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segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Brincando de escavar fósseis de dinossauros!

Se tem uma coisa que as crianças em torno dos três anos tem amado é tudo relacionado ao tema de dinossauros. Na escola do Cauã eles estão desenvolvendo um projeto bastante interessante sobre
os dinossauros e domingo ele ganhou do avô um brinquedo que deixou todo mundo da casa entretido
por cerca de uma hora contínua (loosho aqui)!

É um kit de arqueologia de dinossauro. É um molde de gesso que tem ossos de dinossauro dentro e que vem com um kit pra você ir quebrando o gesso e encontrando as peças. Depois é só montar tudo e aí tem o dinossauro.

Obviamente que você não precisa comprar um kit desses pra brincar disso. Esse brinquedo me deu mil ideias de outras atividades pra fazer com Cauã! Por exemplo, pode-se brincar disso no parquinho.
Se você não tem as peças em plástico, não tem problema. Dá pra imprimir e recortar e fazer uma colagem depois em papel cartão e montar como um quebra-cabeça!

Aqui tem uns moldes que separei do google nesse link.

Nessa atividade trabalha-se: concentração, coordenação motora fina e integração sensorial

Divirtam-se!

domingo, 13 de setembro de 2015

Antes de falar, pense duas vezes.

“Cuidado viu, a cunhada da prima do vizinho do meu namorado morreu no parto normal. O filho da amiga da tia do meu professor ficou com problema por causa disso.”

Ah! As entidades fantasmagóricas que assombram o inconsciente coletivo e que parecem cutucar as pessoas quando vêem uma mulher grávida para contar toda e qualquer história milaborante cheia de carga negativa para carregar ainda mais a mente e o coração daquelas que geram uma nova vida que chegará ao nosso planeta.

O ato de estar grávida parece ser bastante social quando o bebê está na barriga e quando está nos braços da mãe. Mas infelizmente caminhamos para um ato social que é individualista, porque ele parece ser somente um mundo de pitacos e histórias de caráter duvidoso ao invés de ser um portal de acolhimento da mãe e do bebê.

Estar grávida para algumas pode ser uma dádiva, para outras um fardo. A grávida conta já com uma série de novidades no seu corpo, mente e espírito. Anseios, medos, expectativas, mudanças bruscas permeiam o resto da vida da mulher que se torna mãe. Pode parecer que não, mas a maternidade pode ser um tanto isoladora. Primeiramente porque esse papel social dos indivíduos que contam histórias mirabolantes, ou que acariciam a barriga sem pedir permissão, termina ali. Quando a mãe precisa de apoio depois do nascimento, por exemplo, essa função social morre. É um ser social individualista e egoísta. Onde ele faz algo sem cogitar o que a grávida sente ou pensa a respeito, portanto, deslegitimando a mulher e o bebê. Mas isso vai muito além.

Quando você fala algo ruim, seja contando uma história seja compartilhando histórias negativas sobre qualquer que seja o assunto, você está jogando uma carga negativa no ser que chega. Já pensou sobre isso? A gestante lê ou ouve algo desagradável e seu corpo biologicamente irá responder, e a sensação que ela tiver o bebê irá sentir. Já bastam as tristezas inerentes à existência, né?

Na minha primeira gravidez, tive que rebater inúmeras vezes comentários desnecessários sendo até mesmo grossa para que as pessoas compreendessem o limite que eu estava colocando. Na segunda gestação, ainda colhi alguns desses frutos, principalmente de pessoas mais próximas que compreenderam os limites que eu já impunha. Mas qualquer grávida/mãe sabe como, por exemplo, se sai uma reportagem negativa sobre parto, imediatamente algumas muitas pessoas compartilham com essa mulher. Já se saem reportagens positivas, ou não compartilham ou um número significativamente menor de pessoas o fará.

Por isso hoje, eu convido você a assumir a responsabilidade enquanto ser Humano no planeta Terra. Uau! Parece um pouco demais? Não.

Bem simples: quando você tiver contato com uma gestante simplesmente conte histórias positivas, fale sobre coisas legais. Já basta o patriarcado e o machismo cotidiano para oprimir as mulheres. Leve mensagens de apoio,, procure escutar o que ela tem a dizer e respeite. Respeito mútuo é algo básico para termos relações saudáveis, não é mesmo? 

Então, vamos encher esse bebê de coisas positivas. Pra que ele saiba que a vida aqui fora vale a pena e pode sim ser muito bonita.

Em alguns lugares, as gestantes ficam recolhidas no período da gestação, por considerarem esse período sagrado e por isso muito importante utilizar um filtro para a energia que chega à mãe e ao bebê. No Brasil já existem locais que os casais vão durante esse período até um pouco após o parto para viverem a plenitude do momento sem as influências negativas que conviver em sociedade pode proporcionar.

A mesma dica fica para as pessoas que conhecem mães. As mães dão o melhor que podem. Se quiserem ajuda ou sugestão, vão pedir. Portanto, nada de encher de carga negativa ou de pitacos (que podem ser mau recebidos) mães e pais, ok? Vamos criar uma rede de apoio consciente de seu papel e apoiadora de verdade das mães e pais.  

Vamos ensinar a todos que nos rodeiam sobre a importância do bem dizer?

Participe compartilhando notícias ou coisas bonitas para gestantes e mães do seu círculo social use a #falarconsciente


domingo, 24 de maio de 2015

Questão de gênero

Eu já achava que estava grávida de uma menina. Não sabia muito bem a razão, mas a minha intuição dizia. Enfim, quando realmente confirmamos que era uma menina, nossa Cecília, todo um mundo de laços, fitas e flores veio na minha mente. Mas logo achamos esquisita a nossa reação diante da notícia. Afinal, não sabíamos se ela se consideraria mulher. Porque pela concepção de gênero que temos e que defendemos, este não é baseado em órgão sexual, ou seja, o gênero vai se configurando a partir de uma série de comportamentos aprendidos, modos de pensar, se portar, se vestir, de desejar que culturalmente são postos, ou impostos. Desta maneira, ter pênis ou vagina, para nós, não configura fato determinante dos modos como essas coisas vão ser aprendidas e internalizadas nas performances de vida de nossxs pequenxs. E ali tínhamos visto uma vagina e já concebido que teríamos uma menina! Isso criou um nó danado na gente.

Temos um menino, com o qual não levantamos todas essas questões. Olha que coisa doida! Machismo em nossas entranhas. Confesso que quando soube que era menina fiquei imensamente feliz, pensei o tanto de coisas que poderíamos fazer juntas, como por exemplo, fazer as unhas, coisa que eu sempre adorei fazer com a minha mãe e que há anos não sei muito bem o que é. Começamos a ganhar milhões de coisas rosa. E eu não gosto de rosa. Nunca gostei... acho uma cor tão sem graça, principalmente pra roupa. E em todos os lugares que eu ia me perguntavam se era menino ou menina, e aí eu se eu queria levar o pijama de dinossauro “ah, mas pra menina é esse aqui”.... Essa concepção social do que é ser menina e menino é tão limitante.  

Enfim, decidimos relaxar, maneirar nas frufruzices (até porque né, minimalismo tá aí pra isso), aceitar algumas concepções intrínsecas construídas socialmente do gestar uma menina. Afinal, se ela não se sentir confortável estando dentro de um gênero já estabelecido desde meu ventre, será acolhida da mesma maneira e vamos descobrir uma maneira nossa de viver isso.

E a gente fica aqui na torcida para que ela, como a gente, continue lutando pela igualdade entre os gêneros, pelo respeito coletivo e pela emancipação feminina. Que sofra menos violências cotidianas do que as ancestrais dela sofreram.


Que seja uma semeadora de luz e que respeite as pessoas independentemente do que elas têm entre as pernas.


obs.: meu companheiro deu uma entrevista recentemente para a CBN sobre machismo na educação dos filhos. Quem quiser pode conferir a entrevista a partir dos 37 minutos neste link.

domingo, 7 de setembro de 2014

Maternagem Zen - Leo Babauta

Dando sequência à educação para a paz, à criação com apego, hoje trago a tradução de mais um texto do Leo Babauta: Pa/Maternagem Zen: como manter a paciência como pai/mãe.
Os textos dele são livres de direitos autorais.
Confira o original no site dele, o  ZenHabits

Que pai e mãe nunca perdeu as estribeiras quando uma criança se comporta de maneira diferente do que você espera? Um pai ou mãe que não tenha perdido sua paciência é uma criatura mítica, provavelmente montada em um unicórnio em algum arco íris agora mesmo.
Eu posso contar as vezes que perdi a paciência como pai nos dedos de uma mão – claro que essa mão precisaria ter infinitos dedos e eu precisaria de um tempo muito grande para contar eles.
Contudo, posso dizer uma coisa: eu sou um pai muito mais calmo nesses dias. Eu ainda fico com raiva de tempos em tempos (Sou humano), mas não é mais algo recorrente diariamente ou sequer semanalmente.
Qual o meu segredo? Muita prática de consciência.
Eu percebi isso: gritar e punir não funciona.
Deixe-me dizer mais uma vez: gritar e punir são métodos ineficazes na maternagem. Se eles funcionassem, todos nós seríamos pais brilhantes e as crianças iriam se comportar para sempre depois que gritássemos.
Mas eles não funcionam. Eu não preciso de estudos de educação para me dizer isso: eu posso ver com meus próprios filhos. (Leo tem 6 filhos) Claro, eu posso gritar com eles, e talvez eles se aquietem por medo se eles acham que eu levantarei uma mão. O que eu estarei ensinando a eles não é como se comportar bem, mas a terem medo de mim. E pior, estarei ensinando a eles que gritem quando estão bravos, a resolverem os conflitos com violência, ao invés de apenas conversar sobre as coisas e chegar a uma resolução pacífica.
Estarei ensinando que o que eu quero é mais importante do que o que eles querem e que estarei disposto a fazer coisas horríveis para conseguir o que eu quero a qualquer custo, até mesmo o custo de nosso relacionamento.
Essas não são coisas que eu quero ensinar às minhas crianças. Quero que elas saibam que nosso relacionamento é mais importante do que conseguir que se comportem de determinada maneira em determinada hora.
E sim, eu sei que crianças precisam de limites – Eu acredito em limites também. Eu os coloco e minhas crianças sabem que não é legal ultrapassa-los.
E sim, eu sei que eles precisam ser ensinados a como se comportarem adequadamente. Eu somente não acredito que gritando é a maneira de ensiná-los o comportamento adequado. Perder minha paciência e me comportar de maneira negativa não é a maneira de ensiná-los a agir quando eles perdem a paciência e se comportam de maneira negativa.
Dar o exemplo que estabelecemos para eles – como agir quando as coisas não saem da maneira que gostaríamos – é muito muito mais importante do que as regras que estabelecemos para eles. Eles aprendem lições sobre comportamento a partir de nosso exemplo ao longo do tempo.
Caminhe a caminhada. É por isso que eu me comprometi a ser consciente e pacífico como pai, mesmo que eu quebre esse juramento de tempos em tempos. Quando quebro esse compromisso, eu peço perdão e falo sobre como estava errado. Porque esse é meu exemplo de como se comportar depois que você se comportou de maneira negativa.
Então aqui vão algumas lições para ajudar você a manter a tranquilidade quando as coisas não saem como você gostaria:
1.      Não é sobre você. Nós pais tendemos a tomar os comportamentos negativos das crianças de maneira pessoal, como se eles estivessem fazendo um ataque pessoal a nós ou ao que nós acreditamos, uma ofensa pessoal. É por isso que ficamos bravos. A raiva não ajuda, mas vem emerge porque acreditamos que eles fizeram algo para nós. Eles não estão realmente tentando nada contra nós – elas são somente crianças, e elas não sabem como lidar com elas mesmas quando não conseguem o que querem ou quando ficam bravas por alguma razão. É sobre o que elas estão passando. Se nós removemos “nós” da equação, podemos ver mais objetivamente o que elas estão passando e como podemos ajudar.
2.      Seja o guia deles, não seu ditador. As crianças precisam aprender a como caminhar no mundo, porque nós pais não estaremos sempre lá para dizer como agir. E o melhor jeito de ensiná-las não é ditar a lei o tempo todo – se nós ditamos as ações delas eles nunca aprenderão a tomar decisões por elas mesmas. Nós devemos deixar que elas tomem suas decisão, com limites é claro, e guia-las quando necessitam de ajuda. Imagine ser Yoda (o mentor) ao invés de Darth Vader (o ditador barra pesada). Nota de ajuda: usar Star Wars para ensinar lições às crianças é ótimo.
3.      O que elas precisam? Quando as coisas não saem do jeito que gostariam, quando elas estão bravas, quando estão com medo... do que precisam? Você gritando ou ameaçando não é útil – coloque você mesmo nessa situação (e se imagine menor) e se pergunte se você gostaria de alguém gritando com você quando você está chateado. Como você reagiria se alguém maior e muito mais poderoso que você estivesse gritando e te ameaçando? Você não gostaria disso e iria apenas ressentir.  O que seria útil? Talvez carinho? Alguma conversa calma sobre o problema, examinando soluções. Um pouco de compaixão e empatia. E algumas palavras firmes ou algo que impeça que realmente possa machucar eles.
4.      Tire um tempo de descanso. Quando você está bravo, no momento, geralmente é melhor que você se afaste, respire e se acalme. Converse com eles quando você estiver de cabeça fria e que possa pensar as coisas mais claramente. Isso é bem difícil de fazer, porque nós pais tendemos a apenas mergulhar e resolver a situação no momento. Mas é difícil tomar boas decisões, falar calmamente, agir racionalmente quando estamos bravos. E isso é verdade pras crianças também.
5.      Se você ainda não perdeu sua paciência, suspenda a situação por um momento. Quando você perceber que está se estressando com uma situação ou começando a ficar bravo mas não completamente ainda... respire fundo. Pause. Suspenda o momento e olhe pra dentro de você e veja você estressado ou frustrado. Dê a você mesmo um momento de compaixão para essa frustração, que é perfeitamente normal e Ok. Acalme a dor, deseje a você mesmo felicidade e então respire fundo novamente. Se você puder, tente perceber que o sofrimento do seu filho é parecido com o seu e que precisa de compaixão também.
6.      Se comprometa a ser consciente com eles. Eu prometi às minhas crianças que eu seria um pai mais consciente e pedi que eles me observassem. Se eles me pegassem perdendo a paciência, eles colocariam um dólar em uma jarra para comprar sorvete com eles. Ajudou – eles ainda não chamaram minha atenção. Hahahaha – eles nunca mais comerão sorvete! Apenas brincando – nós ainda tomamos sorvete.
7.      Saiba que você errou. Espere ter dificuldades mas aprenda com elas. Perceba onde você errou. Seja consciente enquanto a dificuldade está acontecendo e perceba isso como um bom passo em direção a ser mais consciente e a ter mais compaixão como pai. Reveja suas ações e ao invés de se sentir mal, veja onde você pode melhorar e tenha um plano para a próxima vez que isso ocorrer. É importante planejar enquanto você está calmo, não decida como lidar com as coisas quando você está bravo. Vá ajustando o plano da próxima vez que as coisas saiam errado para que o plano fique cada vez melhor ao longo do tempo e também seu modo de ser um pai com mais compaixão.
O problema principal é que temos um ideal enquanto pais de como nossos filhos deveriam se comportar. Nós pensamos que eles deveriam ser crianças ideais, mas na realidade eles não são ideais, eles são reais. Eles tem falhas, como nós. Eles precisam de ajuda, cometem erros, ficam bravos, frustrados. Como nós também. Vamos descobrir como se comportar quando nós cometemos erros, ficamos bravos, nos sentimos chateados e mostrar às crianças como fazer isso através de nosso exemplo.


Aceite eles pelo que são, com falhas e tudo. Ame-os completamente, com abraços ao invés de gritos. Eu descobri que abraços são professores mais eficazes do que qualquer coisa na minha maleta de ferramentas de parentagem. 

domingo, 16 de março de 2014

O menino que queria pintar as unhas

Azul com purpurina prata. Assim estavam pintadas as unhas da tia preferida dele. Ele achou o máximo, pegou a mão, o dedo, a unha, olhou de perto. Mexeu pra um lado e mexeu pro outro. Viu a mudança de luminosidade no brilho quando se movia. Fazia isso levemente, sorrindo e falando. Pegou o esmalte, pediu pra pintar também. O pai pintou uma unha. Ele foi mostrar. Mostrou pro cachorro, pro gato, pra mãe, pra avó. Voltou, pediu pra pintar mais. O pai pintou a outra unha. De rosa. Ele achou o máximo. Mostrou pra todo mundo! Sorrindo! Quanta alegria! Então uma tia disse algo que repreendia pintar a unha de um menino. Ninguém deu muita bola. Eu fiquei refletindo. Que coisa esquisita. Brincadeira legal daquela, todo mundo se divertindo! Claro que entendi o preconceito de gênero, essa coisa incrustada na nossa sociedade: o machismo. Que pena danada, pensou, quando vejo que a grande maioria de nós humanos ainda vive como se ter pênis ou vagina que definisse se somos homens ou mulheres. Se gostamos de homens ou mulheres. Isso porque passamos a imensa maior parte do tempo cobrindo nossos órgãos sexuais. Já pensou? Se fosse só isso, na verdade só saberíamos se todo mundo andasse nu. Mas não andamos. Cauã adora colocar minhas tiaras. E ele usa. Eu uso. O pai já usou. Ele adora brincar de bola. Eu brinco, o pai também. E não é isso nem aquilo que vai fazer dele menino ou menina. Não estamos preocupados com isso. Ainda não consegui me desvencilhar de outras concepções incrustadas dessa porcaria de concepção de gênero, como a escolha de roupas. Mas vamos caminhando. Por enquanto ele parece confortável usando as roupas que usa. Mas se um dia ele não sentir, procurarei auxiliá-lo a encontrar as que lhe parecem mais confortáveis. Esperamos propiciar pra ele uma plenitude de infância com aprendizados de todas as brincadeiras legais e divertidas. No fim o que importa é que ele esteja feliz e se sinta amado. E nisso a gente se empenha! 



terça-feira, 4 de março de 2014

Veganismo e humanização do parto: vivendo de maneira consciente

Um colega me mostrou um texto muito bom da maravilhosa Laura Gutman, que me instigou a escrever esse texto. Já faz algum tempo que consigo perceber uma relação entre os movimentos do veganismo, da humanização do parto e do feminismo. Os três lutam pela libertação e os três buscam através da informação um mundo mais igualitário e mais consciente. No veganismo acontece a alimentação consciente. Foi o que aconteceu comigo. Fui me informando e cada vez mais que sabia o que acontecia aos animais e como funcionava a indústria alimentícia de produção em massa e naturalmente passei a mudar minha alimentação e meu modo de vida. Tomei consciência e não tinha como ter um modo de vida incoerente com o que passei a saber. Na humanização do parto acontece o parto consciente. Luta-se pelo respeito ao protagonismo feminino, pela prática baseada em evidências científicas e pelos direitos reprodutivos femininos. O que já dá o link pro feminismo. No feminismo acontece a igualdade de ser Humano por ser Humano, não pelo que você carrega (ou não) entre as pernas. Os três temas abraçam minorias. Deixarei para um próximo texto o aprofundamento na questão do feminismo com os dois outros movimentos. Hoje quero falar especificamente sobre viver de maneira ativa e consciente.

Nesse final de semana de carnaval encontrei uma conhecida, que não sabia que estava grávida. Parabenizei e fomos conversando até que chegou no tópico parto. Ela disse algo que deu a entender que parto normal era algo muito assustador.
Perguntei: você já sabe como quer que ele venha ao mundo?
Ela disse: acho que não quero parto normal.
Eu: Por quê?
Ela: Porque é muito sofrimento.
Eu: Será que é mesmo? Tem mulheres que tem orgasmo durante o parto! Imagina aí se não é possível ter um parto com prazer!
Ela, meio com vergonha, disse: Eu tenho muito medo.
A mãe então se mete no meio da conversa e diz: Ela é muito medrosa! Até parece que vai encarar um parto normal.
Aí eu disse: Você tem medo de que? Olha, com uma equipe bacana, você pode buscar lidar com esse sentimento e parir de maneira fortificadora.
A conversa seguiu e a gestante pegou meu telefone para procurar um grupo de apoio na cidade em que mora. Mas bem, o que quero focar aqui é que já tive esse tipo de conversa inúmeras vezes e em todas elas o que me deixa triste é o fato dessas mulheres estarem tão desconectadas delas mesmas. O parto pode ser um ritual transformador, com o encontro e o enfrentamento de questões emocionais que nos tornarão mais fortes. A maneira como lidamos com o nascimento diz muito da maneira que lidamos com a vida. Distante, desconectada, passiva. A vida gira no automático, o tempo passa passa passa e nada se cria, nada se faz para mudar o que nos incomoda. Poxa! Que desperdício! Gosto de pensar que é uma questão de tempo. Que uma hora tomar as rédeas de nossas vidas e assumir posicionamentos coerentes em todos os aspectos dela não vai ser uma possibilidade e sim uma necessidade para transformar o planeta. Se esconder no medo, na insegurança, na zona de conforto não vai ser suficiente para um número cada vez maior de pessoas. Quando soube o que se encontrava nos alimentos que ingeria, se fez necessário mudar todo um estilo de vida. Não dá pra passar de olhos fechados diante de tanta crueldade, de tanta violência, de tanta falta de amor. Com a natureza, com os animais, com as mulheres, homens e com tudo. E assim é também com o nascimento. Não dá pra continuar recebendo seres novos com tamanha brutalidade que é para o bebê e para a mãe a cirurgia cesariana (salvo os casos com indicação real) ou um parto vaginal carregado de violência obstétrica. Não dá pra tantas mulheres continuarem perdendo o contato com si mesmas e se enfraquecendo alimentando uma forma de viver, gestar e nascer que não é coerente com a nossa natureza, com o nosso ser - a plenitude da existência.
Eu recebi Cauã na minha vida de uma maneira que nunca pensei, e passei por situações que eu não desejo pra ninguém durante o nascimento dele. Mas dessas situações ruins, eu procuro tirar algo bom, e isso tem me fortalecido. Ele chegou trazendo mais emergência ainda de viver de maneira consciente, ativa e coerente. Ele chegou trazendo mais força pra mim e pra nossa família de uma maneira arrebatadora. E às vezes não é fácil, dá um trabalhão... a luta, a vida, a birra... mas no fim sempre vale a pena.
E por isso as lutas se fazem tão essenciais nessa vida. Não dá pra passar por esse planeta sem ter feito nada pra tornar aqui um lugar melhor para todos do presente e do futuro.
Isso me move. O que move você?


Dá uma lida também:
Galactolatria – Mau deleite
Política Sexual da carne
O Renascimento do Parto
Cientificação do amor
O Camponês e a parteira

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

A violência nossa de cada dia

Situação 1) O pai pergunta pro filho se ele quer tomar um murro na boca em frente a uma atendente em uma padaria

Situação 2) Uma médica obstetra manda a parturiente em trabalho de parto pegar as coisas e ir embora ao ser questionada sobre os procedimentos que iriam fazer e diz que quem sabe mais é ela, que é médica

Situação 3) Uma pessoa discute com a outra, xingando e dando dedo pela janela do carro, porque a outra entrou na faixa sem dar a seta 

Situação 4) Uma mãe dirige palavras de maneira hostil ao filho, todos os dias. 


Essas são algumas situações vivenciadas por mim nessas duas últimas semanas. Poucas coisas ruins me deixam realmente perplexas como a violência deixa. Já faz algum tempo que eu estava bem triste por testemunhar tantas coisas em tão pouco tempo. Fiquei pensando se elas estiveram sempre ali e eu não as via. Fico bem incomodada quando testemunho violências assim e depois conversas de como a sociedade está violenta e mimimi. Desde quando nos desconectamos do todo? Não fazemos parte desse lugar violento não? E o que temos feito para melhorar a situação? O fato de algumas violências serem tão legitimadas deixa o quadro um pouco mais complexo. Algumas violências simplesmente não são vistas como violência. E não é só por uma pessoa, mas por várias. Veja só, imagina que você acordou de mau humor e se comunica de maneira grosseira com as pessoas. Isso é uma violência. Não só com quem escuta, mas com quem fala também. Se a gente pensar energicamente, o fato de xingarmos alguém no trânsito, por exemplo, joga para o universo uma energia densa e ruim, que provavelmente encontrará força em outras energias da mesma afinidade e que provavelmente resultará em um acontecimento ruim. Quando você grita comigo, a energia não é legal. Quando você me bate, a energia não é legal.     

Depois de ser mãe eu passei a entender melhor o porquê de educar sem violência ser tão fundamental. Faz todo sentido. Eu nunca gostei quando gritavam ou me batiam. Me calava porque era o jeito. Obedecia porque era o jeito. Muitas vezes o que consideravam respeito, era medo. Realmente parece que quando estamos cansados, estressados e desconectados de nós mesmos e do todo, o primeiro ímpeto para uma ação indesejada de nosso filho (ou de quem quer que seja) é o de usar a violência, seja gritando, ameaçando, ignorando, batendo. É um lado feio, mas é um lado que faz parte da gente. A jornada da vida não é fácil, e depois que somos pais e decidimos por uma pa/maternidade ativas, conhecer e refletir sobre os processos do desenvolvimento infantil e sobre o nosso próprio crescimento, produz situações de crescimento coletivo muito mais prazerosas. Viver de maneira consciente e coerente é essencial para mudar o mundo para melhor. Se estamos sendo agressivos com nosso filhos, é hora de olhar para dentro, pois aquela "danação" pode não ter a dimensão que damos a ela ou mesmo pode ser um sintoma de que algo na comunicação não vai bem. Por que essa situação me estressa? O que ele quer me dizer com isso? É preciso ir além. Laura Gutman, diz que a maternidade é o encontro com a própria sombra. Ao invés de fugir dela, vamos abraçá-la e procurar compreendê-la para que não depositemos pedras nas costas de nossos filhos que na verdade são nossas. Uma infância sem violência gerará seres mais comprometidos com o amor e a paz no nosso planeta. Assim não faz mais sentido? Se quer amor, plante amor. Em todos os lugares com todas as pessoas. É um exercício diário! 
Só poderia encerrar com um pedido:


para ler:
Comunicação não violenta - Marshall Rosemberg