sexta-feira, 7 de novembro de 2014

A cárie na primeira infância

“Olha, você vai ter que desmamar pra ontem. A cárie está consumindo o dente dela. Assim ela vai ficar sem dente. Você pode continuar amamentando, mas o dente dela vai cair e depois você não vem me responsabilizar por nada.”

Minha amiga ouviu isso de um nada sensível dentista. A filha dela de cerca de 1 ano e 8 meses desenvolveu cárie nos dentes da frente, o que o dentista chamou de cárie de mamadeira, mas que no caso dela não se aplicava, porque ela não fazia uso de mamadeira nem de chupeta. Uma semana depois que ela me relatou isso, eu levei Cauã no dentista e ele também estava com cáries nos dentes da frente. Mas a dentista que nos atendeu foi mais cuidadosa.
“A cárie é uma lesão infecciosa transmissível que pode ser evitada. A cárie não é uma fatalidade.” (Guimarães ET AL, 2004)
Conversando com outra amiga, que é consultora em lactação, ela relatou que essas cáries acontecem mais por conta de falta de higienização frequente do que pela amamentação noturna isoladamente.

Esse era nosso caso.

Outro fator que poderia influenciar era uma dieta rica em açúcar e carboidrato. Mas nossa alimentação não se encaixa nisso.

No início de escovar os dentes, Cauã amava. Era uma brincadeira gostosa. Mas de repente virou o grande pavor da terra. Ele esperneava, sacodia a cabeça, chorava e eu ficava tentando usar o lúdico para escovar, mas acabava tendo que me aproveitar da boca aberta de choro pra tentar escovar alguma coisa. A sessão tortura passou então a ser evitada por nós, passando a escovar assim, meio meia boca, uma vez por dia. E durante a noite eu nunca acordava pra limpar os dentes depois das mamadas noturnas (ele dorme com a gente e às vezes eu nem via ele mamando). 

Pois é. De acordo com Bretz (1992) apenas 16% das crianças brasileiras entre 3 e 6 anos não tiveram contaminação pela bactéria da cárie.

Então acontece que nossa escovação estava precária mesmo, e acabou dando espaço para a cárie se instalar. Começamos uma escovação mais frequente, com mais empenho. A possibilidade de ele perder o dente facilitou que a gente passasse pelas escovações – sessão terror segurando a cabeça dele enquanto ele gritava. Junto com isso começamos um tratamento com escovação com flúor na dentista, o que ajuda a estacionar a cárie. Os dentes ficaram manchados, mas pelo menos o esforço coletivo deu resultado relativamente rápido. Em casa, na escola e no dentista todos trabalhavam para naturalizar o hábito de escovação. E agora a escovação não é mais um bicho de sete cabeças... só de vez em quando. Quando ele tá muito cansado ou muito agitado.

Fui procurar alguns artigos científicos sobre o tema e encontrei algumas informações interessantes:

Sobre a bactéria e a contaminação:

Foto: colgate

A boca é colonizada por bactérias desde o momento em que nascemos, mas a que ocasiona a cárie ocorre quando há a primeira erupção dentária.
A bactéria da cárie é a Streptococcus mutans. Parece haver uma concordância entre os pesquisadores em relação à contaminação na primeira infância. Ela acontece geralmente de maneira vertical, por transmissão cuidador-bebê, facilitado pelas condições ambientais como alimentação e higienização. 

Alimentação rica em carboidratos e açúcares e higienização precária facilitam a contaminação. A transmissão pode ocorrer quando um cuidador contaminado assopra uma comida para a criança comer, por exemplo. Ocorre também pelo uso compartilhado de talheres, copos, escovas etc. Mas a permanência da bactéria na boca vai depender se as condições serão favoráveis pra sua proliferação. Se criamos o ambiente bom, ela come nossos dentes que é uma beleza.

Sobre a cárie e os alimentos

A relação da cárie com o homem data da Idade da Pedra (12.000 – 3.000 AC) pela introdução de alimentos cozidos. Depois que foram introduzidos os farináceos e os refinados, houve um aumento significativo de cáries, no século XVIII. O aumento mais significativo foi no século XIX com uma incidência significativa nos dentes anteriores.
Um estudo de 2000 evidenciou que as mães introduzem o aleitamento artificial com produtos contendo sacarose geralmente por indicação do pediatra.
Pois é, a indústria do leite e da cárie caminhando juntas.
Há maior prevalência de cárie em crianças que se alimentavam com mamadeira e com leite artificial do que em crianças que foram amamentadas com leite materno.

A cárie propriamente dita

A Streptococcus mutans provoca colônias rugosas, convexas, irregulares e opacas.
“Este microrganismo é uma bactéria gram-positiva que se adere a superfície dental, quebra o açúcar, produz ácidos e promove a diminuição do pH do ambiente bucal, levando ao desenvolvimento da lesão de cárie. Assim esta doença é produto direto da variação contínua do pH da cavidade bucal, sendo um resultado de sucessivos ciclos de desmineralização (des) e de remineralização (re) através da reprecipitação de minerais presentes na saliva, como o cálcio e fosfato. Se houver equilíbrio fisiológico do processo des-re, esta alteração pode ser restaurada e levar a uma inativação da lesão de cárie. A fase escura da cárie é quando ela se torna inativa. A fase ativa é caracterizada por manchas amareladas no dente.” (Guimarães ET AL, 2004) - 

Como prevenir?

Hábitos de higienização
         A partir dos seis meses deve começar o hábito de higienização, para facilitar no desenvolvimento do hábito da escovação.
                Na introdução alimentar: passar gaze com água após as refeições e depois das mamadas diurnas e noturnas.
                Quando há dentes: escovar com escova adequada com creme dental sem flúor (Crianças não têm a capacidade de cuspir e o flúor não pode ser engolido. Todas as pastas de adulto tem flúor.)

 
 Referências: 

Post 10 do desafio 30 ideias em 30 dias

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Começando de novo pra fazer direito.

Disciplina = "Aquele que segue"

Ter disciplina tem sido bem difícil com o desafio 30 ideias em 30 dias. Já deu pra perceber que eu não postei mais, né? O desafio inicial era fazer 30 posts, mas aí na aula pude perceber que não estava me tirando da zona de conforto, e precisava limitar mais as regras... Aí decidi fazer 30 posts em 30 dias sobre parto, gestação e maternidade ativa tendo que escrever em apenas 2 horas.

Os dias passaram, e nada de eu escrever... Meu objetivo com esse curso é formar um negócio relacionado a essa temática de mulheres, gestação, parto e todo esse universo que me encanta. Mas perceber que a danada da resistência me venceu foi bem ruim. Demorei uns dias pra me recuperar e agora que seguir meu objetivo. Dessa vez eu vou conseguir. Toda vez que a danada da resistência surgir eu vou entoar meu mantra:

EU POSSO. EU ACREDITO. EU CONFIO. EU CONSIGO.

“A criatividade vive dentro da caixa”
A Rafaela Cappai fala sempre que a gente acha que pra criar tem que ter “liberdade”, que não precisa de rotina nem nada. Mas na verdade, uma rotina criativa, isso é, ter hora pra criar é uma grande ferramenta pra criatividade chegar junto e te ajudar a produzir. Realmente nos primeiros nove dias que fiz o desafio e que consegui sentar pra criar na hora que estabeleci, sentia muita inspiração e vinha uma chuva de ideias na hora e ao longo do dia.

O negócio é a danada da disciplina.  Se comprometer com os outros parece ser mais fácil do que me comprometer comigo mesma. Então... lá vou eu tentar de novo. Dessa vez fiz um planejamento pro desafio e além de #fazeracontecer vou precisar de:

 #disciplina          
#foco
#consistência

Pra isso vou usar a ferramenta da Paula Abreu de intenção pro dia e as três prioridades do dia!
1 2 3 e valendo!

Imagem do incrível Banksy


 Eu simplesmente não consigo mais cancelar/adiar meus sonhos. Chega de auto-sabotagem.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Recomeçando...

Então galera,
ontem tive aula de novo e percebi que meu desafio 30 ideias em 30 dias está errado.
Na verdade era pra ser bem mais intenso, pra tirar mesmo a gente da zona de conforto.
Então eu vou dar continuidade, mas agora com regras claras pro desafio:
- Tenho que escrever o post em no máximo 2 horas
- A temática deve ser relacionada à gestação, parto, purpério, amamentação, desmame, maternidade ativa, alimentação saudável e fitoterapia.
- Faltam 21 posts.

Vou tentar cumprir seguidamente.
Tá sendo foda criar uma rotina pra criar todo dia.

Mas vou lembrar de algo muito importante da aula de ontem:

AÇÃO COMBATE A RESISTÊNCIA.

Agir, agir e agir.


terça-feira, 28 de outubro de 2014

Uma festa de criança para todos

Datas comemorativas podem ser eventos pra lá de entediantes. Nós sempre ficamos desconfortáveis em eventos com cenários, muita gente e pouca intimidade. Nosso casamento mesmo, nós que fizemos praticamente tudo. Contratamos apenas o buffet. No primeiro ano de Cauã também fizemos um aniversário bem intimista e foi super legal. Mas esse ano nós nos superamos. Limitamos bem o número de pessoas e fizemos um planejamento bem simples. Foi de longe, uma das festas mais prazerosas que já estive presente. Pude curtir os amigos e as crianças e todos se divertiram. Pude novamente perceber que menos não é mais, menos é melhor. Bem melhor.

Na capa de uma revista essa semana estava destacado: O lucrativo comércio das festas infantis. Eu fui ler a reportagem e qual foi minha surpresa em constatar que a reportagem não propunha uma reflexão crítica acerca do circo montado ao redor da criança, os valores materialistas que a criança vai construir em relação a vida... ao invés disso a reportagem falava apenas de como é lucrativo, de números de lucro, de crescimento de mercado. Um desperdício de matéria.

Mas se você também se preocupa em criar seres socialmente mais comprometidos e mais reflexivos acerca dos valores materialista da nossa sociedade de consumo, elenquei algumas dicas que tem feito muita diferença na nossa vida e na do nosso pequeno nesses dois anos quando se trata de aniversário:

Limite o número de pessoas - faça uma lista
Antes eu ficava um pouco receosa quando tinha muita gente de grupos diferentes nos aniversários. Eu acabava não conseguindo curtir ninguém direito. As conversas ficavam pela metade e eu tinha que me desdobrar em mil. Se o número de pessoas é grande, acaba que todo o resto aumenta muito também, e talvez a qualidade das relações durante a festa diminua. Nós fizemos uma lista e vimos que tinha grupos diferentes, adultos sem filho... Então tivemos a dura tarefa de selecionar apenas os amigos mais próximos, de um grupo particularmente próximo a nós e a nossa família. Nesse grupo tinha pessoas sem filhos, mas elas eram a minoria. As crianças que foram eram crianças que Cauã tinha mais contato e que possivelmente considera como amigos. Com família e amigos próximos chegamos a um número de 30 pessoas, incluindo as crianças.

Estabeleça quanto você pode gastar
Nós estabelecemos o gasto máximo de R$300. Independente do número de pessoas, só poderíamos gastar isso. Inclusive era uma possibilidade fazer com que cada um trouxesse um prato, para ajudar no compartilhar de lanche, mas acabamos gastando pouco nas lembrancinhas e decoração e sobrou o suficiente para a comida e bebida. Os avós ajudaram também, dando sucos e pagando a cama elástica, que foi R$120. Essa parte é muito importante. 

Estabeleça um tema e pense sobre a decoração - faça uma lista
Quando a gente chega na loja de festas, dá vontade de sair comprando tudo de lindo que tem, mas com um orçamento pré-definido e uma decoração mais ou menos pensada com um tema estabelecido, fica mais fácil manter os pés no chão. Eu sabia onde ia ser e mais ou menos o que queria. O tema foi animais. Eu fiz um croqui bem amador mesmo de como seria essa decoração, pedi pra uma amiga fazer uma parte da mesa (que é essa árvore maravilhosa). Os ursinhos eram todos de Cauã e de crianças da festa. É bom pensar também sobre o que fazer depois com essa decoração. A gente doou pra uma escola pública, junto com algumas brincadeiras que fizemos. Além disso, pensamos também sobre as lembrancinhas. Acabei esquecendo de tirar fotos das coisas de dentro... Mas antes de sair pra comprar as coisas, eu fiz um painel de inspirações, no power point mesmo, de fotos de festas que eu queria ter como inspiração. Ficou mais fácil visualizar o que eu queria pra festa com essa ferramenta.


As lembrancinhas
Nem toda festa tem lembrancinha. No primeiro ano de Cauã, nós demos mudas de espinafre, que ficaram um mimo! Mas esse ano eu estava meio sem tempo e comprei tudo pronto e misturei. Como eu não dou doces industrializados pra ele, eu não ia dar pras outras crianças também. Então coloquei uma cestinha, com uma mini tela, giz de cera, bolinha de sabão, um anel com luzes que assustadoramente fizeram o maior sucesso entre adultos e crianças e pipoca salgada de saquinho. As crianças mais velhas que estão acostumadas com bombas de açúcar e corante nas festas infantis ficaram um pouco decepcionadas, mas foi interessante ver os pais explicando que não tinha necessidade daquilo para ser legal. 


O cardápio
No primeiro ano de Cauã eu fiz absolutamente todas as comidas. Esse ano também, com adição de uma torta salgada que minha cunhada fez. No primeiro ano dele todas as comidas eram veganas,, e dessa vez só a torta salgada da tia, o brigadeiro e o doce de coco que não eram. Eu tive muita dificuldade em encontrar a tâmara dijon pra fazer o brigadeiro de copo sem açúcar da festa passada, então fiz brigadeiro mesmo. Foi a primeira vez que ele comeu brigadeiro, e é aterrorizador o que o açúcar faz com uma criança. O cardápio dessa festa foi: cachorro quente com salsicha de cenoura (os onívoros estanham bastante), mini sanduíche de hambúrguer de soja, bolo de cenoura com chocolate meio amargo, brigadeiro, doce de coco, bolo de cacau com linhaça com recheio e cobertura de chocolate meio amargo. Com exceção do bolo, todas as comidas foram cortadas e colocadas de modo que todos pudessem pegar quando quisessem.


As brincadeiras
É sempre bom também entreter a criançada e os adultos. Nessa festa eu pude contar com a ajuda de uma amiga e suas filhas pra fazerem uma oficina de desenhos e pintura e um teatro de animais. foi incrível. Além disso, nós alugamos uma cama elástica onde adultos e crianças pularam horrores. A maior parte da festa foi lá. Teve adulto que ficou a festa toda na cama elástica! Foi sucesso total e integrou muito adultos e crianças!
Além disso a gente colocou uma amarelinha com os tapetes de EVA que Cauã tinha, uma caixa com peças de encaixar e também um boliche, que ninguém brincou.
As brincadeiras objetivavam integrar as crianças e os adultos. Foi muito divertido!

Os presentes
No primeiro ano de Cauã, nós pedimos alimentos ao invés de presentes. Eu seleciono bem que tipo de material ele vai ter pra brincar e foco muito mais em qualidade do que quantidade. Pensávamos na inutilidade de uma imensidão de brinquedos que ele ganharia e o que faríamos com isso. Então decidimos por pedir doação de 1kg de alimentos, que depois doamos a algum lugar necessitado.

A festa é pra quem?
O bom mesmo é quando podemos estar a vontade e aproveitar a presença das crianças para estar em contato com as nossas crianças interiores. O que importa pra uma criança não é o cenário, o circo montado para que os adultos e elas estejam desempenhando papéis estabelecidos e aceitos socialmente. O que importa pra uma criança é brincar, estar com quem gosta e se sentir amada. Para uma festa acontecer não precisa de luz, câmera, brilho, fantasias. A imaginação tá dentro da gente. 

Nosso objetivo é passar para Cauã que na simplicidade é que encontramos a felicidade e a alegria de poder compartilhar uma boa prosa e uma gostosa companhia de pessoas que nos fazem bem, 

Nutrir um ao outro de amor, e só! 












segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Faça chuva ou faça sol, quem cria nossa realidade somos nós mesmos.

Para algumas pessoas, dias ensolarados são dias bonitos enquanto dias de chuva são dias feios. 

Sabe, acho uma pena presenciar frases assim. Fico constrangida. Me parece um grande desrespeito ao tempo da natureza. Os dias de Sol são deliciosos, quentes, coloridos. Os dias de chuva são deliciosos, úmidos, refrescantes (em alguns lugares abafantes). Ambos são cheios de vida: os raios de sol e as gotas da chuva.  O sol traz as pessoas pra rua, a chuva pede casa. Me lembra os movimentos do mar, vai e vem. Me lembra a limpeza que fazemos quando tomamos banho. Não se trata de um dia feio ou bonito. Nós podemos ter nossas preferências, mas temos que saber o tempo da natureza. A beleza está nos olhos de quem vê, já dizia alguém que não sei quem é.

Mas nós... nós que estamos habituados a enxergar como possibilidade apenas a dualidade. Nós que insistimos em nos desconectar da nossa natureza e do coletivo não conseguimos muitas vezes enxergar além do que está posto. Cabelo ruim é cabelo crespo, cabelo bom é cabelo liso. Só existe bom ou ruim.

Pura mentira. Vamos desconstruir?

O Universo pode ser muito mais que uma coisa ou outra. Ele é uma coisa E outra. Eu sou boa e ruim também. A física quântica explica. Algumas filosofias também. Nas nossas individualidades tem também coletivos. Estamos todos conectados de alguma forma. Já dizemos nas rodas de mulheres:

Quando eu me curo, eu curo a outra.

Quando passamos a enxergar além das possibilidades postas, convencionais, e possivelmente dentro de nossa zona de conforto, todo um universo se abre. É perceber que se tem um poder de escolha tão absurdamente grande que chega a ser aterrorizador. Você pode fazer o que quiser. Você é dono da sua vida.
É tão simples que chega a ser ridículo!

O poder de decisão está em nossas mãos.
Faça chuva ou faça sol, a vida segue fluindo.
Os dois são essenciais para a vida.

                       

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Do apartamento pra um quarto - Dois cafés

Sua vida está ruim.  Talvez você nem perceba, mas todos os dias acorda de mau humor, fica desanimada rapidamente, reclama, se esconde no facebook, na TV, nas compras, nas festas. Na tentativa de fugir do que você mesma está tentando se mostrar. Você finge estar cega, surda. Adoece, tem dor de cabeça frequente. Está sempre cansada. Dorme demais ou de menos. Come demais ou de menos. Não sabe como respira. Como senta. Como come. O que come. O que sente. O que pensa. Simplesmente não sabe. Não saber parece mais fácil, e por um tempo pode até ser. Você pode até achar que está exercendo sua liberdade, mas na verdade está só cada vez mais presa às armadilhas da vida industrializada. O que o Alex Castro chama de prisões.

Eu vivi algumas dessas situações por algum tempo. Sem perceber. Às vezes a gente acha que a vida é isso mesmo. Afinal, tudo parece tão difícil e moroso. Mas em algum momento eu passei a me perceber. A me escutar, a me ver. A me interpretar. O corpo mandava sinais do que a mente pensava e o coração sentia. E eu, que me achava conectada comigo mesma, me vi tão distante. Numa vida tão distante do que eu gostaria. Cheias de mimimi comigo mesma. Mimimis que não me levaram a lugar nenhum. Até que...

Até que percebi que não precisava ser assim. Afinal, quem é dona da minha vida? Quem pode mudar e fazer acontecer? Se as coisas não estavam boas, mimimis é que não iam resolver. Sair da postura de vítima e ser ativa no processo contínuo da construção de mim mesma revolucionou minha vida. Primeiro foi a decisão difícil tomada conjuntamente: meu companheiro sair de um emprego de funcionário público federal que era em outra cidade e que implicava em viagens desgastantes emocionalmente para todos nós três. Isso implicou na mudança de casa.

De um apartamento de três quartos para um quarto no quintal da casa da sogra. Vender coisas, doar, jogar fora. Praticar o desapego de uma maneira nunca antes pensada. Lembrei dos amigos que fora pro Canadá sem levar quase nada, da amiga que mudou de cidade só com a roupa do corpo... Passei a entender melhor o minimalismo e as necessidades criadas. Entender quanto ao impacto qualitativo que isso tem na nossa vida. Já vi muitas pessoas dizerem que se sentiram livres vivendo só com o que consideravam o essencial, e que era muito pouco. E realmente pude perceber isso na prática. Uma coisa significativa foi a quantidade de roupas. Antes tínhamos um guarda-roupa de 3 portas + uma cômoda para acomodar roupa de cama, banho e vestuário dos três. E aí tivemos que nos adaptar para um guarda-roupa minúsculo de 3 portas pra tudo isso pros três. Foi incrível perceber como realmente dá pra viver com muito menos. Por exemplo: antes tinha muitas toalhas. Nem sei quantas. Agora a quantidade foi pensada. Somos 3, então precisamos de no mínimo 6 toalhas. Quando três estão lavando, 3 estão em uso. A mesma coisa para o jogo de cama. Só temos uma cama. Então temos: 3 lençóis de elástico + 6 fronhas + 4 lençóis (Cauã não usa lençol). E os sapatos? Eu reduzi os meus para: 1 havaiana + 1 sandália arrumadinha + 1 sapato fechado (eu não tenho necessidade de tênis). Nas roupas foi melhor ainda. Doamos muita, muita, muita coisa. O sentimento é incrível. Outra coisa foi material de artesanato. Eu tinha muitas coisas, mas acabei doando para amigas artesãs, porque nunca encontro o tempo para fazer os projetos e estava me tornando uma acumuladora. Ainda assim guardei muitos materiais porque tenho o apego emocional e a esperança de ainda fazer o projeto. Ainda não contei o número de peças no guarda roupa, mas devo fazer isso em breve.
Nunca tinha pensado sobre essas coisinhas. São coisas pequenas que ocupam espaços e criam demandas que levam nosso tempo. Com o minimalismo ficou mais fácil limpar, organizar e ver o que temos. E agora quando chego num ambiente cheio de coisas, fico me perguntando o que a pessoa levaria se tivesse que passar por algo assim.
Nós decidimos como queremos nossas vidas. E esse modelo posto não tá bom pra ninguém. Se o dia a dia estiver como na música da Tulipa Ruiz – Dois Cafés, está na hora de repensar e ressignificar a vida.

Tem que correr, correr
Tem que se adaptar
Tem tanta conta e não tem grana pra pagar
Tem tanta gente sem saber como é que vai
Priorizar
Se comportar
Ter que manter a vida mesmo sem ter um lugar
Daqui pra frente o tempo vai poder dizer
Se é na cidade que você tem que viver
Para inventar família, inventar um lar
Ter ou não ter
Ter ou não ter
Ter ou não ter
O tempo todo livre pra você
O banco, o asfalto, a moto, a britadeira
Fumaça de carro invade a casa inteira
Algum jeito leve você vai ter que dar
Sair pra algum canto, levar na brincadeira
Se enfia no mato, na cama, na geladeira
Ter algum motivo para se convencer
Que o tempo vai levar
Que o tempo pode te trazer
Que as coisas vão mudar
Que as coisas podem se mexer
Vai ter que se virar para ficar bem mais normal
Vai ter que se virar para fazer o que já é
Bem melhor, menos mal, menos mal
Mais normal
Tem que correr, correr
Tem que se adaptar
Tem tanta conta e não tem grana pra pagar
Tem tanta gente sem saber como é que vai
Priorizar
Se comportar
Ter que manter a vida mesmo sem ter um lugar
O banco, o asfalto, a moto, a britadeira
Fumaça de carro invade a casa inteira
Algum jeito leve você vai ter que dar
Sair pra algum canto, levar na brincadeira
Se enfia no mato, na cama, na geladeira
Ter algum motivo para se convencer
Que o tempo vai levar
Que o tempo pode te trazer
Que as coisas vão mudar
Que as coisas podem se mexer

Vai ter que se virar para ficar bem mais normal
Vai ter que se virar para fazer o que já é
Bem melhor, menos mal, menos mal
Mais normal

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Quiche vegana de alho poró



Hoje tem receita de quiche sem nenhuminha crueldade e cheia de nutrientes deliciosos!
Fácil e rapidona de fazer!
Essa receita é sucesso aonde quer que eu vá.
Eu não cozinho muito com medidas, sou mais de ver o ponto, então os cálculos aqui tão aproximados. Cauã ama essa receita e adora devorar com as mãos (e a gente também)!


Ingredientes
Margarina
1 pacote de biscoito cream cracker sem leite
Água
2 xíc castanha de caju
Aveia
Temperos
Alho Poró

Modo de fazer
Pré-aqueça o forno a 180ºC.
1) Quebre os biscoitos e triture no liquidificador até virar uma farinha.
2) Em uma tigela, coloque a aveia junto com a farofa (veja a quantidade que te agrada. Eu acrescento ela para ficar uma massa menos pobre) cerca de 3 colheres de sopa de margarina sem leite e vá amassando com as mãos. O ponto dessa massa é que ela fique úmida, mas não molhada, e que quando você aperte ela fique na forma que você deixar.
3) Unte uma forma rasa (essa receita é para uma forma de cerca de 20cm) com margarina ou óleo. Espalhe a farinha pressionando no fundo da forma de maneira que fique uniforme e relativamente fina (mas não muito, pois pode ficar quebradiça).
4) Coloque no forno e aumente a temperatura para 205ºC. Enquanto a massa assa, vamos fazer a cobertura.
5) Bata no liquidificador a castanha de caju com água. Essa misture não deve ficar líquida como suco, mas numa consistência um pouco mais fina que uma vitamina grossa. Geralmente eu coloco um dedo acima da quantidade de castanha e se precisar adiciono mais depois na panela.
6) Corte os temperos que você gosta de usar (use a criatividade!). Eu uso alho, cebola, pimentão, tomate, alho poró. Primeiro refogo a cebola, acrescento o alho, o tomate, o alho poró, o pimentão e o sal e deixo cozinhar um pouco. Aí adiciono a mistura do liquidificador e misturo, deixando em fogo baixo. O objetivo é que a água evapore e o creme fique mais grosso. Isso é relativamente rápido.
7) Observe se a massa que estava no forno já está durinha. Você passando o garfo ela deve estar com aquela consistência de crocante, mas não ressecada. Se ela estiver farofenta, pode ser que você tenha colocado pouca margarina.
8) Agora é hora de montar: quando a massa estiver pronta, tire do forno, coloque o creme por cima, mas não coloque muito, pois pode ficar impossível de comer com a mão (que é bem mais gostoso) e ficar muito pesada pra massa. Espalhe bem, acrescente umas rodelas do talo do alho poró e polvilhe pimenta do reino se quiser. Eu gosto de colocar um pouco de azeite. Então leve ao forno novamente. O ponto é que ela fique com essa consistência da foto. O creme não vai ficar molhado. É como se ele se moldasse e ficasse mais compacto. Geralmente não leva mais que 15 minutos.
9) Voilá! 

post 2 do desafio 30 ideias em 30 dias!