, de informação; se torna na industrialização uma procura por algo errado que receberá um rótulo que fará com que a gestante passe a ser uma enferma. No nosso país, 25% das mulheres dizem terem sofrido algum tipo de violência obstétrica durante seus partos. Esses dados foram encontrados nessa pesquisa de 2012. O parto humanizado (re)surge nesse contexto para trazer o respeito a autonomia da mulher, o respeito ao parto fisiológico, sem intervenções que atrapalhem o seu desenvolvimento, que acolha a parturiente e seu bebê. No livro do Leboyer, Nascer Sorrindo, há uma longa reflexão a ser feita ao enxergar o nascimento do ponto de vista do bebê. As contrações avisam ao bebê que algo irá acontecer. Ele se prepara para aquele momento. Já pensou em retirá-lo do útero sem nenhum tipo de aviso? As pesquisas mostram que cesáreas desnecessárias possibilitam maior probabilidade de complicações maternas e neonatais, além de dificultar o estabelecimento da amamentação. As cesáreas eletivas tem sido associadas com o aumento da prematuridade e do desconforto respiratório dos recém-nascidos.

Enquanto isso, discute-se a redução da maioridade penal. Michel Odent diz que “a criminalidade juvenil pode ser vista como uma deficiência em amar o outro”. Será que não está na hora de repensarmos e fazermos algo para mudar o modo do nascer no Brasil? Países com baixos índices de criminalidade são os países com as menores taxas de violência obstétrica. Será que isso é mero acaso? Será que o fato do surgimento da anestesia no parto dos bebês que foram os adultos da geração dos anos 60 não está relacionada a busca incessante dessa mesma geração em se anestesiar com drogas? Eu concordo com Michel Odent. Eu não acredito em acaso. Há uma forte relação entre esses índices.

É preciso informar as pessoas sobre a possibilidade de um parto respeitoso.
É preciso informar às pessoas que o parto normal é melhor pra mãe e bebê.
É preciso informar.
É preciso renascer.


O Renascimento do Parto no Facebook