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domingo, 13 de setembro de 2015

Antes de falar, pense duas vezes.

“Cuidado viu, a cunhada da prima do vizinho do meu namorado morreu no parto normal. O filho da amiga da tia do meu professor ficou com problema por causa disso.”

Ah! As entidades fantasmagóricas que assombram o inconsciente coletivo e que parecem cutucar as pessoas quando vêem uma mulher grávida para contar toda e qualquer história milaborante cheia de carga negativa para carregar ainda mais a mente e o coração daquelas que geram uma nova vida que chegará ao nosso planeta.

O ato de estar grávida parece ser bastante social quando o bebê está na barriga e quando está nos braços da mãe. Mas infelizmente caminhamos para um ato social que é individualista, porque ele parece ser somente um mundo de pitacos e histórias de caráter duvidoso ao invés de ser um portal de acolhimento da mãe e do bebê.

Estar grávida para algumas pode ser uma dádiva, para outras um fardo. A grávida conta já com uma série de novidades no seu corpo, mente e espírito. Anseios, medos, expectativas, mudanças bruscas permeiam o resto da vida da mulher que se torna mãe. Pode parecer que não, mas a maternidade pode ser um tanto isoladora. Primeiramente porque esse papel social dos indivíduos que contam histórias mirabolantes, ou que acariciam a barriga sem pedir permissão, termina ali. Quando a mãe precisa de apoio depois do nascimento, por exemplo, essa função social morre. É um ser social individualista e egoísta. Onde ele faz algo sem cogitar o que a grávida sente ou pensa a respeito, portanto, deslegitimando a mulher e o bebê. Mas isso vai muito além.

Quando você fala algo ruim, seja contando uma história seja compartilhando histórias negativas sobre qualquer que seja o assunto, você está jogando uma carga negativa no ser que chega. Já pensou sobre isso? A gestante lê ou ouve algo desagradável e seu corpo biologicamente irá responder, e a sensação que ela tiver o bebê irá sentir. Já bastam as tristezas inerentes à existência, né?

Na minha primeira gravidez, tive que rebater inúmeras vezes comentários desnecessários sendo até mesmo grossa para que as pessoas compreendessem o limite que eu estava colocando. Na segunda gestação, ainda colhi alguns desses frutos, principalmente de pessoas mais próximas que compreenderam os limites que eu já impunha. Mas qualquer grávida/mãe sabe como, por exemplo, se sai uma reportagem negativa sobre parto, imediatamente algumas muitas pessoas compartilham com essa mulher. Já se saem reportagens positivas, ou não compartilham ou um número significativamente menor de pessoas o fará.

Por isso hoje, eu convido você a assumir a responsabilidade enquanto ser Humano no planeta Terra. Uau! Parece um pouco demais? Não.

Bem simples: quando você tiver contato com uma gestante simplesmente conte histórias positivas, fale sobre coisas legais. Já basta o patriarcado e o machismo cotidiano para oprimir as mulheres. Leve mensagens de apoio,, procure escutar o que ela tem a dizer e respeite. Respeito mútuo é algo básico para termos relações saudáveis, não é mesmo? 

Então, vamos encher esse bebê de coisas positivas. Pra que ele saiba que a vida aqui fora vale a pena e pode sim ser muito bonita.

Em alguns lugares, as gestantes ficam recolhidas no período da gestação, por considerarem esse período sagrado e por isso muito importante utilizar um filtro para a energia que chega à mãe e ao bebê. No Brasil já existem locais que os casais vão durante esse período até um pouco após o parto para viverem a plenitude do momento sem as influências negativas que conviver em sociedade pode proporcionar.

A mesma dica fica para as pessoas que conhecem mães. As mães dão o melhor que podem. Se quiserem ajuda ou sugestão, vão pedir. Portanto, nada de encher de carga negativa ou de pitacos (que podem ser mau recebidos) mães e pais, ok? Vamos criar uma rede de apoio consciente de seu papel e apoiadora de verdade das mães e pais.  

Vamos ensinar a todos que nos rodeiam sobre a importância do bem dizer?

Participe compartilhando notícias ou coisas bonitas para gestantes e mães do seu círculo social use a #falarconsciente


sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Relato de parto da Cecília e o renascimento de mim mesma

Dia 16 de junho eu completaria 37 semanas. Dia 15 comecei a sentir contrações doloridas de 10 em 10 minutos. Dei pulinhos de alegria, derramei algumas lágrimas de emoção e fui sentindo aquilo. Logo depois me vieram cenas do nascimento do Cauã na cabeça (mais no coração, talvez). Sabia que elas poderiam aparecer. Nós não tivemos uma experiência positiva no primeiro nascimento e eu sabia que o segundo nascimento poderia trazer memórias guardadas. Mas tinha me preparado ao longo da gestação para isso. Gestei bem algumas dores e pari elas ao longo da gestação da Cecília, porque sabia que memórias assim poderiam atrapalhar o parto. Enfim, abracei essas dores com toda a minha vontade a ponto de elas sumirem. Fazem parte da nossa história, afinal. Então avisei à minha equipe depois de algumas horas e fui tomar um banho quente como pediram. Tomei e as contrações sumiram. Brochei. Poxa, eram pródromos. Então fui pra rotina normal e fui dormir. Na madrugada as contrações apertaram, mas não ritmaram. Doíam pouco, agora sei. No dia seguinte tinha consulta de pré-natal (em casa) com minhas enfermeiras, a Ana e a Nath. A Ana me avaliou, avaliou Cecília, tudo bem. Contrações doloridas, que perdiam o ritmo. Pródromos. Era isso, era uma questão de tempo. Ah! O tempo. Sempre tivemos uma relação um tanto conturbada. Coisa de quem é ansiosa. Enfim, sabia que os pródromos poderiam durar alguns dias. Só não sabia que poderiam durar tantos dias. Dias de intenso aprendizado, cura e preparação. Oscilava entre “meu corpo sabe parir, é só esperar”, “será que tem alguma coisa errada?”, “acho que ela não tá pronta”, “Cecília sai logo daí cara, vamos nascer, quero parir”. Loucura total. Absoluta imersão no meu caos interno. Que viagem deliciosa, penso eu agora, já fortalecida (e fora do turbilhão). Pois bem, nesse período, logo no início, pedi pra doula vir, me ajudar, fizemos algumas medidas naturais para indução, chá, escalda-pés, massagem. Nada parecia funcionar. Claramente porque Cecília ainda não estava pronta. (E acho que nem eu). Ao longo dos 21 dias a única coisa que pensava era que não queria pressão social. Como sou espertinha e já passei por isso no primeiro filho, menti a dpp pra todo mundo. Sim família e amigos, menti. E sinceramente, todas as grávidas deveriam. Gestar é um processo social, além do individual, obviamente, mas as grávidas e seus bebês sofrem uma pressão sem fim que não necessitariam sofrer. Então, como minha primeira gestação chegou às 42 semanas e eu já estava quase mandando todo mundo pra putaquepariu (trocadilho besta hein), resolvemos mentir. Voltando à imersão dos 21 dias. Foram muito difíceis. Porque eu não me sentia a vontade para sair de casa, já que a cada contração dolorosa eu precisava parar um pouco e respirar fundo. As pessoas olham com certa preocupação para mulheres visivelmente a beira de parir e paradas respirando diferente. Então passei a maior parte do tempo em casa. Pra não surtar completamente, comecei a inventar pequenos projetos de artesanato. Lavar roupa. Dormir. Ler. Ver séries (o melhor passatempo EVER). Depois de 15 dias achando que a qualquer momento ia engrenar, comecei a ter certeza de que nunca mais seria uma pessoa não grávida. Juro que comecei a viver como se eu fosse ficar pra sempre naquela condição. Até que...

Até que meu companheiro me deu um empurrão num processo que eu precisava perceber: minha ansiedade estava me consumindo. Todo dia de manhã quando acordava e percebia que não tinha parido, passava o dia borocochô. Depois da dica fiquei mais atenta a lidar com sabedoria com o processo. Vez ou outra ia conversar mentalmente com as paridas do meu painel de inspiração. Ah a danada da espera. Entender que a qualquer momento o trabalho de parto poderia de fato começar me deixava super ansiosa para qualquer contração mais doída. Lembro que as contrações mais fortes eu falava em alto e bom tom: é isso aí, manda brasa! (hahaha amadora) Mas elas foram episódios isolados, pessoas solitárias em meio às contrações doloridas de verdade. As parteiras disseram pra mim: quando for trabalho de parto, você vai saber. (de fato eu realmente soube). Então galeuris fica a dica: pródromos longos? Depois de aproveitar pra descansar, vá fazer qualquer coisa pra pensar em outra coisa que não seja o parto. No meu caso, como eu tive MUITO tempo, eu usei a maior parte pra ficar sendo bipolar entre “a Cecília não tá pronta, quando estiver vai engrenar” para “vai Cecília nasce logo”. Até o momento em que eu me conectei comigo mesma, ouvi meus medos, me tranquilizei conversando francamente com minhas parteiras e decidi ir ao cinema, fazer outras coisas puramente com fins distrativos. Cerca de quatro dias antes do parto, fiz acupuntura e depois moxa. As contrações ficavam bem fortes e frequentes logo depois das aplicações, mas sem ritmo. E sumiam depois de um banho quente ou de deitar na cama. Na última semana eu consegui dormir todas as noites inteiras, as contrações simplesmente pararam de intensificar durante a madrugada, me deixando mais ainda com a sensação de que ia ficar pra sempre grávida. No domingo antes do parto fui a uma feira ao ar livre dar um rolé e foi ótimo. Encontrei pessoas, gargalhei, comi, admirei a beleza de Brasília e suas intervenções urbanas, além das naturais.

No dia seguinte, seis de julho. Pela manhã fomos ao parquinho com Cauã. Fizemos almoço. Estava vivendo a vida, o presente, finalmente. Já não sentia mais ansiedade como antes. Parava nas contrações dolorosas, fingindo admirar o céu, a árvore, quando estava na rua, pra evitar olhares curiosos ou preocupações desnecessárias de desconhecidos.  Depois do almoço fui cochilar com o mais velho, deitei ao lado dele, fiz carinho, adormeci. Algum tempo depois acordei com uma contração, senti algo fazendo ploc e levantei rapidamente quando a contração passou. E aí, eis que minha bolsa tinha estourado. Yes! Finalmente! Torcia para que as contrações começassem a se intensificar. Cauã dormiu tanto que achamos melhor não ir para a escola. A Ana veio me avaliar e estava tudo bem, pediu pra eu seguir a vida normalmente até que engatasse mesmo. Já pro final da tarde eu tinha tido episódios isolados de contrações bem mais dolorosas. Resolvemos sair para lanchar e ir ao mercado abastecer para o parto. Do lanche eu não consegui ir ao mercado. As contrações estavam espaçadas mas bastante doídas. Fui para casa, tomei um banho quente e fiquei torcendo para que as contrações não desaparecessem. E não desapareceram. Marido e filho chegaram, contrações estavam apertando. A cada uma, eu vocalizava continuamente, usando a técnica de respiração abdominal e abertura da boca para a abertura dos anéis do corpo. Mas infelizmente Cauã ficou incomodado com minhas vocalizações e achamos melhor pedir para que meus pais o levassem para a casa deles. Já tínhamos combinado isso previamente. Após a saída de Cauã, me soltei de verdade e pude me entregar ao processo sem preocupações. Avisei à doula e às parteiras que as contrações tinham se intensificado. A cada uma, eu vocalizava, usando a expiração de uma inspiração longa e vagarosa. Léo, meu companheiro, deixou as luzes indiretas, como eu queria. Ficou um pouco comigo. Fui pro chuveiro e as contrações ficavam mais intensas. Estava muito contente de ver meu corpo funcionando. As parteiras chegaram e foram organizar as coisas. Saí do chuveiro e fui pro quarto, sentei na banqueta de parto e pedi que meu marido ficasse atrás de mim. Passada a contração vi que tinha saído cocô, e não fiquei com vergonha. Não sabia como iria reagir a esse momento e poucos relatos falam do cocô. Pois é, tamanha força e compressão do reto, sai cocô. Pouco. Nada demais. Enfim, estava doendo pra caralho. Muito mesmo. Eu vivia um duelo porque sabia que tinha que apagar meu neocortex pra coisa rolar mais naturalmente. Mas se eu estava pensando em apagar o neocortex provavelmente eu não tinha apagado, pensava eu. E aí a Ana perguntou se eu queria a piscina. Eu perguntei se dava tempo. Elas disseram que talvez fosse interessante fazer um toque para avaliar em que patamar estávamos. 20h: Nath veio, avaliou. Não falou nada e saiu. Nessa hora já imaginei que deveria estar desfavorável, com colo grosso e pouca dilatação. Ela foi sábia pra caramba de não ter me dito. E eu não perguntei porque não queria brochar ou duvidar do meu processo. Tamanha sensibilidade minhas parteiras tinham. Sabiam que minha ansiedade poderia atrapalhar e souberam lidar com isso e comigo de uma maneira ímpar. Sou muito grata à maneira que tudo foi conduzido. Após perceber que o processo poderia demorar, de ver a movimentação pra montar a piscina e tal, resolvi esperar no chuveiro, relaxando, vocalizando agachando, me entregando. Deixei uma luz de led na tomada, liguei o chuveiro no mais quente possível e fiquei lá por um tempo. A cada contração soltava: aaaaaaaaaaaaaaaaaaa. Tipo aquela daquele post que fiz sobre o canto carnático. Lembrei muitas vezes daquela indiana que conduziu as mulheres no canto. Do som da água do vídeo. Do vídeo do parto da bailarina vocalizando também. Aí minha doula chegou! Ufa! Elisa chegou e perguntou prontamente o que eu precisava. Eu disse que estava muito frio. Veja, o banheiro tem uma janela quebrada que sempre me irrita porque deixa passar um ventinho frio assim que saímos dentro do box do banho quente. E eu estava com a porta do box aberta. Então... Elisa convocou Léo e elaboraram uma engenhoca pro vento parar de me incomodar. Colocaram alguns sacos plásticos na janela com fita crepe e funcionou muito bem. Tão bem que eu podia ver a fumaça do banheiro contra a luz led da tomada. E a partir daí a imersão foi belíssima.

Sentia as dores da contração. Doíam muito. Perguntava pela banheira, mas não estava pronta. Sentia meu corpo se abrindo. Contração vem, vocalização, respiração. Contração vai, procurava relaxar os outros músculos do corpo: cervical, face, mãos e braços. Contração vem: vocalização, respiração. Contração vai: lembrar de apagar o neocortex. Contração vem: vocalização, respiração. Contração vai: eu tenho que parar de pensar em apagar o neocortex e me entregar. Contração vem: vocalização, respiração. Contração vai: ah que delícia as massagens da doula. Contração vem: nossa isso tá doendo pra caralho, acho que vou sair do chuveiro. Contração vai: vamos pra cama, tô morta, preciso descansar! Elisa vai comigo pra cama. Deito de lado e simplesmente as contrações parecem não parar. Não dá pra descansar. Fico gritando pra Elisa apertar meu quadril. Usou toda a força e aliviava bem. Uma hora ela estava praticamente em cima de mim de tanta força que eu pedia. Mas aliviava mesmo. Deitada foi horrível, doeu mais. Não deu pra descansar. Pedi pra voltar pro chuveiro, porque a piscina não estava pronta. Voltei pro chuveiro. Durante as contrações comecei a perceber a analogia das ondas do mar. Perfeito. Vem e vai, vem e vai. Mas chegou um momento em que começaram a ficar quase insuportáveis. E aí... aí eu disse aquela frase CLÁSSICA de quem está perto de parir: EU ACHO QUE VOU MORRER. E depois de vomitar, fazer cocô (não sei se eu realmente fiz) e gritar isso, imediatamente depois, eu pensei: putz, tá perto mesmo! Elisa disse logo depois: Que bom! Tá pertinho! Você consegue! E aí a Nath veio perguntar se eu queria agulhamento. A Ana, a outra enfermeira, tem um curso e usa uma técnica de agulhamento a seco no parto para alívio da dor. Eu nem esperei a Nath terminar de falar. Ouvi agulhamento e disse EU QUERO! Ok. Ana vem, com toda sua sabedoria, falando baixinho. Senta na frente do box. Não sei que magia a voz da Ana tem, mas fiquei instantaneamente mais centrada só com o tom da voz dela. Estava em uma contração, perdendo as estribeiras, querendo partir pro caos ao invés da entrega harmoniosa e lembro da Ana: respira Gabi, devagar, já já passa. Se eu pudesse eu gravava o jeito que ela falava. Era quase uma hipnose. Automaticamente a contração passava a ser suportável, eu voltava a vocalizar, a vibrar os lábios pra auxiliar a mucosa a relaxar, a rebolar. Entre uma contração e outra, consegui sentar na banqueta de parto e ela aplicou. Fiquei 15 minutos com as agulhas. Com 3 minutos veio outra contração, mas já senti uma melhora da intensidade, muito mais suportável. A Ana tirou as agulhas, Elisa voltou, e eu fiquei lá, em imersão em mim mesma. Quando eu pensava em titubear pensando no toque que eu sabia que não tinha grande dilatação eu lembrava rapidamente da lei do esfíncter, e isso me tranquilizava muito. Sabia que abrindo a boca ajudava a abrir o colo do útero, vibrando o lábio relaxava a mucosa e o períneo e usei e abusei dessas técnicas. Então comecei a sentir puxos. Puxo é quando dá vontade de fazer força. Depois do primeiro, avisei a Elisa: Elisa estou tendo puxos! Ela saiu e foi chamar a Ana. Ana veio. Perguntou se eu conseguia sentar para ela me avaliar. Eu sentei, de costas pra ela, porque a banqueta estava virada de costas pra saída do box, que é um quadrado que só cabia eu. Enfim, Ana pediu pra eu virar e eu já na minha versão bicho disse que não, que ela ia ter que me avaliar assim mesmo. E aí ela avaliou, fez um contorcionismo danado, fez um toque e pediu pra que eu tocasse. Toquei e pude sentir a cabeça de Cecília no canal de parto. Foi uma sensação incrível. Então pedi ajuda, viramos a banqueta e eu. Ana sentou, colocou sua luz de escavador na testa (hahaha) e eu apoiei o pé esquerdo no joelho dela. Segurei no suporte da parede com uma mão e com a outra segurei na barra da porta do box (que não sei como não quebrou). JURO que o expulsivo não doeu. Durante uma contração e outra do expulsivo eu tive a sensação nítida de estar em cima da prancha no mar, esperando a próxima onda. Com a mesma calmaria, com a mesma paz, com a mesma plenitude e sintonia com a natureza. Vibrei lábios entre as contrações. Abri ao máximo a boca e vocalizei durante as contrações. No segundo puxo eu queria um pouco perder o eixo, mas aquele olhar de paz da Ana, nunca vou esquecer. Nunca vou esquecer aquele momento. Eu olhava pra ela e era como se eu me visse dizendo: tá tudo bem. Sentia uma confiança absurda de que realmente tudo sairia bem e sentia uma tranquilidade incrível. A Ana dizia: deixa ela descer Gabi, só faz força quando tiver vontade. E eu esperava o sinal do meu corpo de que a força estava vindo. Uma força que eu não reconhecia. Não sabia que tinha. Não era uma força só de colocar um filho para fora do meu corpo. Mas uma força criadora. Uma força criativa. Empoderadora. Fortalecedora. No expulsivo, entre uma contração e outra, era como se tivera chegado num lugar em que nunca estivera. Com uma vista incrível. Tudo ficou claro. A vida, seu propósito e sua beleza. Ali, naqueles poucos segundos entre uma contração e outra eu me reencontrava. Quando ela saiu e escorregou para as mãos da Ana, que logo me entregou, às 23:15, eu atingi meu Samadhi. Minha ascenção espiritual. Falei: EU CONSEGUI. Eu realmente consegui. Todos choraram e pedi para que Léo viesse ficar com a gente no box do chuveiro. Foi incrível.

No meu gestar e parir me encontrei em mim. Percorri lugares nunca percorridos, encontrei dores escondidas, fortalezas esquecidas e vivi o presente como nunca houvera vivido. Senti-me entorpecida de amor, de esperança e de paz. Fez-se luz nas minhas vistas, no meu coração e na minha mente e agora sou outro alguém.  

Muito mais plena.

Gratidão ao meu grande amor Léo, às parteiras mais especiais que eu poderia ter arrumado Ana e Nath e à inspiradora doula Elisa.
Sou grata pela sensibilidade, pela voz baixa e afetuosa, pelo cuidado holístico e olhar de quem acredita.

*Minhas parteiras são da Périnatale.


OBS: Esse parto foi um vbac. Períneo íntegro, trabalho de parto com cerca de 3 horas.  
Hora de ouro! Mamando no calor da mamãe na primeira hora de vida!

Foto com a equipe da Perinatale com as enfermeiras obstetras Ana Moulaz e
Nathália Paiva  e a doula Elisa! Comemorando o períneo íntegro!


quarta-feira, 10 de junho de 2015

Tudo de novo! Fraldas de pano crescendo com a família...

E cá estou eu, novamente encantada e louca pelas fraldas de pano. Nesses quase três anos que se passaram, aprendi algumas coisas interessantes que compartilharei com vocês hoje. Não vou trazer informações básicas, porque elas estão nesse post aqui.
Enfim, Cecília vem aí e devo dizer que aproveitaria todas as fraldas que guardei do Cauã. Tirando uma, de algodão, que ele usou muito e que está bastante desgastada. Mas o que pude observar, já de antemão, é que as fraldas em soft, minky, pul e suede, estão como novas. Mas não vou adquirir fraldas novas em soft porque achei que abafavam muito e às vezes davam alergia. Sugiro que o interior seja de tecidos mais leves como o dryfit, minky ou suedine.
O custo benefício realmente tem sido incrível: separei as que mais gostava e simplesmente troquei/vendi as outras. Os recheios mantive todos os que já tinha, tirando as fraldas tipo cremer, que comprei novas para ela, além de adquirir algumas coisas que serão úteis e que eu não sabia.

Na minha opinião, eu não gastaria com absorventes para o dia. Eu sei costurar e acabou achei mais prático comprar o atoalhado de qualidade (que custa cerca de R$20/metro) e costurar duas faces dele uma junto à outra, na medida que achei ideal (44x30), que foi do absorvente da Fralda Madrinha. Cortei vários, juntei e costurei com o acabamento. Esse tamanho eu achei ótimo porque dá pra dobrar em três ou até quatro camadas, e fica bem reforçado. Para a noite eu realmente não consegui achar uma combinação que segurasse a noite toda, e acabei optando por usar a descartável de noite já que ele dormia a noite toda e eu também desejava dormir. 

Outra coisa que resolvi fazer, foram meus próprios paninhos de limpeza. Ao invés de costurar dois do atoalhado, simplesmente cortei na medida dos paninho normais descartáveis e pedi para fazer a bainha na overlock. Depois é só juntar tudo com as outras fraldas e lavar. Não precisa passar. Esses do lado dos que eu fiz são da Chiquita Bakana e de um lado são de soft e do outro de algodão. Não gostei muito deles para limpar bumbum, prefiro o atoalhado mesmo.

Ainda falando sobre os absorventes, além do atoalhado, essa combinação da cremer com o recheio de microfibra dentro foram a combinação mais mão na roda que eu pude fazer. Além de segurar legal o xixi por umas 4h, secavam super rápido e não impermeabilizavam com a facilidade que os outros absorventes impermeabilizam (excesso de sabão ou uso de amaciante acabam com a absorção das fraldas). Na caixinha da fralda de pano vem a explicação diferenciando a dobradura para meninos e meninas. Sugiro que observem somente a qualidade do tecido, pois alguns podem durar bem menos e aí custo benefício pro bolso e pro planeta devem ser levados em consideração. As de maior qualidade geralmente são um pouco mais caras, mas tem uma vida útil maior.
Ah! Quando falo em microfibra, não necessariamente são os absorventes prontos que acompanham algumas fraldas não. Bom, não só eles. Mas sabe aqueles panos de limpeza em microfibra? Pois é, esses eram o que eu mais usava, junto com a cremer. Como a microfibra não pode ir em contato com a pele, eu ou fazia a dobradura abaixo, ou simplesmente enrolava a cremer em volta da microfibra formando um retângulo. O poder de absorção é muito bom.
Com Cauã eu tive muita dificuldade em usar as fraldas de pano no primeiro mês porque ele tinha as pernas finas e eu não tinha comprado nenhuma fralda especialmente para recém-nascidos. Como pretendo usar com a Cecília, dei uma pesquisada e comprei esses contours (ou contornos) da Fio da Terra, porque achei que os elásticos devem segurar bem, e eles podem ser usados mesmo depois, porque você dobra e prende com o snappi do tamanho que quiser. Eu já tinha comprado um da Ninho Coruja, mas eles não tem elástico, apesar de terem excelente absorção, eu achei que para recém-nascido (com possibilidade de pernas finas) não deve segurar. Mas ainda vou testar quando ela nascer. Com Cauã eu usava esse contorno da Ninho Coruja com um absorvente a mais de microfibra pra de noite. Só achava que ficava muito volume...


Outra coisa legal que eu só fui descobrir a praticidade depois, foi o uso do liner biodegradável. Quando o cocô do Cauã começou a ficar de gente grande, achei mais fácil colocar o liner por cima do recheio e jogar tudo no vaso depois. 
Entre os modelos também, eu achei as pockets pouco práticas, porque eu tinha que trocar tudo, quando poderia só trocar o recheio. Então agora prefiro capas.

Para saídas eu acho ótimo usar a fronha de soft da Fralda Madrinha com absorvente por dentro, porque dá a sensação de seco e também porque é mais fácil de levar na bolsa. Eu realmente não tenho muita disposição em usar fraldas de pano em saídas, porque gosto de carregar pouca coisa, e as fraldas de pano fazem certo volume na bolsa.

Além das marcas que eu citei, já me indicaram outras com uma propaganda muito positiva como a Nós e o Davi. Eu particularmente prefiro comprar produtos de mães artesãs, para incentivar o empreendedorismo materno e o trabalho artesanal. A Coolababy e outras chinesinhas são mais baratas, mas acho que vale separar uma parte do enxoval só pras artesanais. Comprar de quem faz é sempre uma boa opção!

No próximo post vou dar dicas de lavagem!
Qualquer dúvida, estou a disposição para ajudar! 
Beijocas


domingo, 22 de março de 2015

O desconforto e o que aprender com ele

             Durante a vida passamos por muitos desconfortos. Físicos, emocionais, sociais. Vivemos um eterno reacomodar. Ou deveríamos, pelo menos. Afinal, perceber o desconforto e fazer alguma coisa para muda-lo é de fato algo que nos proporciona movimento e aprendizado.
            O que fazemos com o desconforto no dia-a-dia diz muito de nossas escolhas, valores e como encaramos a vida. Se logo que percebemos uma situação desconfortável fugimos dela ou então se a qualquer desconforto físico ingerimos qualquer substância para calar o organismo, provavelmente buscamos uma fuga do diálogo essencial a que os sintomas nos convidam e que poderiam auxiliar a gente a superar e a modificar pensamentos, atitudes e sentimentos.       
            Na gravidez as coisas se tornam um pouco mais intensas. O que gestamos ao longo da vida aparece logo na maneira como surgem e como lidamos com os desconfortos de se reacomodar a mudanças tão bruscas e cotidianas em um curto espaço de tempo. Nesses nove meses podemos construir uma nova maneira de ser, de se ver.
            E é aí que eu faço um convite para gestarmos de forma ativa. Gestar não deveria ser apenas o desenvolvimento físico de alguém em nossos ventres. Gestar é um processo constante da vida, afinal, nosso poder criador pode ser exercido agora e a qualquer momento. Porém o gestar de uma pessoa se torna um momento sublime, de grande potencial transformador para nós mesmos e para nossa sociedade. Gestar ativamente alguém em nossos ventres envolve o gestar de nós mesmas e de nossas relações com o mundo, com o bebê, com o corpo, mente e emoção. E é aí que o desconforto pode ser um grande aliado no desenvolvimento pessoal e espiritual.
            Na gravidez muitas mudanças físicas ocorrem em um curto espaço de tempo. Mudanças hormonais, emocionais, físicas, de equilíbrio, de sentidos. Cada gestação tem a sua peculiaridade exatamente porque é impossível viver o mesmo momento duas vezes, afinal trata-se de circunstâncias e de pessoas diferentes. No gestar ativo a meditação, a auto-observação e o diálogo contínuo com o corpo, mente e bebê fazem a diferença para que seja uma experiência fortalecedora e não vitimizadora. Além de começar a construção do vínculo mãe e bebê.
            Quando falo de vitimizadora me refiro ao fato de para muitas pessoas, favorecido pelo contexto patriarcal, a gravidez ser vista como um momento de fragilidade, e não de força. Particularmente nessa gravidez, me sinto muito conectada e com uma força interior que eu desconhecia, mas que percebo que sempre esteve lá. Os desconfortos físicos que aumentam com o decorrer da gestação servem como ferramentas para desacelerar mente e corpo, voltar para si, se conectar para o processo do parto.
            Ah, o parto. Cheio de desconfortos para umas, de orgasmo para outras. Carregado de histórias de nossas vidas e de nossas ancestrais. De como lidamos com muitos aspectos, dentre eles, os desconfortos físicos cotidianos, nossas incertezas e certezas, nossa auto-confiança. Os processos de gestar e parir ativamente são profundamente fortalecedores. Propiciar para mulheres e bebês experiências positivas nesses processos é algo que toda sociedade deveria perceber como algo essencial para melhorarmos nosso planeta. Afinal, o impacto de como nascemos tem um impacto em como nossa sociedade se desenvolve. Desde quando o bebê está na barriga até os três anos de vida formam-se imprints que são essenciais para a formação da personalidade, para o exercício da compaixão e do amor ao invés da violência.
            A maneira como nascemos atualmente diz muito sobre a maneira como vivemos e encaramos a vida. Ocidental, esterilizada, industrializada. Sem conexão verdadeira, interior. Sem desenvolvimento pessoal, fortalecedor. Sem muitas reacomodações, saídas das zonas de conforto. Uma gestação pode ser um convite à reflexão do que você tem gestado ao longo de sua vida. Um parto pode ser um convite ao despertar para sua força interior, ao milagre da vida.
Foto: Lisa Dawn Angerame
            Encarar o desconforto como ferramenta de trabalho cotidiano faz toda a diferença para como viveremos a vida. Trata-se de escolhas, cotidianas. Uma construção eterna e nem sempre tão prazerosa que nos conecta com o todo, com o nosso potencial real, eu superior, ou como goste de chamar isso tudo que se refere a nossa essência. Uma coisa é certa: não podemos negar nossa responsabilidade enquanto criadores e mantenedores da realidade em que vivemos. Tomar consciência e fazer escolhas mais sensíveis à nossa essência de unicidade é o mais coerente que podemos fazer para jogar o manto do despertar em mais pessoas para a construção de uma nova (e melhor) realidade.


terça-feira, 28 de outubro de 2014

Uma festa de criança para todos

Datas comemorativas podem ser eventos pra lá de entediantes. Nós sempre ficamos desconfortáveis em eventos com cenários, muita gente e pouca intimidade. Nosso casamento mesmo, nós que fizemos praticamente tudo. Contratamos apenas o buffet. No primeiro ano de Cauã também fizemos um aniversário bem intimista e foi super legal. Mas esse ano nós nos superamos. Limitamos bem o número de pessoas e fizemos um planejamento bem simples. Foi de longe, uma das festas mais prazerosas que já estive presente. Pude curtir os amigos e as crianças e todos se divertiram. Pude novamente perceber que menos não é mais, menos é melhor. Bem melhor.

Na capa de uma revista essa semana estava destacado: O lucrativo comércio das festas infantis. Eu fui ler a reportagem e qual foi minha surpresa em constatar que a reportagem não propunha uma reflexão crítica acerca do circo montado ao redor da criança, os valores materialistas que a criança vai construir em relação a vida... ao invés disso a reportagem falava apenas de como é lucrativo, de números de lucro, de crescimento de mercado. Um desperdício de matéria.

Mas se você também se preocupa em criar seres socialmente mais comprometidos e mais reflexivos acerca dos valores materialista da nossa sociedade de consumo, elenquei algumas dicas que tem feito muita diferença na nossa vida e na do nosso pequeno nesses dois anos quando se trata de aniversário:

Limite o número de pessoas - faça uma lista
Antes eu ficava um pouco receosa quando tinha muita gente de grupos diferentes nos aniversários. Eu acabava não conseguindo curtir ninguém direito. As conversas ficavam pela metade e eu tinha que me desdobrar em mil. Se o número de pessoas é grande, acaba que todo o resto aumenta muito também, e talvez a qualidade das relações durante a festa diminua. Nós fizemos uma lista e vimos que tinha grupos diferentes, adultos sem filho... Então tivemos a dura tarefa de selecionar apenas os amigos mais próximos, de um grupo particularmente próximo a nós e a nossa família. Nesse grupo tinha pessoas sem filhos, mas elas eram a minoria. As crianças que foram eram crianças que Cauã tinha mais contato e que possivelmente considera como amigos. Com família e amigos próximos chegamos a um número de 30 pessoas, incluindo as crianças.

Estabeleça quanto você pode gastar
Nós estabelecemos o gasto máximo de R$300. Independente do número de pessoas, só poderíamos gastar isso. Inclusive era uma possibilidade fazer com que cada um trouxesse um prato, para ajudar no compartilhar de lanche, mas acabamos gastando pouco nas lembrancinhas e decoração e sobrou o suficiente para a comida e bebida. Os avós ajudaram também, dando sucos e pagando a cama elástica, que foi R$120. Essa parte é muito importante. 

Estabeleça um tema e pense sobre a decoração - faça uma lista
Quando a gente chega na loja de festas, dá vontade de sair comprando tudo de lindo que tem, mas com um orçamento pré-definido e uma decoração mais ou menos pensada com um tema estabelecido, fica mais fácil manter os pés no chão. Eu sabia onde ia ser e mais ou menos o que queria. O tema foi animais. Eu fiz um croqui bem amador mesmo de como seria essa decoração, pedi pra uma amiga fazer uma parte da mesa (que é essa árvore maravilhosa). Os ursinhos eram todos de Cauã e de crianças da festa. É bom pensar também sobre o que fazer depois com essa decoração. A gente doou pra uma escola pública, junto com algumas brincadeiras que fizemos. Além disso, pensamos também sobre as lembrancinhas. Acabei esquecendo de tirar fotos das coisas de dentro... Mas antes de sair pra comprar as coisas, eu fiz um painel de inspirações, no power point mesmo, de fotos de festas que eu queria ter como inspiração. Ficou mais fácil visualizar o que eu queria pra festa com essa ferramenta.


As lembrancinhas
Nem toda festa tem lembrancinha. No primeiro ano de Cauã, nós demos mudas de espinafre, que ficaram um mimo! Mas esse ano eu estava meio sem tempo e comprei tudo pronto e misturei. Como eu não dou doces industrializados pra ele, eu não ia dar pras outras crianças também. Então coloquei uma cestinha, com uma mini tela, giz de cera, bolinha de sabão, um anel com luzes que assustadoramente fizeram o maior sucesso entre adultos e crianças e pipoca salgada de saquinho. As crianças mais velhas que estão acostumadas com bombas de açúcar e corante nas festas infantis ficaram um pouco decepcionadas, mas foi interessante ver os pais explicando que não tinha necessidade daquilo para ser legal. 


O cardápio
No primeiro ano de Cauã eu fiz absolutamente todas as comidas. Esse ano também, com adição de uma torta salgada que minha cunhada fez. No primeiro ano dele todas as comidas eram veganas,, e dessa vez só a torta salgada da tia, o brigadeiro e o doce de coco que não eram. Eu tive muita dificuldade em encontrar a tâmara dijon pra fazer o brigadeiro de copo sem açúcar da festa passada, então fiz brigadeiro mesmo. Foi a primeira vez que ele comeu brigadeiro, e é aterrorizador o que o açúcar faz com uma criança. O cardápio dessa festa foi: cachorro quente com salsicha de cenoura (os onívoros estanham bastante), mini sanduíche de hambúrguer de soja, bolo de cenoura com chocolate meio amargo, brigadeiro, doce de coco, bolo de cacau com linhaça com recheio e cobertura de chocolate meio amargo. Com exceção do bolo, todas as comidas foram cortadas e colocadas de modo que todos pudessem pegar quando quisessem.


As brincadeiras
É sempre bom também entreter a criançada e os adultos. Nessa festa eu pude contar com a ajuda de uma amiga e suas filhas pra fazerem uma oficina de desenhos e pintura e um teatro de animais. foi incrível. Além disso, nós alugamos uma cama elástica onde adultos e crianças pularam horrores. A maior parte da festa foi lá. Teve adulto que ficou a festa toda na cama elástica! Foi sucesso total e integrou muito adultos e crianças!
Além disso a gente colocou uma amarelinha com os tapetes de EVA que Cauã tinha, uma caixa com peças de encaixar e também um boliche, que ninguém brincou.
As brincadeiras objetivavam integrar as crianças e os adultos. Foi muito divertido!

Os presentes
No primeiro ano de Cauã, nós pedimos alimentos ao invés de presentes. Eu seleciono bem que tipo de material ele vai ter pra brincar e foco muito mais em qualidade do que quantidade. Pensávamos na inutilidade de uma imensidão de brinquedos que ele ganharia e o que faríamos com isso. Então decidimos por pedir doação de 1kg de alimentos, que depois doamos a algum lugar necessitado.

A festa é pra quem?
O bom mesmo é quando podemos estar a vontade e aproveitar a presença das crianças para estar em contato com as nossas crianças interiores. O que importa pra uma criança não é o cenário, o circo montado para que os adultos e elas estejam desempenhando papéis estabelecidos e aceitos socialmente. O que importa pra uma criança é brincar, estar com quem gosta e se sentir amada. Para uma festa acontecer não precisa de luz, câmera, brilho, fantasias. A imaginação tá dentro da gente. 

Nosso objetivo é passar para Cauã que na simplicidade é que encontramos a felicidade e a alegria de poder compartilhar uma boa prosa e uma gostosa companhia de pessoas que nos fazem bem, 

Nutrir um ao outro de amor, e só! 












quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Do apartamento pra um quarto - Dois cafés

Sua vida está ruim.  Talvez você nem perceba, mas todos os dias acorda de mau humor, fica desanimada rapidamente, reclama, se esconde no facebook, na TV, nas compras, nas festas. Na tentativa de fugir do que você mesma está tentando se mostrar. Você finge estar cega, surda. Adoece, tem dor de cabeça frequente. Está sempre cansada. Dorme demais ou de menos. Come demais ou de menos. Não sabe como respira. Como senta. Como come. O que come. O que sente. O que pensa. Simplesmente não sabe. Não saber parece mais fácil, e por um tempo pode até ser. Você pode até achar que está exercendo sua liberdade, mas na verdade está só cada vez mais presa às armadilhas da vida industrializada. O que o Alex Castro chama de prisões.

Eu vivi algumas dessas situações por algum tempo. Sem perceber. Às vezes a gente acha que a vida é isso mesmo. Afinal, tudo parece tão difícil e moroso. Mas em algum momento eu passei a me perceber. A me escutar, a me ver. A me interpretar. O corpo mandava sinais do que a mente pensava e o coração sentia. E eu, que me achava conectada comigo mesma, me vi tão distante. Numa vida tão distante do que eu gostaria. Cheias de mimimi comigo mesma. Mimimis que não me levaram a lugar nenhum. Até que...

Até que percebi que não precisava ser assim. Afinal, quem é dona da minha vida? Quem pode mudar e fazer acontecer? Se as coisas não estavam boas, mimimis é que não iam resolver. Sair da postura de vítima e ser ativa no processo contínuo da construção de mim mesma revolucionou minha vida. Primeiro foi a decisão difícil tomada conjuntamente: meu companheiro sair de um emprego de funcionário público federal que era em outra cidade e que implicava em viagens desgastantes emocionalmente para todos nós três. Isso implicou na mudança de casa.

De um apartamento de três quartos para um quarto no quintal da casa da sogra. Vender coisas, doar, jogar fora. Praticar o desapego de uma maneira nunca antes pensada. Lembrei dos amigos que fora pro Canadá sem levar quase nada, da amiga que mudou de cidade só com a roupa do corpo... Passei a entender melhor o minimalismo e as necessidades criadas. Entender quanto ao impacto qualitativo que isso tem na nossa vida. Já vi muitas pessoas dizerem que se sentiram livres vivendo só com o que consideravam o essencial, e que era muito pouco. E realmente pude perceber isso na prática. Uma coisa significativa foi a quantidade de roupas. Antes tínhamos um guarda-roupa de 3 portas + uma cômoda para acomodar roupa de cama, banho e vestuário dos três. E aí tivemos que nos adaptar para um guarda-roupa minúsculo de 3 portas pra tudo isso pros três. Foi incrível perceber como realmente dá pra viver com muito menos. Por exemplo: antes tinha muitas toalhas. Nem sei quantas. Agora a quantidade foi pensada. Somos 3, então precisamos de no mínimo 6 toalhas. Quando três estão lavando, 3 estão em uso. A mesma coisa para o jogo de cama. Só temos uma cama. Então temos: 3 lençóis de elástico + 6 fronhas + 4 lençóis (Cauã não usa lençol). E os sapatos? Eu reduzi os meus para: 1 havaiana + 1 sandália arrumadinha + 1 sapato fechado (eu não tenho necessidade de tênis). Nas roupas foi melhor ainda. Doamos muita, muita, muita coisa. O sentimento é incrível. Outra coisa foi material de artesanato. Eu tinha muitas coisas, mas acabei doando para amigas artesãs, porque nunca encontro o tempo para fazer os projetos e estava me tornando uma acumuladora. Ainda assim guardei muitos materiais porque tenho o apego emocional e a esperança de ainda fazer o projeto. Ainda não contei o número de peças no guarda roupa, mas devo fazer isso em breve.
Nunca tinha pensado sobre essas coisinhas. São coisas pequenas que ocupam espaços e criam demandas que levam nosso tempo. Com o minimalismo ficou mais fácil limpar, organizar e ver o que temos. E agora quando chego num ambiente cheio de coisas, fico me perguntando o que a pessoa levaria se tivesse que passar por algo assim.
Nós decidimos como queremos nossas vidas. E esse modelo posto não tá bom pra ninguém. Se o dia a dia estiver como na música da Tulipa Ruiz – Dois Cafés, está na hora de repensar e ressignificar a vida.

Tem que correr, correr
Tem que se adaptar
Tem tanta conta e não tem grana pra pagar
Tem tanta gente sem saber como é que vai
Priorizar
Se comportar
Ter que manter a vida mesmo sem ter um lugar
Daqui pra frente o tempo vai poder dizer
Se é na cidade que você tem que viver
Para inventar família, inventar um lar
Ter ou não ter
Ter ou não ter
Ter ou não ter
O tempo todo livre pra você
O banco, o asfalto, a moto, a britadeira
Fumaça de carro invade a casa inteira
Algum jeito leve você vai ter que dar
Sair pra algum canto, levar na brincadeira
Se enfia no mato, na cama, na geladeira
Ter algum motivo para se convencer
Que o tempo vai levar
Que o tempo pode te trazer
Que as coisas vão mudar
Que as coisas podem se mexer
Vai ter que se virar para ficar bem mais normal
Vai ter que se virar para fazer o que já é
Bem melhor, menos mal, menos mal
Mais normal
Tem que correr, correr
Tem que se adaptar
Tem tanta conta e não tem grana pra pagar
Tem tanta gente sem saber como é que vai
Priorizar
Se comportar
Ter que manter a vida mesmo sem ter um lugar
O banco, o asfalto, a moto, a britadeira
Fumaça de carro invade a casa inteira
Algum jeito leve você vai ter que dar
Sair pra algum canto, levar na brincadeira
Se enfia no mato, na cama, na geladeira
Ter algum motivo para se convencer
Que o tempo vai levar
Que o tempo pode te trazer
Que as coisas vão mudar
Que as coisas podem se mexer

Vai ter que se virar para ficar bem mais normal
Vai ter que se virar para fazer o que já é
Bem melhor, menos mal, menos mal
Mais normal

domingo, 7 de setembro de 2014

Maternagem Zen - Leo Babauta

Dando sequência à educação para a paz, à criação com apego, hoje trago a tradução de mais um texto do Leo Babauta: Pa/Maternagem Zen: como manter a paciência como pai/mãe.
Os textos dele são livres de direitos autorais.
Confira o original no site dele, o  ZenHabits

Que pai e mãe nunca perdeu as estribeiras quando uma criança se comporta de maneira diferente do que você espera? Um pai ou mãe que não tenha perdido sua paciência é uma criatura mítica, provavelmente montada em um unicórnio em algum arco íris agora mesmo.
Eu posso contar as vezes que perdi a paciência como pai nos dedos de uma mão – claro que essa mão precisaria ter infinitos dedos e eu precisaria de um tempo muito grande para contar eles.
Contudo, posso dizer uma coisa: eu sou um pai muito mais calmo nesses dias. Eu ainda fico com raiva de tempos em tempos (Sou humano), mas não é mais algo recorrente diariamente ou sequer semanalmente.
Qual o meu segredo? Muita prática de consciência.
Eu percebi isso: gritar e punir não funciona.
Deixe-me dizer mais uma vez: gritar e punir são métodos ineficazes na maternagem. Se eles funcionassem, todos nós seríamos pais brilhantes e as crianças iriam se comportar para sempre depois que gritássemos.
Mas eles não funcionam. Eu não preciso de estudos de educação para me dizer isso: eu posso ver com meus próprios filhos. (Leo tem 6 filhos) Claro, eu posso gritar com eles, e talvez eles se aquietem por medo se eles acham que eu levantarei uma mão. O que eu estarei ensinando a eles não é como se comportar bem, mas a terem medo de mim. E pior, estarei ensinando a eles que gritem quando estão bravos, a resolverem os conflitos com violência, ao invés de apenas conversar sobre as coisas e chegar a uma resolução pacífica.
Estarei ensinando que o que eu quero é mais importante do que o que eles querem e que estarei disposto a fazer coisas horríveis para conseguir o que eu quero a qualquer custo, até mesmo o custo de nosso relacionamento.
Essas não são coisas que eu quero ensinar às minhas crianças. Quero que elas saibam que nosso relacionamento é mais importante do que conseguir que se comportem de determinada maneira em determinada hora.
E sim, eu sei que crianças precisam de limites – Eu acredito em limites também. Eu os coloco e minhas crianças sabem que não é legal ultrapassa-los.
E sim, eu sei que eles precisam ser ensinados a como se comportarem adequadamente. Eu somente não acredito que gritando é a maneira de ensiná-los o comportamento adequado. Perder minha paciência e me comportar de maneira negativa não é a maneira de ensiná-los a agir quando eles perdem a paciência e se comportam de maneira negativa.
Dar o exemplo que estabelecemos para eles – como agir quando as coisas não saem da maneira que gostaríamos – é muito muito mais importante do que as regras que estabelecemos para eles. Eles aprendem lições sobre comportamento a partir de nosso exemplo ao longo do tempo.
Caminhe a caminhada. É por isso que eu me comprometi a ser consciente e pacífico como pai, mesmo que eu quebre esse juramento de tempos em tempos. Quando quebro esse compromisso, eu peço perdão e falo sobre como estava errado. Porque esse é meu exemplo de como se comportar depois que você se comportou de maneira negativa.
Então aqui vão algumas lições para ajudar você a manter a tranquilidade quando as coisas não saem como você gostaria:
1.      Não é sobre você. Nós pais tendemos a tomar os comportamentos negativos das crianças de maneira pessoal, como se eles estivessem fazendo um ataque pessoal a nós ou ao que nós acreditamos, uma ofensa pessoal. É por isso que ficamos bravos. A raiva não ajuda, mas vem emerge porque acreditamos que eles fizeram algo para nós. Eles não estão realmente tentando nada contra nós – elas são somente crianças, e elas não sabem como lidar com elas mesmas quando não conseguem o que querem ou quando ficam bravas por alguma razão. É sobre o que elas estão passando. Se nós removemos “nós” da equação, podemos ver mais objetivamente o que elas estão passando e como podemos ajudar.
2.      Seja o guia deles, não seu ditador. As crianças precisam aprender a como caminhar no mundo, porque nós pais não estaremos sempre lá para dizer como agir. E o melhor jeito de ensiná-las não é ditar a lei o tempo todo – se nós ditamos as ações delas eles nunca aprenderão a tomar decisões por elas mesmas. Nós devemos deixar que elas tomem suas decisão, com limites é claro, e guia-las quando necessitam de ajuda. Imagine ser Yoda (o mentor) ao invés de Darth Vader (o ditador barra pesada). Nota de ajuda: usar Star Wars para ensinar lições às crianças é ótimo.
3.      O que elas precisam? Quando as coisas não saem do jeito que gostariam, quando elas estão bravas, quando estão com medo... do que precisam? Você gritando ou ameaçando não é útil – coloque você mesmo nessa situação (e se imagine menor) e se pergunte se você gostaria de alguém gritando com você quando você está chateado. Como você reagiria se alguém maior e muito mais poderoso que você estivesse gritando e te ameaçando? Você não gostaria disso e iria apenas ressentir.  O que seria útil? Talvez carinho? Alguma conversa calma sobre o problema, examinando soluções. Um pouco de compaixão e empatia. E algumas palavras firmes ou algo que impeça que realmente possa machucar eles.
4.      Tire um tempo de descanso. Quando você está bravo, no momento, geralmente é melhor que você se afaste, respire e se acalme. Converse com eles quando você estiver de cabeça fria e que possa pensar as coisas mais claramente. Isso é bem difícil de fazer, porque nós pais tendemos a apenas mergulhar e resolver a situação no momento. Mas é difícil tomar boas decisões, falar calmamente, agir racionalmente quando estamos bravos. E isso é verdade pras crianças também.
5.      Se você ainda não perdeu sua paciência, suspenda a situação por um momento. Quando você perceber que está se estressando com uma situação ou começando a ficar bravo mas não completamente ainda... respire fundo. Pause. Suspenda o momento e olhe pra dentro de você e veja você estressado ou frustrado. Dê a você mesmo um momento de compaixão para essa frustração, que é perfeitamente normal e Ok. Acalme a dor, deseje a você mesmo felicidade e então respire fundo novamente. Se você puder, tente perceber que o sofrimento do seu filho é parecido com o seu e que precisa de compaixão também.
6.      Se comprometa a ser consciente com eles. Eu prometi às minhas crianças que eu seria um pai mais consciente e pedi que eles me observassem. Se eles me pegassem perdendo a paciência, eles colocariam um dólar em uma jarra para comprar sorvete com eles. Ajudou – eles ainda não chamaram minha atenção. Hahahaha – eles nunca mais comerão sorvete! Apenas brincando – nós ainda tomamos sorvete.
7.      Saiba que você errou. Espere ter dificuldades mas aprenda com elas. Perceba onde você errou. Seja consciente enquanto a dificuldade está acontecendo e perceba isso como um bom passo em direção a ser mais consciente e a ter mais compaixão como pai. Reveja suas ações e ao invés de se sentir mal, veja onde você pode melhorar e tenha um plano para a próxima vez que isso ocorrer. É importante planejar enquanto você está calmo, não decida como lidar com as coisas quando você está bravo. Vá ajustando o plano da próxima vez que as coisas saiam errado para que o plano fique cada vez melhor ao longo do tempo e também seu modo de ser um pai com mais compaixão.
O problema principal é que temos um ideal enquanto pais de como nossos filhos deveriam se comportar. Nós pensamos que eles deveriam ser crianças ideais, mas na realidade eles não são ideais, eles são reais. Eles tem falhas, como nós. Eles precisam de ajuda, cometem erros, ficam bravos, frustrados. Como nós também. Vamos descobrir como se comportar quando nós cometemos erros, ficamos bravos, nos sentimos chateados e mostrar às crianças como fazer isso através de nosso exemplo.


Aceite eles pelo que são, com falhas e tudo. Ame-os completamente, com abraços ao invés de gritos. Eu descobri que abraços são professores mais eficazes do que qualquer coisa na minha maleta de ferramentas de parentagem. 

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Minimalismo: menos é melhor

Lembra que postei um texto do Leo Babauta sobre minimalismo e publicidade? Hoje retomo esse assunto, que tem mudado a minha vida.

Tudo começou quando comecei a estudar sobre o método Montessori. Tudo o que eu lia dizia que era absolutamente essencial que estivéssemos atentos aos tipos de estímulos que dávamos às crianças. Isso através dos materiais que oferecemos, da decoração que colocamos, do que dizemos e fazemos na frente delas. E aí confesso que ficava um pouco incomodada com isso. Li textos muitos bons sobre a importância de ambientes “clean” (no sentido estético, além de higiênico, da palavra), mas o conceito não entrava no meu coração. Para mim, a ideia de um ambiente minimalista não era nada aconchegante. O que era aconchegante pra mim era algo assim:
Aí, um belo dia uma amiga muito querida anuncia sua mudança pro Canadá e diz que não pode levar nada. Confesso que fiquei congelada só de pensar na ideia de ter que ir pra um lugar e levar só uma mala. Ela tem uma filha de um ano e pouco. Tentei me colocar no lugar dela algumas vezes... e fui ficando bastante incomodada. Sentei no sofá (que era da casa dela, inclusive) da minha casa e fiquei parada, pensando. O que tinha ali que eu daria? O que tinha na minha casa que era realmente essencial? Se eu precisasse mudar pro Canadá, o que eu levaria?

E comecei a me descongelar. Comecei a me ceder pro desapego e me despir do medo. Comecei a perceber que aquilo era muito coerente com viver conscientemente.

Aí fui fazer minha leitura do ZenHabits, que sempre me revigora, e PÁ, um texto sobre minimalismo. Sabe, o Leo, autor desse blog, tem SEIS filhos. Eu juro que inicialmente, pra não sair da minha zona de conforto, pensei, ah! Mas eu tenho criança... não dá pra ser minimalista com criança.

Mas dá. Se com seis crianças dá, imagina com uma.

Comecei a perceber como era absurdamente presente na minha vida coisas sem uso e como aquilo atrasava minha vida. E comecei a me aterrorizar diante da ideia de passar esses valores pro Cauã. Coisas que nem eu mesma percebia! Então, conversei com o companheiro (que já era minimalista na essência) e ele topou. O desafio maior seria (e ainda é) pra mim, eu sabia.

Comecei cômodo por cômodo. Tem cerca de 4 meses que estou nesse processo. Já tirei mais de 10 sacos enormes de coisas pra doar e de lixo. E a coisa começou a me dar gosto. Sabe, parar em um ambiente e ficar refletindo sobre as coisas que tem nele e ver o que realmente tem uso pra se desapegar é uma atividade para lá de terapêutica. Já chorei bastante, me apeguei e desapeguei, desapeguei e apeguei de novo(mas já tinha dado e tive que desapegar). Vendemos alguns móveis, completamente inúteis ou acumuladores de coisas desnecessárias. E então percebi uma coisa maravilhosa.

Percebi que com menos, se tem muito mais. Muito mais tempo, mais espaço, mais liberdade. Fica muito mais fácil de manter as coisas organizadas, limpas. Poxa, que merda de necessidades criadas que eu tinha (e ainda tenho) e não sabia! Confesso que hoje, se tivesse que mudar pro Canadá sem nada, seria algo muito menos doloroso do que quatro meses atrás.

O Minimalismo não é se livrar de tudo. Não tem regras, na verdade. Trata-se apenas de avaliarmos o que realmente é essencial em nossas vidas, e se livrar do resto. Para mim foi mais uma forma de viver ativamente, refletindo sobre as coisas da minha casa, as coisas que compro (realmente preciso delas?). Praticar o desapego. Está muito relacionado com outros movimentos de viver conscientemente como o yoga, o veganismo e o movimento pela humanização do parto.

E lembro do que li no blog daSandra (recomendo fortemente) sobre ser como a tartaruga. Li aquilo e achei tão bonito. Ela é de Natal mas já morou em diversos lugares no exterior. Continua morando por lá. Perguntaram pra ela se não era muito difícil viver assim, longe da família e tal. Ela disse que ela é como a tartaruga, a casa dela vai com ela pra onde ela for. Entendi essa casa não como as coisas materiais, mas os sentimentos e memórias que ela leva sempre, independentemente de onde estiver.

Um desafio ser como as tartarugas...

E se você quer saber rapidamente mais sobre Minimalismo, dá uma olhada nesse vídeo aqui (em inglês com legenda em espanhol), é muito bom para refletir: