Se tem uma coisa que as crianças em torno dos três anos tem amado é tudo relacionado ao tema de dinossauros. Na escola do Cauã eles estão desenvolvendo um projeto bastante interessante sobre
os dinossauros e domingo ele ganhou do avô um brinquedo que deixou todo mundo da casa entretido
por cerca de uma hora contínua (loosho aqui)!
É um kit de arqueologia de dinossauro. É um molde de gesso que tem ossos de dinossauro dentro e que vem com um kit pra você ir quebrando o gesso e encontrando as peças. Depois é só montar tudo e aí tem o dinossauro.
Obviamente que você não precisa comprar um kit desses pra brincar disso. Esse brinquedo me deu mil ideias de outras atividades pra fazer com Cauã! Por exemplo, pode-se brincar disso no parquinho.
Se você não tem as peças em plástico, não tem problema. Dá pra imprimir e recortar e fazer uma colagem depois em papel cartão e montar como um quebra-cabeça!
Aqui tem uns moldes que separei do google nesse link.
Nessa atividade trabalha-se: concentração, coordenação motora fina e integração sensorial
Divirtam-se!
Mostrando postagens com marcador educação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador educação. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 21 de setembro de 2015
domingo, 13 de setembro de 2015
Antes de falar, pense duas vezes.
“Cuidado
viu, a cunhada da prima do vizinho do meu namorado morreu no parto normal. O
filho da amiga da tia do meu professor ficou com problema por causa disso.”
Ah!
As entidades fantasmagóricas que assombram o inconsciente coletivo e que
parecem cutucar as pessoas quando vêem uma mulher grávida para contar toda e
qualquer história milaborante cheia de carga negativa para carregar ainda mais
a mente e o coração daquelas que geram uma nova vida que chegará ao nosso
planeta.
O
ato de estar grávida parece ser bastante social quando o bebê está na barriga e
quando está nos braços da mãe. Mas infelizmente caminhamos para um ato social
que é individualista, porque ele parece ser somente um mundo de pitacos e
histórias de caráter duvidoso ao invés de ser um portal de acolhimento da mãe e
do bebê.
Estar
grávida para algumas pode ser uma dádiva, para outras um fardo. A grávida conta
já com uma série de novidades no seu corpo, mente e espírito. Anseios, medos, expectativas,
mudanças bruscas permeiam o resto da vida da mulher que se torna mãe. Pode
parecer que não, mas a maternidade pode ser um tanto isoladora. Primeiramente
porque esse papel social dos indivíduos que contam histórias mirabolantes, ou
que acariciam a barriga sem pedir permissão, termina ali. Quando a mãe precisa
de apoio depois do nascimento, por exemplo, essa função social morre. É um ser
social individualista e egoísta. Onde ele faz algo sem cogitar o que a grávida
sente ou pensa a respeito, portanto, deslegitimando a mulher e o bebê. Mas isso
vai muito além.
Quando
você fala algo ruim, seja contando uma história seja compartilhando histórias
negativas sobre qualquer que seja o assunto, você está jogando uma carga
negativa no ser que chega. Já pensou sobre isso? A gestante lê ou ouve algo
desagradável e seu corpo biologicamente irá responder, e a sensação que ela
tiver o bebê irá sentir. Já bastam as tristezas inerentes à existência, né?
Na
minha primeira gravidez, tive que rebater inúmeras vezes comentários
desnecessários sendo até mesmo grossa para que as pessoas compreendessem o
limite que eu estava colocando. Na segunda gestação, ainda colhi alguns desses
frutos, principalmente de pessoas mais próximas que compreenderam os limites
que eu já impunha. Mas qualquer grávida/mãe sabe como, por exemplo, se sai uma
reportagem negativa sobre parto, imediatamente algumas muitas pessoas
compartilham com essa mulher. Já se saem reportagens positivas, ou não
compartilham ou um número significativamente menor de pessoas o fará.
Por
isso hoje, eu convido você a assumir a responsabilidade enquanto ser Humano no
planeta Terra. Uau! Parece um pouco demais? Não.
Bem
simples: quando você tiver contato com uma gestante simplesmente conte
histórias positivas, fale sobre coisas legais. Já basta o patriarcado e o
machismo cotidiano para oprimir as mulheres. Leve mensagens de apoio,, procure
escutar o que ela tem a dizer e respeite. Respeito mútuo é algo básico para
termos relações saudáveis, não é mesmo?
Então, vamos encher esse bebê de coisas
positivas. Pra que ele saiba que a vida aqui fora vale a pena e pode sim ser
muito bonita.
Em
alguns lugares, as gestantes ficam recolhidas no período da gestação, por
considerarem esse período sagrado e por isso muito importante utilizar um
filtro para a energia que chega à mãe e ao bebê. No Brasil já existem locais
que os casais vão durante esse período até um pouco após o parto para viverem a
plenitude do momento sem as influências negativas que conviver em sociedade
pode proporcionar.
A
mesma dica fica para as pessoas que conhecem mães. As mães dão o melhor que
podem. Se quiserem ajuda ou sugestão, vão pedir. Portanto, nada de encher de
carga negativa ou de pitacos (que podem ser mau recebidos) mães e pais, ok?
Vamos criar uma rede de apoio consciente de seu papel e apoiadora de verdade
das mães e pais.
Vamos
ensinar a todos que nos rodeiam sobre a importância do bem dizer?
Participe
compartilhando notícias ou coisas bonitas para gestantes e mães do seu círculo
social use a #falarconsciente
domingo, 24 de maio de 2015
Questão de gênero
Eu
já achava que estava grávida de uma menina. Não sabia muito bem a razão, mas a
minha intuição dizia. Enfim, quando realmente confirmamos que era uma menina,
nossa Cecília, todo um mundo de laços, fitas e flores veio na minha mente. Mas
logo achamos esquisita a nossa reação diante da notícia. Afinal, não sabíamos
se ela se consideraria mulher. Porque pela concepção de gênero que temos e que
defendemos, este não é baseado em órgão sexual, ou seja, o gênero vai se
configurando a partir de uma série de comportamentos aprendidos, modos de
pensar, se portar, se vestir, de desejar que culturalmente são postos, ou
impostos. Desta maneira, ter pênis ou vagina, para nós, não configura fato
determinante dos modos como essas coisas vão ser aprendidas e internalizadas nas
performances de vida de nossxs pequenxs. E ali tínhamos visto uma vagina e já
concebido que teríamos uma menina! Isso criou um nó danado na gente.
Temos
um menino, com o qual não levantamos todas essas questões. Olha que coisa
doida! Machismo em nossas entranhas. Confesso que quando soube que era menina
fiquei imensamente feliz, pensei o tanto de coisas que poderíamos fazer juntas,
como por exemplo, fazer as unhas, coisa que eu sempre adorei fazer com a minha
mãe e que há anos não sei muito bem o que é. Começamos a ganhar milhões de
coisas rosa. E eu não gosto de rosa. Nunca gostei... acho uma cor tão sem
graça, principalmente pra roupa. E em todos os lugares que eu ia me perguntavam
se era menino ou menina, e aí eu se eu queria levar o pijama de dinossauro “ah,
mas pra menina é esse aqui”.... Essa concepção social do que é ser menina e menino
é tão limitante.
E
a gente fica aqui na torcida para que ela, como a gente, continue lutando pela
igualdade entre os gêneros, pelo respeito coletivo e pela emancipação feminina.
Que sofra menos violências cotidianas do que as ancestrais dela sofreram.
Que
seja uma semeadora de luz e que respeite as pessoas independentemente do que elas
têm entre as pernas.
obs.: meu companheiro deu uma entrevista recentemente para a CBN sobre machismo na educação dos filhos. Quem quiser pode conferir a entrevista a partir dos 37 minutos neste link.
domingo, 7 de setembro de 2014
Maternagem Zen - Leo Babauta
Dando sequência à educação para a paz, à criação com apego, hoje trago a tradução de mais um texto do Leo Babauta: Pa/Maternagem Zen: como manter a paciência como pai/mãe.
Os textos dele são livres de direitos autorais.
Confira o original no site dele, o ZenHabits
Os textos dele são livres de direitos autorais.
Confira o original no site dele, o ZenHabits
Que pai e mãe nunca perdeu as estribeiras quando uma criança se comporta
de maneira diferente do que você espera? Um pai ou mãe que não tenha perdido
sua paciência é uma criatura mítica, provavelmente montada em um unicórnio em
algum arco íris agora mesmo.
Eu posso contar as vezes que perdi a paciência como pai nos dedos de uma
mão – claro que essa mão precisaria ter infinitos dedos e eu precisaria de um
tempo muito grande para contar eles.
Contudo, posso dizer uma coisa: eu sou um pai muito mais calmo nesses
dias. Eu ainda fico com raiva de tempos em tempos (Sou humano), mas não é mais
algo recorrente diariamente ou sequer semanalmente.
Qual o meu segredo? Muita prática de consciência.
Eu percebi isso: gritar e punir não funciona.
Deixe-me dizer mais uma vez: gritar e punir são métodos ineficazes na maternagem.
Se eles funcionassem, todos nós seríamos pais brilhantes e as crianças iriam se
comportar para sempre depois que gritássemos.
Mas eles não funcionam. Eu não preciso de estudos de educação para me
dizer isso: eu posso ver com meus próprios filhos. (Leo tem 6 filhos) Claro, eu posso gritar com eles, e talvez eles
se aquietem por medo se eles acham que eu levantarei uma mão. O que eu estarei
ensinando a eles não é como se comportar bem, mas a terem medo de mim. E pior,
estarei ensinando a eles que gritem quando estão bravos, a resolverem os
conflitos com violência, ao invés de apenas conversar sobre as coisas e chegar
a uma resolução pacífica.
Estarei ensinando que o que eu quero é mais importante do que o que eles
querem e que estarei disposto a fazer coisas horríveis para conseguir o que eu
quero a qualquer custo, até mesmo o custo de nosso relacionamento.
Essas não são coisas que eu quero ensinar às minhas crianças. Quero que
elas saibam que nosso relacionamento é mais importante do que conseguir que se
comportem de determinada maneira em determinada hora.
E sim, eu sei que crianças precisam de limites – Eu acredito em limites
também. Eu os coloco e minhas crianças sabem que não é legal ultrapassa-los.
E sim, eu sei que eles precisam ser ensinados a como se comportarem
adequadamente. Eu somente não acredito que gritando é a maneira de ensiná-los o
comportamento adequado. Perder minha paciência e me comportar de maneira
negativa não é a maneira de ensiná-los a agir quando eles perdem a paciência e
se comportam de maneira negativa.
Dar o exemplo que estabelecemos para eles – como agir quando as coisas não
saem da maneira que gostaríamos – é muito muito mais importante do que as
regras que estabelecemos para eles. Eles aprendem lições sobre comportamento a
partir de nosso exemplo ao longo do tempo.
Caminhe a caminhada. É por isso que eu me comprometi a ser consciente e
pacífico como pai, mesmo que eu quebre esse juramento de tempos em tempos.
Quando quebro esse compromisso, eu peço perdão e falo sobre como estava errado.
Porque esse é meu exemplo de como se comportar depois que você se comportou de
maneira negativa.
Então aqui vão algumas lições para ajudar você a manter a tranquilidade
quando as coisas não saem como você gostaria:
1.
Não é sobre você. Nós pais tendemos
a tomar os comportamentos negativos das crianças de maneira pessoal, como se
eles estivessem fazendo um ataque pessoal a nós ou ao que nós acreditamos, uma
ofensa pessoal. É por isso que ficamos bravos. A raiva não ajuda, mas vem emerge
porque acreditamos que eles fizeram algo para nós. Eles não estão realmente
tentando nada contra nós – elas são somente crianças, e elas não sabem como
lidar com elas mesmas quando não conseguem o que querem ou quando ficam bravas
por alguma razão. É sobre o que elas estão passando. Se nós removemos “nós” da
equação, podemos ver mais objetivamente o que elas estão passando e como
podemos ajudar.
2. Seja o guia deles, não seu ditador. As crianças
precisam aprender a como caminhar no mundo, porque nós pais não estaremos
sempre lá para dizer como agir. E o melhor jeito de ensiná-las não é ditar a
lei o tempo todo – se nós ditamos as ações delas eles nunca aprenderão a tomar
decisões por elas mesmas. Nós devemos deixar que elas tomem suas decisão, com
limites é claro, e guia-las quando necessitam de ajuda. Imagine ser Yoda (o
mentor) ao invés de Darth Vader (o ditador barra pesada). Nota de ajuda: usar
Star Wars para ensinar lições às crianças é ótimo.
3.
O que elas
precisam? Quando as coisas não saem do jeito que gostariam, quando elas estão
bravas, quando estão com medo... do que precisam? Você gritando ou ameaçando
não é útil – coloque você mesmo nessa situação (e se imagine menor) e se
pergunte se você gostaria de alguém gritando com você quando você está
chateado. Como você reagiria se alguém maior e muito mais poderoso que você
estivesse gritando e te ameaçando? Você não gostaria disso e iria apenas
ressentir. O que seria útil? Talvez carinho? Alguma conversa calma sobre o
problema, examinando soluções. Um pouco de compaixão e empatia. E algumas
palavras firmes ou algo que impeça que realmente possa machucar eles.
4. Tire um tempo de descanso. Quando você está
bravo, no momento, geralmente é melhor que você se afaste, respire e se acalme.
Converse com eles quando você estiver de cabeça fria e que possa pensar as
coisas mais claramente. Isso é bem difícil de fazer, porque nós pais tendemos a
apenas mergulhar e resolver a situação no momento. Mas é difícil tomar boas
decisões, falar calmamente, agir racionalmente quando estamos bravos. E isso é
verdade pras crianças também.
5. Se você ainda não perdeu sua paciência, suspenda a
situação por um momento. Quando você perceber que está se estressando com uma situação ou
começando a ficar bravo mas não completamente ainda... respire fundo. Pause. Suspenda o momento e olhe pra dentro de você e veja você estressado ou
frustrado. Dê a você mesmo um momento de compaixão para essa frustração, que é
perfeitamente normal e Ok. Acalme a dor, deseje a você mesmo felicidade e então
respire fundo novamente. Se você puder, tente perceber que o sofrimento do seu
filho é parecido com o seu e que precisa de compaixão também.
6.
Se comprometa a ser
consciente com eles. Eu prometi às minhas crianças que eu seria um pai mais consciente e
pedi que eles me observassem. Se eles me pegassem perdendo a paciência, eles
colocariam um dólar em uma jarra para comprar sorvete com eles. Ajudou – eles ainda
não chamaram minha atenção. Hahahaha – eles nunca mais comerão sorvete! Apenas
brincando – nós ainda tomamos sorvete.
7. Saiba que
você errou. Espere ter
dificuldades mas aprenda com elas. Perceba onde você errou. Seja consciente enquanto
a dificuldade está acontecendo e perceba isso como um bom passo em direção a
ser mais consciente e a ter mais compaixão como pai.
Reveja suas ações e ao invés de se sentir mal, veja onde você pode melhorar e
tenha um plano para a próxima vez que isso ocorrer. É importante planejar
enquanto você está calmo, não decida como lidar com as coisas quando você está
bravo. Vá ajustando o plano da próxima vez que as coisas saiam errado para que
o plano fique cada vez melhor ao longo do tempo e também seu modo de ser um pai
com mais compaixão.
O problema principal é que temos um ideal enquanto pais de como nossos
filhos deveriam se comportar. Nós pensamos que eles deveriam ser crianças
ideais, mas na realidade eles não são ideais, eles são reais. Eles tem falhas,
como nós. Eles precisam de ajuda, cometem erros, ficam bravos, frustrados. Como
nós também. Vamos descobrir como se comportar quando nós cometemos erros,
ficamos bravos, nos sentimos chateados e mostrar às crianças como fazer isso
através de nosso exemplo.
Aceite eles pelo que são, com falhas e tudo. Ame-os completamente, com
abraços ao invés de gritos. Eu descobri que abraços são professores mais
eficazes do que qualquer coisa na minha maleta de ferramentas de parentagem.
domingo, 16 de março de 2014
O menino que queria pintar as unhas
Azul com
purpurina prata. Assim estavam pintadas as unhas da tia preferida
dele. Ele achou o máximo, pegou a mão, o dedo, a unha, olhou de
perto. Mexeu pra um lado e mexeu pro outro. Viu a mudança de
luminosidade no brilho quando se movia. Fazia isso levemente,
sorrindo e falando. Pegou o esmalte, pediu pra pintar também. O pai
pintou uma unha. Ele foi mostrar. Mostrou pro cachorro, pro gato, pra
mãe, pra avó. Voltou, pediu pra pintar mais. O pai pintou a outra
unha. De rosa. Ele achou o máximo. Mostrou pra todo mundo! Sorrindo!
Quanta alegria! Então uma tia disse algo que repreendia pintar a
unha de um menino. Ninguém deu muita bola. Eu fiquei refletindo. Que
coisa esquisita. Brincadeira legal daquela, todo mundo se divertindo!
Claro que entendi o preconceito de gênero, essa coisa incrustada na
nossa sociedade: o machismo. Que pena danada, pensou, quando vejo que
a grande maioria de nós humanos ainda vive como se ter pênis ou
vagina que definisse se somos homens ou mulheres. Se gostamos de
homens ou mulheres. Isso porque passamos a imensa maior parte do
tempo cobrindo nossos órgãos sexuais. Já pensou? Se fosse só
isso, na verdade só saberíamos se todo mundo andasse nu. Mas não
andamos. Cauã adora colocar minhas tiaras. E ele usa. Eu uso. O pai
já usou. Ele adora brincar de bola. Eu brinco, o pai também. E não
é isso nem aquilo que vai fazer dele menino ou menina. Não estamos
preocupados com isso. Ainda não consegui me desvencilhar de outras
concepções incrustadas dessa porcaria de concepção de gênero,
como a escolha de roupas. Mas vamos caminhando. Por enquanto ele
parece confortável usando as roupas que usa. Mas se um dia ele não
sentir, procurarei auxiliá-lo a encontrar as que lhe parecem mais
confortáveis. Esperamos propiciar pra ele uma plenitude de infância
com aprendizados de todas as brincadeiras legais e divertidas. No fim
o que importa é que ele esteja feliz e se sinta amado. E nisso a
gente se empenha!
terça-feira, 4 de março de 2014
Veganismo e humanização do parto: vivendo de maneira consciente
Um colega me mostrou um
texto muito bom da maravilhosa Laura Gutman, que me instigou a
escrever esse texto. Já faz algum tempo que consigo perceber uma
relação entre os movimentos do veganismo, da humanização do parto
e do feminismo. Os três lutam pela libertação e os três buscam
através da informação um mundo mais igualitário e mais
consciente. No veganismo acontece a alimentação consciente. Foi o
que aconteceu comigo. Fui me informando e cada vez mais que sabia o
que acontecia aos animais e como funcionava a indústria alimentícia de produção em massa e naturalmente passei a mudar minha alimentação e meu modo de vida. Tomei consciência e não tinha como ter um modo de vida incoerente com o que passei a saber. Na humanização
do parto acontece o parto consciente. Luta-se pelo respeito ao
protagonismo feminino, pela prática baseada em evidências
científicas e pelos direitos reprodutivos femininos. O que já dá o
link pro feminismo. No feminismo acontece a igualdade de ser Humano
por ser Humano, não pelo que você carrega (ou não) entre as
pernas. Os três temas abraçam minorias. Deixarei para um próximo texto o aprofundamento na questão
do feminismo com os dois outros movimentos. Hoje quero falar
especificamente sobre viver de maneira ativa e consciente.
Nesse final de semana
de carnaval encontrei uma conhecida, que não sabia que estava
grávida. Parabenizei e fomos conversando até que chegou no tópico
parto. Ela disse algo que deu a entender que parto normal era algo
muito assustador.
Perguntei: você já
sabe como quer que ele venha ao mundo?
Ela disse: acho que não
quero parto normal.
Eu: Por quê?
Ela: Porque é muito
sofrimento.
Eu: Será que é mesmo?
Tem mulheres que tem orgasmo durante o parto! Imagina aí se não é
possível ter um parto com prazer!
Ela, meio com vergonha, disse: Eu tenho muito medo.
A mãe então se mete
no meio da conversa e diz: Ela é muito medrosa! Até parece que vai
encarar um parto normal.
Aí eu disse: Você tem
medo de que? Olha, com uma equipe bacana, você pode buscar lidar com
esse sentimento e parir de maneira fortificadora.
A conversa seguiu e a
gestante pegou meu telefone para procurar um grupo de apoio na cidade
em que mora. Mas bem, o que quero focar aqui é que já tive esse
tipo de conversa inúmeras vezes e em todas elas o que me deixa
triste é o fato dessas mulheres estarem tão desconectadas delas
mesmas. O parto pode ser um ritual transformador, com o encontro e o
enfrentamento de questões emocionais que nos tornarão mais fortes.
A maneira como lidamos com o nascimento diz muito da maneira que
lidamos com a vida. Distante, desconectada, passiva. A vida gira no
automático, o tempo passa passa passa e nada se cria, nada se faz
para mudar o que nos incomoda. Poxa! Que desperdício! Gosto de
pensar que é uma questão de tempo. Que uma hora tomar as rédeas de
nossas vidas e assumir posicionamentos coerentes em todos os aspectos
dela não vai ser uma possibilidade e sim uma necessidade para
transformar o planeta. Se esconder no medo, na insegurança, na zona
de conforto não vai ser suficiente para um número cada vez maior de pessoas.
Quando soube o que se encontrava nos alimentos que ingeria, se fez
necessário mudar todo um estilo de vida. Não dá pra passar de
olhos fechados diante de tanta crueldade, de tanta violência, de
tanta falta de amor. Com a natureza, com os animais, com as mulheres,
homens e com tudo. E assim é também com o nascimento. Não dá pra
continuar recebendo seres novos com tamanha brutalidade que é para o
bebê e para a mãe a cirurgia cesariana (salvo os casos com
indicação real) ou um parto vaginal carregado de violência obstétrica. Não dá pra tantas mulheres continuarem perdendo
o contato com si mesmas e se enfraquecendo alimentando uma forma de
viver, gestar e nascer que não é coerente com a nossa natureza, com
o nosso ser - a plenitude da existência.
Eu recebi Cauã na minha vida de uma maneira que nunca pensei, e passei por situações que eu não desejo pra ninguém durante o nascimento dele. Mas dessas situações ruins, eu procuro tirar algo bom, e isso tem me fortalecido. Ele chegou trazendo mais emergência ainda de viver de maneira consciente, ativa e coerente. Ele chegou trazendo mais força pra mim e pra nossa família de uma maneira arrebatadora. E às vezes não é fácil, dá um trabalhão... a luta, a vida, a birra... mas no fim sempre vale a pena.
Eu recebi Cauã na minha vida de uma maneira que nunca pensei, e passei por situações que eu não desejo pra ninguém durante o nascimento dele. Mas dessas situações ruins, eu procuro tirar algo bom, e isso tem me fortalecido. Ele chegou trazendo mais emergência ainda de viver de maneira consciente, ativa e coerente. Ele chegou trazendo mais força pra mim e pra nossa família de uma maneira arrebatadora. E às vezes não é fácil, dá um trabalhão... a luta, a vida, a birra... mas no fim sempre vale a pena.
E por isso as lutas se
fazem tão essenciais nessa vida. Não dá pra passar por esse
planeta sem ter feito nada pra tornar aqui um lugar melhor para todos do presente e do futuro.
Isso me move. O que move você?
Dá uma lida também:
Galactolatria – Mau
deleite
Política Sexual da
carne
O Renascimento do Parto
Cientificação do amor
O Camponês e a
parteira
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
A violência nossa de cada dia
Situação 1) O pai pergunta pro filho se ele quer tomar um murro na boca em frente a uma atendente em uma padaria
Situação 2) Uma médica obstetra manda a parturiente em trabalho de parto pegar as coisas e ir embora ao ser questionada sobre os procedimentos que iriam fazer e diz que quem sabe mais é ela, que é médica
Situação 3) Uma pessoa discute com a outra, xingando e dando dedo pela janela do carro, porque a outra entrou na faixa sem dar a seta
Situação 4) Uma mãe dirige palavras de maneira hostil ao filho, todos os dias.
Essas são algumas situações vivenciadas por mim nessas duas últimas semanas. Poucas coisas ruins me deixam realmente perplexas como a violência deixa. Já faz algum tempo que eu estava bem triste por testemunhar tantas coisas em tão pouco tempo. Fiquei pensando se elas estiveram sempre ali e eu não as via. Fico bem incomodada quando testemunho violências assim e depois conversas de como a sociedade está violenta e mimimi. Desde quando nos desconectamos do todo? Não fazemos parte desse lugar violento não? E o que temos feito para melhorar a situação? O fato de algumas violências serem tão legitimadas deixa o quadro um pouco mais complexo. Algumas violências simplesmente não são vistas como violência. E não é só por uma pessoa, mas por várias. Veja só, imagina que você acordou de mau humor e se comunica de maneira grosseira com as pessoas. Isso é uma violência. Não só com quem escuta, mas com quem fala também. Se a gente pensar energicamente, o fato de xingarmos alguém no trânsito, por exemplo, joga para o universo uma energia densa e ruim, que provavelmente encontrará força em outras energias da mesma afinidade e que provavelmente resultará em um acontecimento ruim. Quando você grita comigo, a energia não é legal. Quando você me bate, a energia não é legal.
Depois de ser mãe eu passei a entender melhor o porquê de educar sem violência ser tão fundamental. Faz todo sentido. Eu nunca gostei quando gritavam ou me batiam. Me calava porque era o jeito. Obedecia porque era o jeito. Muitas vezes o que consideravam respeito, era medo. Realmente parece que quando estamos cansados, estressados e desconectados de nós mesmos e do todo, o primeiro ímpeto para uma ação indesejada de nosso filho (ou de quem quer que seja) é o de usar a violência, seja gritando, ameaçando, ignorando, batendo. É um lado feio, mas é um lado que faz parte da gente. A jornada da vida não é fácil, e depois que somos pais e decidimos por uma pa/maternidade ativas, conhecer e refletir sobre os processos do desenvolvimento infantil e sobre o nosso próprio crescimento, produz situações de crescimento coletivo muito mais prazerosas. Viver de maneira consciente e coerente é essencial para mudar o mundo para melhor. Se estamos sendo agressivos com nosso filhos, é hora de olhar para dentro, pois aquela "danação" pode não ter a dimensão que damos a ela ou mesmo pode ser um sintoma de que algo na comunicação não vai bem. Por que essa situação me estressa? O que ele quer me dizer com isso? É preciso ir além. Laura Gutman, diz que a maternidade é o encontro com a própria sombra. Ao invés de fugir dela, vamos abraçá-la e procurar compreendê-la para que não depositemos pedras nas costas de nossos filhos que na verdade são nossas. Uma infância sem violência gerará seres mais comprometidos com o amor e a paz no nosso planeta. Assim não faz mais sentido? Se quer amor, plante amor. Em todos os lugares com todas as pessoas. É um exercício diário!
Só poderia encerrar com um pedido:
para ler:
Comunicação não violenta - Marshall Rosemberg
Assinar:
Postagens (Atom)

