segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Faça chuva ou faça sol, quem cria nossa realidade somos nós mesmos.

Para algumas pessoas, dias ensolarados são dias bonitos enquanto dias de chuva são dias feios. 

Sabe, acho uma pena presenciar frases assim. Fico constrangida. Me parece um grande desrespeito ao tempo da natureza. Os dias de Sol são deliciosos, quentes, coloridos. Os dias de chuva são deliciosos, úmidos, refrescantes (em alguns lugares abafantes). Ambos são cheios de vida: os raios de sol e as gotas da chuva.  O sol traz as pessoas pra rua, a chuva pede casa. Me lembra os movimentos do mar, vai e vem. Me lembra a limpeza que fazemos quando tomamos banho. Não se trata de um dia feio ou bonito. Nós podemos ter nossas preferências, mas temos que saber o tempo da natureza. A beleza está nos olhos de quem vê, já dizia alguém que não sei quem é.

Mas nós... nós que estamos habituados a enxergar como possibilidade apenas a dualidade. Nós que insistimos em nos desconectar da nossa natureza e do coletivo não conseguimos muitas vezes enxergar além do que está posto. Cabelo ruim é cabelo crespo, cabelo bom é cabelo liso. Só existe bom ou ruim.

Pura mentira. Vamos desconstruir?

O Universo pode ser muito mais que uma coisa ou outra. Ele é uma coisa E outra. Eu sou boa e ruim também. A física quântica explica. Algumas filosofias também. Nas nossas individualidades tem também coletivos. Estamos todos conectados de alguma forma. Já dizemos nas rodas de mulheres:

Quando eu me curo, eu curo a outra.

Quando passamos a enxergar além das possibilidades postas, convencionais, e possivelmente dentro de nossa zona de conforto, todo um universo se abre. É perceber que se tem um poder de escolha tão absurdamente grande que chega a ser aterrorizador. Você pode fazer o que quiser. Você é dono da sua vida.
É tão simples que chega a ser ridículo!

O poder de decisão está em nossas mãos.
Faça chuva ou faça sol, a vida segue fluindo.
Os dois são essenciais para a vida.

                       

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Do apartamento pra um quarto - Dois cafés

Sua vida está ruim.  Talvez você nem perceba, mas todos os dias acorda de mau humor, fica desanimada rapidamente, reclama, se esconde no facebook, na TV, nas compras, nas festas. Na tentativa de fugir do que você mesma está tentando se mostrar. Você finge estar cega, surda. Adoece, tem dor de cabeça frequente. Está sempre cansada. Dorme demais ou de menos. Come demais ou de menos. Não sabe como respira. Como senta. Como come. O que come. O que sente. O que pensa. Simplesmente não sabe. Não saber parece mais fácil, e por um tempo pode até ser. Você pode até achar que está exercendo sua liberdade, mas na verdade está só cada vez mais presa às armadilhas da vida industrializada. O que o Alex Castro chama de prisões.

Eu vivi algumas dessas situações por algum tempo. Sem perceber. Às vezes a gente acha que a vida é isso mesmo. Afinal, tudo parece tão difícil e moroso. Mas em algum momento eu passei a me perceber. A me escutar, a me ver. A me interpretar. O corpo mandava sinais do que a mente pensava e o coração sentia. E eu, que me achava conectada comigo mesma, me vi tão distante. Numa vida tão distante do que eu gostaria. Cheias de mimimi comigo mesma. Mimimis que não me levaram a lugar nenhum. Até que...

Até que percebi que não precisava ser assim. Afinal, quem é dona da minha vida? Quem pode mudar e fazer acontecer? Se as coisas não estavam boas, mimimis é que não iam resolver. Sair da postura de vítima e ser ativa no processo contínuo da construção de mim mesma revolucionou minha vida. Primeiro foi a decisão difícil tomada conjuntamente: meu companheiro sair de um emprego de funcionário público federal que era em outra cidade e que implicava em viagens desgastantes emocionalmente para todos nós três. Isso implicou na mudança de casa.

De um apartamento de três quartos para um quarto no quintal da casa da sogra. Vender coisas, doar, jogar fora. Praticar o desapego de uma maneira nunca antes pensada. Lembrei dos amigos que fora pro Canadá sem levar quase nada, da amiga que mudou de cidade só com a roupa do corpo... Passei a entender melhor o minimalismo e as necessidades criadas. Entender quanto ao impacto qualitativo que isso tem na nossa vida. Já vi muitas pessoas dizerem que se sentiram livres vivendo só com o que consideravam o essencial, e que era muito pouco. E realmente pude perceber isso na prática. Uma coisa significativa foi a quantidade de roupas. Antes tínhamos um guarda-roupa de 3 portas + uma cômoda para acomodar roupa de cama, banho e vestuário dos três. E aí tivemos que nos adaptar para um guarda-roupa minúsculo de 3 portas pra tudo isso pros três. Foi incrível perceber como realmente dá pra viver com muito menos. Por exemplo: antes tinha muitas toalhas. Nem sei quantas. Agora a quantidade foi pensada. Somos 3, então precisamos de no mínimo 6 toalhas. Quando três estão lavando, 3 estão em uso. A mesma coisa para o jogo de cama. Só temos uma cama. Então temos: 3 lençóis de elástico + 6 fronhas + 4 lençóis (Cauã não usa lençol). E os sapatos? Eu reduzi os meus para: 1 havaiana + 1 sandália arrumadinha + 1 sapato fechado (eu não tenho necessidade de tênis). Nas roupas foi melhor ainda. Doamos muita, muita, muita coisa. O sentimento é incrível. Outra coisa foi material de artesanato. Eu tinha muitas coisas, mas acabei doando para amigas artesãs, porque nunca encontro o tempo para fazer os projetos e estava me tornando uma acumuladora. Ainda assim guardei muitos materiais porque tenho o apego emocional e a esperança de ainda fazer o projeto. Ainda não contei o número de peças no guarda roupa, mas devo fazer isso em breve.
Nunca tinha pensado sobre essas coisinhas. São coisas pequenas que ocupam espaços e criam demandas que levam nosso tempo. Com o minimalismo ficou mais fácil limpar, organizar e ver o que temos. E agora quando chego num ambiente cheio de coisas, fico me perguntando o que a pessoa levaria se tivesse que passar por algo assim.
Nós decidimos como queremos nossas vidas. E esse modelo posto não tá bom pra ninguém. Se o dia a dia estiver como na música da Tulipa Ruiz – Dois Cafés, está na hora de repensar e ressignificar a vida.

Tem que correr, correr
Tem que se adaptar
Tem tanta conta e não tem grana pra pagar
Tem tanta gente sem saber como é que vai
Priorizar
Se comportar
Ter que manter a vida mesmo sem ter um lugar
Daqui pra frente o tempo vai poder dizer
Se é na cidade que você tem que viver
Para inventar família, inventar um lar
Ter ou não ter
Ter ou não ter
Ter ou não ter
O tempo todo livre pra você
O banco, o asfalto, a moto, a britadeira
Fumaça de carro invade a casa inteira
Algum jeito leve você vai ter que dar
Sair pra algum canto, levar na brincadeira
Se enfia no mato, na cama, na geladeira
Ter algum motivo para se convencer
Que o tempo vai levar
Que o tempo pode te trazer
Que as coisas vão mudar
Que as coisas podem se mexer
Vai ter que se virar para ficar bem mais normal
Vai ter que se virar para fazer o que já é
Bem melhor, menos mal, menos mal
Mais normal
Tem que correr, correr
Tem que se adaptar
Tem tanta conta e não tem grana pra pagar
Tem tanta gente sem saber como é que vai
Priorizar
Se comportar
Ter que manter a vida mesmo sem ter um lugar
O banco, o asfalto, a moto, a britadeira
Fumaça de carro invade a casa inteira
Algum jeito leve você vai ter que dar
Sair pra algum canto, levar na brincadeira
Se enfia no mato, na cama, na geladeira
Ter algum motivo para se convencer
Que o tempo vai levar
Que o tempo pode te trazer
Que as coisas vão mudar
Que as coisas podem se mexer

Vai ter que se virar para ficar bem mais normal
Vai ter que se virar para fazer o que já é
Bem melhor, menos mal, menos mal
Mais normal

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Quiche vegana de alho poró



Hoje tem receita de quiche sem nenhuminha crueldade e cheia de nutrientes deliciosos!
Fácil e rapidona de fazer!
Essa receita é sucesso aonde quer que eu vá.
Eu não cozinho muito com medidas, sou mais de ver o ponto, então os cálculos aqui tão aproximados. Cauã ama essa receita e adora devorar com as mãos (e a gente também)!


Ingredientes
Margarina
1 pacote de biscoito cream cracker sem leite
Água
2 xíc castanha de caju
Aveia
Temperos
Alho Poró

Modo de fazer
Pré-aqueça o forno a 180ºC.
1) Quebre os biscoitos e triture no liquidificador até virar uma farinha.
2) Em uma tigela, coloque a aveia junto com a farofa (veja a quantidade que te agrada. Eu acrescento ela para ficar uma massa menos pobre) cerca de 3 colheres de sopa de margarina sem leite e vá amassando com as mãos. O ponto dessa massa é que ela fique úmida, mas não molhada, e que quando você aperte ela fique na forma que você deixar.
3) Unte uma forma rasa (essa receita é para uma forma de cerca de 20cm) com margarina ou óleo. Espalhe a farinha pressionando no fundo da forma de maneira que fique uniforme e relativamente fina (mas não muito, pois pode ficar quebradiça).
4) Coloque no forno e aumente a temperatura para 205ºC. Enquanto a massa assa, vamos fazer a cobertura.
5) Bata no liquidificador a castanha de caju com água. Essa misture não deve ficar líquida como suco, mas numa consistência um pouco mais fina que uma vitamina grossa. Geralmente eu coloco um dedo acima da quantidade de castanha e se precisar adiciono mais depois na panela.
6) Corte os temperos que você gosta de usar (use a criatividade!). Eu uso alho, cebola, pimentão, tomate, alho poró. Primeiro refogo a cebola, acrescento o alho, o tomate, o alho poró, o pimentão e o sal e deixo cozinhar um pouco. Aí adiciono a mistura do liquidificador e misturo, deixando em fogo baixo. O objetivo é que a água evapore e o creme fique mais grosso. Isso é relativamente rápido.
7) Observe se a massa que estava no forno já está durinha. Você passando o garfo ela deve estar com aquela consistência de crocante, mas não ressecada. Se ela estiver farofenta, pode ser que você tenha colocado pouca margarina.
8) Agora é hora de montar: quando a massa estiver pronta, tire do forno, coloque o creme por cima, mas não coloque muito, pois pode ficar impossível de comer com a mão (que é bem mais gostoso) e ficar muito pesada pra massa. Espalhe bem, acrescente umas rodelas do talo do alho poró e polvilhe pimenta do reino se quiser. Eu gosto de colocar um pouco de azeite. Então leve ao forno novamente. O ponto é que ela fique com essa consistência da foto. O creme não vai ficar molhado. É como se ele se moldasse e ficasse mais compacto. Geralmente não leva mais que 15 minutos.
9) Voilá! 

post 2 do desafio 30 ideias em 30 dias!

domingo, 19 de outubro de 2014

30 ideias em 30 dias

Eu queria postar mais. Escrever mais. Ler mais. Surfar. Cozinhar. Fazer mais yoga. Reclamar menos. Curtir mais. Ser leve. Ser mais saudável. Atender gestantes. Criar.

Queria fazer muitas coisas e realmente fazia. Muitas pela metade, algumas por inteiro.

E aí eu encontrei o Decolalab. É um curso de empreendedorismo criativo que tem virado meu mundo de cabeça pra baixo e tirado muita poeira debaixo do meu tapete. Tem sido maravilhoso e ao mesmo tempo assustador.

Faz cerca de dois anos que praticamente me dediquei exclusivamente a maternidade e voluntariamente ao ativismo pela humanização do parto e maternidade ativa. E vinha sentindo cada vez mais necessidade de colocar em prática planos, ideias e sonhos. Não sabia como nem quando.
O tempo foi passando visivelmente rápido, cada vez que observava como Cauã crescia assustadoramente rápido.

A vida passando por mim ou eu passando por ela?

Eu queria passar por ela. #fazeracontecer

Então estou aqui, começando um desafio que joga pra lá toda a procrastinação.
Meu desafio será fazer 30 posts em 30 dias aqui no blog.
Persistência e consistência!

Pre pa ra que a viagem deve ser esquisitamente prazerosa!

Porque sair da zona de conforto exige certa força de vontade!
E dela eu tô cheinha!

Vamos lá!
Te vejo todo dia.

Conheça mais sobre o programa de empreendedorismo criativo da Rafaela Cappai

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Violência obstétrica não é drama, é realidade #VOBR2014

Reposto hoje o post: Violência obstétrica não é drama, é realidade, com algumas edições. O post falava do caso de violência obstétrica em Natal, ocorrido nesse ano. Reposto ele fazendo parte da Ação Coletiva contra a Violência Obstétrica de 2014 (#VOBR2014), em comemoração e promoção do documento publicado pela Organização Mundial de Saúde Prevenção e Eliminação de Abusos, desrespeitos e maus-tratos durante o parto em instituições de saúde


Sabe, uma das coisas que mais me feriu depois que publiquei meu relato nas redes, foi o fato de uma pessoa muito próxima a mim dizer que eu estava fazendo drama. Que meu filho tinha nascido bem e era isso que importava. Isso me doeu profundamente. Quando uma pessoa expõe seus sentimentos e a outra os menospreza é uma falta de humanidade, de compaixão, de amor e de respeito ao próximo. E sim, meu filho estava bem. Mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Meu bebê estava bem, mas eu não estava. Ter com quem contar fez toda a diferença pra mim.

Algumas pessoas se mostraram desinformadas e duvidosas sobre o relato da Maria* e da versão do médico Iaperi Araújo. Outras acham puro drama. Muitos alguéns disseram por aí: Eu não acredito que Iaperi tenha feito isso, ele é referência na universidade (o professor tem dedicação exclusiva na UFRN, apesar de ter atendido a paciente em um hospital particular de Natal). 

Pra vocês que pensam assim eu tenho algumas coisas pra falar. Você pode continuar na sua bolha de desinformação ou pode ler e procurar se posicionar de maneira mais consciente sobre o que aconteceu. As pessoas tem lados bons, mas tem lados bem ruins também. E geralmente eles se mostram quando a pessoa tem um poder legitimado. Seja quando ela está em casa e agride a família, seja quando está num hospital e agride uma mulher, como foi o caso.

Sobre a veracidade da história: fatos são fatos
O médico obstetra Iaperi Araújo publicou em seu perfil um desabafo antiético expondo o caso de uma paciente que era chamada pejorativamente de surtada e comedora de placenta. A história contada por ele parecia surreal demais pra ser verdade. Quando vi pensei: tenho certeza que essa mulher foi violentada. Espero que ela consiga justiça e que não fique calada.

Dias depois eu recebi a ligação de uma mulher muito abalada, dizia que queria conversar comigo porque achava que tinha sido vítima de violência obstétrica. Falou mais ou menos aos prantos o que acontecera e combinamos de ir até sua casa para conversarmos pessoalmente e para que eu pudesse dar as orientações possíveis. Não sabia que estaria diante do relato mais sofrido de violência obstétrica da minha vida até agora.

Faz cerca de dois anos somente que venho recebendo diversos relatos de violência obstétrica em nosso estado, em nome do Movimento pela Humanização do Parto e Nascimento. Esse foi sem sombra de dúvida o mais impactante.

Ela e a família começaram a me contar e entre pausas e questionamentos ficou nítido o quanto o caso tinha abalado a todos. Em diversos momentos do relato me segurei para não chorar e conseguir dar o apoio que julgava necessário. Dei as orientações cabíveis, expliquei a ela a necessidade de escrever um relato, tanto para expor sua versão, quanto para seu próprio processo de cura. Manteríamos contato dali em diante e ela poderia contar comigo.

Entrei no carro e chorei bastante. Fico sempre muito tocada com os relatos das mulheres, mas esse... era carregado de tanta violação, de tanto machismo, de tanta omissão de todos que ali estavam e que nada fizeram, de tanta falta de apoio de quem poderia ajudar... Estou desde então sem dormir direito, inquieta. Fico pensando se consigo lidar com tudo isso. As pessoas ao meu redor dizem que tenho que saber diferenciar o que é meu e o que não é, mas pra mim eu e ela estamos conectadas. Assim como todos nós estamos. E eu preciso encontrar uma maneira de mudar isso. Lembro claramente do momento em que decidir criar o Movimento, quando estava lá embaixo numa depressão e quando ainda escutava que a Promater tinha proibido a entrada de doulas depois de alguns partos naturais lindos. Busquei força no meu filho. E em outras mulheres. E lembro de uma frase que me motivou:

Quando eu me curo
Eu curo a outra

Eu ia lutar todos os dias para que nenhuma mulher precisasse passar pelo que passei. E foi isso que me motivou a me fortalecer novamente. Precisava encontrar meu eixo para seguir na luta.

Entrei em contato com as ativistas mais engajadas, com toda a blogosfera materna, com alguns blogs feministas. Contei o caso. Falei do relato, mas não o tinha em mãos. Torcia para que ela escrevesse, mas sabia do quanto escrever sobre o fato era um desafio emocional. Muitas mulheres me procuram, desabafam. Mas poucas conseguem seguir adiante para lidar com isso. Mas ela não. No dia combinado eu recebia o relato virtualmente. Rapidamente o repassei a quem poderia interessar. E então se formava a grande rede de apoio¹.

Então eu sou testemunha de que o que aconteceu aconteceu. Eu mais três ativistas que estão envolvidas com o amparo legal do caso. E uma jornalista. Sim, o caso aconteceu.

Sobre o anonimato
Mas por que ela não tem nome nem cara? Não aparece em nenhum lugar?
Obviamente se você faz essas perguntas, você precisa de mais solidariedade com o outro. Vou te colocar na seguinte situação: imagina que você sofreu um estupro. Você vai fazer o que? Colocar na rede social e sair contando pra todo o mundo? Mas por que você não faria isso? Não é uma situação agradável, não é? Não é uma situação que você queira reviver com essa frequência.

Agora imagina a situação da Maria*. Era o momento mais legal que ela poderia viver, o nascimento de seu filho. E esse momento foi roubado. Ela foi violentada, se sentiu abusada sexualmente. E mesmo assim cuida de seu filho 24h por dia como qualquer outra mãe no puerpério, lidando com todas as dificuldades naturalmente já impostas por essa fase. Mas além disso ela tem que lidar com pessoas insensíveis que emitem julgamento porque reconheceram ela pela publicação do médico Iaperi. A publicação teve sim repercussão negativa em sua vida.

Então não, ela não vai se expor mais ainda. Ela quer curtir o que lhe resta. E para ter voz ela não precisa ter cara. Todas nós mulheres damos voz a ela. E trabalharemos até que algum tipo de justiça seja feito. E vamos nos unir e nos fortalecer cada vez mais para mudar esse sistema.

Violência obstétrica não é drama, é realidade.
Mas depois de ler isso tudo pode ser que exista pessoas que acham que possa ter acontecido algo sim, mas que a história é muito dramática.

Xa eu falar uma coisa pra você: Violência obstétrica não é drama, é realidade.

Muitas mulheres nem sabem que sofreram violência obstétrica. Mas relatam sentirem uma memória ruim em relação ao parto. Nessa sociedade machista e nesse sistema patriarcal (sim, sou feminista e luto pela igualdade), com a interpretação pra lá de medieval do “parirás com dor”, a mulher que luta pela autonomia de seu corpo e de sua vida é taxada de surtada, com o objetivo de humilhá-la e deslegitimar seu poder de escolha.

Então, vou colocar algumas fontes confiáveis para você se informar e ver que violência obstétrica não é drama e que é uma realidade das maternidades públicas e privadas brasileiras. Ah, vale ressaltar que cesárea não salva ninguém de violência não tá? A violência obstétrica é institucional e de gênero. Ou seja, só por ser mulher é um fator de risco.
Vamos lá:
Não importa sua opinião pessoal sobre a mulher. Houve agressão, realização de procedimentos contrários às diretrizes do MS e da OMS, à portaria 371 e muita falta de respeito. Isso é uma violência. 

Mas se você ainda não ficou sensibilizado com o caso, faça o seguinte: fique grávid@ ou acompanhe alguém grávida que queira ter um parto natural, seguindo as recomendações da OMS, e diga que tem direito de decisão sobre seu corpo, que você quer respeito a sua autonomia e você terá uma grande probabilidade em testemunhar atos de violência obstétrica. Porque você está indo contra um sistema muito produtivo para a indústria do nascimento. Porque você depois vai ter que ir contra o corporativismo médico. Porque as pessoas esqueceram do que é prestar o cuidado. E a violência preenche as práticas rotineiras intervencionistas desses profissionais da assistência ao parto e nascimento.

Mas eu queria encontrar ela para dar um apoio
Deixe sua mensagem de apoio aqui: http://nosnaodormimos.tumblr.com/

E o que vocês estão fazendo?
Estamos em rede de apoio. A Lígia, do Cientista que virouMãe e as mulheres da Artemis estão coladinhas com o caso para ter encaminhamento, como o ocorrido com o caso de Adelir. Uma denúncia já foi entregue e acompanharemos o encaminhamento.


¹O Movimento pela Humanização do Parto e Nascimento no Brasil tem uma força muito grande, porque trabalha em rede. Se você sofreu violência obstétrica em Natal e se sente preparada para denunciar, denuncie. Você não está só. É extremamente essencial que a violência obstétrica saia da invisibilidade. Precisamos mudar essa realidade, todos os dias. Se você testemunhar alguma violência também, não fique calado. Ajude a fazer uma sociedade de paz.


Juntas somos mais fortes

domingo, 7 de setembro de 2014

Maternagem Zen - Leo Babauta

Dando sequência à educação para a paz, à criação com apego, hoje trago a tradução de mais um texto do Leo Babauta: Pa/Maternagem Zen: como manter a paciência como pai/mãe.
Os textos dele são livres de direitos autorais.
Confira o original no site dele, o  ZenHabits

Que pai e mãe nunca perdeu as estribeiras quando uma criança se comporta de maneira diferente do que você espera? Um pai ou mãe que não tenha perdido sua paciência é uma criatura mítica, provavelmente montada em um unicórnio em algum arco íris agora mesmo.
Eu posso contar as vezes que perdi a paciência como pai nos dedos de uma mão – claro que essa mão precisaria ter infinitos dedos e eu precisaria de um tempo muito grande para contar eles.
Contudo, posso dizer uma coisa: eu sou um pai muito mais calmo nesses dias. Eu ainda fico com raiva de tempos em tempos (Sou humano), mas não é mais algo recorrente diariamente ou sequer semanalmente.
Qual o meu segredo? Muita prática de consciência.
Eu percebi isso: gritar e punir não funciona.
Deixe-me dizer mais uma vez: gritar e punir são métodos ineficazes na maternagem. Se eles funcionassem, todos nós seríamos pais brilhantes e as crianças iriam se comportar para sempre depois que gritássemos.
Mas eles não funcionam. Eu não preciso de estudos de educação para me dizer isso: eu posso ver com meus próprios filhos. (Leo tem 6 filhos) Claro, eu posso gritar com eles, e talvez eles se aquietem por medo se eles acham que eu levantarei uma mão. O que eu estarei ensinando a eles não é como se comportar bem, mas a terem medo de mim. E pior, estarei ensinando a eles que gritem quando estão bravos, a resolverem os conflitos com violência, ao invés de apenas conversar sobre as coisas e chegar a uma resolução pacífica.
Estarei ensinando que o que eu quero é mais importante do que o que eles querem e que estarei disposto a fazer coisas horríveis para conseguir o que eu quero a qualquer custo, até mesmo o custo de nosso relacionamento.
Essas não são coisas que eu quero ensinar às minhas crianças. Quero que elas saibam que nosso relacionamento é mais importante do que conseguir que se comportem de determinada maneira em determinada hora.
E sim, eu sei que crianças precisam de limites – Eu acredito em limites também. Eu os coloco e minhas crianças sabem que não é legal ultrapassa-los.
E sim, eu sei que eles precisam ser ensinados a como se comportarem adequadamente. Eu somente não acredito que gritando é a maneira de ensiná-los o comportamento adequado. Perder minha paciência e me comportar de maneira negativa não é a maneira de ensiná-los a agir quando eles perdem a paciência e se comportam de maneira negativa.
Dar o exemplo que estabelecemos para eles – como agir quando as coisas não saem da maneira que gostaríamos – é muito muito mais importante do que as regras que estabelecemos para eles. Eles aprendem lições sobre comportamento a partir de nosso exemplo ao longo do tempo.
Caminhe a caminhada. É por isso que eu me comprometi a ser consciente e pacífico como pai, mesmo que eu quebre esse juramento de tempos em tempos. Quando quebro esse compromisso, eu peço perdão e falo sobre como estava errado. Porque esse é meu exemplo de como se comportar depois que você se comportou de maneira negativa.
Então aqui vão algumas lições para ajudar você a manter a tranquilidade quando as coisas não saem como você gostaria:
1.      Não é sobre você. Nós pais tendemos a tomar os comportamentos negativos das crianças de maneira pessoal, como se eles estivessem fazendo um ataque pessoal a nós ou ao que nós acreditamos, uma ofensa pessoal. É por isso que ficamos bravos. A raiva não ajuda, mas vem emerge porque acreditamos que eles fizeram algo para nós. Eles não estão realmente tentando nada contra nós – elas são somente crianças, e elas não sabem como lidar com elas mesmas quando não conseguem o que querem ou quando ficam bravas por alguma razão. É sobre o que elas estão passando. Se nós removemos “nós” da equação, podemos ver mais objetivamente o que elas estão passando e como podemos ajudar.
2.      Seja o guia deles, não seu ditador. As crianças precisam aprender a como caminhar no mundo, porque nós pais não estaremos sempre lá para dizer como agir. E o melhor jeito de ensiná-las não é ditar a lei o tempo todo – se nós ditamos as ações delas eles nunca aprenderão a tomar decisões por elas mesmas. Nós devemos deixar que elas tomem suas decisão, com limites é claro, e guia-las quando necessitam de ajuda. Imagine ser Yoda (o mentor) ao invés de Darth Vader (o ditador barra pesada). Nota de ajuda: usar Star Wars para ensinar lições às crianças é ótimo.
3.      O que elas precisam? Quando as coisas não saem do jeito que gostariam, quando elas estão bravas, quando estão com medo... do que precisam? Você gritando ou ameaçando não é útil – coloque você mesmo nessa situação (e se imagine menor) e se pergunte se você gostaria de alguém gritando com você quando você está chateado. Como você reagiria se alguém maior e muito mais poderoso que você estivesse gritando e te ameaçando? Você não gostaria disso e iria apenas ressentir.  O que seria útil? Talvez carinho? Alguma conversa calma sobre o problema, examinando soluções. Um pouco de compaixão e empatia. E algumas palavras firmes ou algo que impeça que realmente possa machucar eles.
4.      Tire um tempo de descanso. Quando você está bravo, no momento, geralmente é melhor que você se afaste, respire e se acalme. Converse com eles quando você estiver de cabeça fria e que possa pensar as coisas mais claramente. Isso é bem difícil de fazer, porque nós pais tendemos a apenas mergulhar e resolver a situação no momento. Mas é difícil tomar boas decisões, falar calmamente, agir racionalmente quando estamos bravos. E isso é verdade pras crianças também.
5.      Se você ainda não perdeu sua paciência, suspenda a situação por um momento. Quando você perceber que está se estressando com uma situação ou começando a ficar bravo mas não completamente ainda... respire fundo. Pause. Suspenda o momento e olhe pra dentro de você e veja você estressado ou frustrado. Dê a você mesmo um momento de compaixão para essa frustração, que é perfeitamente normal e Ok. Acalme a dor, deseje a você mesmo felicidade e então respire fundo novamente. Se você puder, tente perceber que o sofrimento do seu filho é parecido com o seu e que precisa de compaixão também.
6.      Se comprometa a ser consciente com eles. Eu prometi às minhas crianças que eu seria um pai mais consciente e pedi que eles me observassem. Se eles me pegassem perdendo a paciência, eles colocariam um dólar em uma jarra para comprar sorvete com eles. Ajudou – eles ainda não chamaram minha atenção. Hahahaha – eles nunca mais comerão sorvete! Apenas brincando – nós ainda tomamos sorvete.
7.      Saiba que você errou. Espere ter dificuldades mas aprenda com elas. Perceba onde você errou. Seja consciente enquanto a dificuldade está acontecendo e perceba isso como um bom passo em direção a ser mais consciente e a ter mais compaixão como pai. Reveja suas ações e ao invés de se sentir mal, veja onde você pode melhorar e tenha um plano para a próxima vez que isso ocorrer. É importante planejar enquanto você está calmo, não decida como lidar com as coisas quando você está bravo. Vá ajustando o plano da próxima vez que as coisas saiam errado para que o plano fique cada vez melhor ao longo do tempo e também seu modo de ser um pai com mais compaixão.
O problema principal é que temos um ideal enquanto pais de como nossos filhos deveriam se comportar. Nós pensamos que eles deveriam ser crianças ideais, mas na realidade eles não são ideais, eles são reais. Eles tem falhas, como nós. Eles precisam de ajuda, cometem erros, ficam bravos, frustrados. Como nós também. Vamos descobrir como se comportar quando nós cometemos erros, ficamos bravos, nos sentimos chateados e mostrar às crianças como fazer isso através de nosso exemplo.


Aceite eles pelo que são, com falhas e tudo. Ame-os completamente, com abraços ao invés de gritos. Eu descobri que abraços são professores mais eficazes do que qualquer coisa na minha maleta de ferramentas de parentagem. 

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Violência obstétrica não é drama, é realidade.

Sabe, uma das coisas que mais me feriu depois que publiquei meu relato nas redes, foi o fato de uma pessoa muito próxima a mim dizer que eu estava fazendo drama. Que meu filho tinha nascido bem e era isso que importava. Isso me doeu profundamente. Quando uma pessoa expõe seus sentimentos e a outra os menospreza é uma falta de humanidade, de compaixão, de amor e de respeito ao próximo. E sim, meu filho estava bem. Mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Meu bebê estava bem, mas eu não estava. Ter com quem contar fez toda a diferença pra mim.

Algumas pessoas se mostraram desinformadas e duvidosas sobre o relato da Maria* e da versão do médico Iaperi Araújo. Outras acham puro drama. Muitos alguéns disseram por aí: Eu não acredito que Iaperi tenha feito isso, ele é referência na universidade (o professor tem dedicação exclusiva na UFRN, apesar de ter atendido a paciente em um hospital particular de Natal). 

Pra vocês que pensam assim eu tenho algumas coisas pra falar. Você pode continuar na sua bolha de desinformação ou pode ler e procurar se posicionar de maneira mais consciente sobre o que aconteceu. As pessoas tem lados bons, mas tem lados bem ruins também. E geralmente eles se mostram quando a pessoa tem um poder legitimado. Seja quando ela está em casa e agride a família, seja quando está num hospital e agride uma mulher, como foi o caso.

Sobre a veracidade da história: fatos são fatos
O médico obstetra Iaperi Araújo publicou em seu perfil um desabafo antiético expondo o caso de uma paciente que era chamada pejorativamente de surtada e comedora de placenta. A história contada por ele parecia surreal demais pra ser verdade. Quando vi pensei: tenho certeza que essa mulher foi violentada. Espero que ela consiga justiça e que não fique calada.

Dias depois eu recebi a ligação de uma mulher muito abalada, dizia que queria conversar comigo porque achava que tinha sido vítima de violência obstétrica. Falou mais ou menos aos prantos o que acontecera e combinamos de ir até sua casa para conversarmos pessoalmente e para que eu pudesse dar as orientações possíveis. Não sabia que estaria diante do relato mais sofrido de violência obstétrica da minha vida até agora.

Faz cerca de dois anos somente que venho recebendo diversos relatos de violência obstétrica em nosso estado, em nome do Movimento pela Humanização do Parto e Nascimento. Esse foi sem sombra de dúvida o mais impactante.

Ela e a família começaram a me contar e entre pausas e questionamentos ficou nítido o quanto o caso tinha abalado a todos. Em diversos momentos do relato me segurei para não chorar e conseguir dar o apoio que julgava necessário. Dei as orientações cabíveis, expliquei a ela a necessidade de escrever um relato, tanto para expor sua versão, quanto para seu próprio processo de cura. Manteríamos contato dali em diante e ela poderia contar comigo.

Entrei no carro e chorei bastante. Fico sempre muito tocada com os relatos das mulheres, mas esse... era carregado de tanta violação, de tanto machismo, de tanta omissão de todos que ali estavam e que nada fizeram, de tanta falta de apoio de quem poderia ajudar... Estou desde então sem dormir direito, inquieta. Fico pensando se consigo lidar com tudo isso. As pessoas ao meu redor dizem que tenho que saber diferenciar o que é meu e o que não é, mas pra mim eu e ela estamos conectadas. Assim como todos nós estamos. E eu preciso encontrar uma maneira de mudar isso. Lembro claramente do momento em que decidir criar o Movimento, quando estava lá embaixo numa depressão e quando ainda escutava que a Promater tinha proibido a entrada de doulas depois de alguns partos naturais lindos. Busquei força no meu filho. E em outras mulheres. E lembro de uma frase que me motivou:

Quando eu me curo
Eu curo a outra

Eu ia lutar todos os dias para que nenhuma mulher precisasse passar pelo que passei. E foi isso que me motivou a me fortalecer novamente. Precisava encontrar meu eixo para seguir na luta.

Entrei em contato com as ativistas mais engajadas, com toda a blogosfera materna, com alguns blogs feministas. Contei o caso. Falei do relato, mas não o tinha em mãos. Torcia para que ela escrevesse, mas sabia do quanto escrever sobre o fato era um desafio emocional. Muitas mulheres me procuram, desabafam. Mas poucas conseguem seguir adiante para lidar com isso. Mas ela não. No dia combinado eu recebia o relato virtualmente. Rapidamente o repassei a quem poderia interessar. E então se formava a grande rede de apoio¹.

Então eu sou testemunha de que o que aconteceu aconteceu. Eu mais três ativistas que estão envolvidas com o amparo legal do caso. E uma jornalista. Sim, o caso aconteceu.

Sobre o anonimato
Mas por que ela não tem nome nem cara? Não aparece em nenhum lugar?
Obviamente se você faz essas perguntas, você precisa de mais solidariedade com o outro. Vou te colocar na seguinte situação: imagina que você sofreu um estupro. Você vai fazer o que? Colocar na rede social e sair contando pra todo o mundo? Mas por que você não faria isso? Não é uma situação agradável, não é? Não é uma situação que você queira reviver com essa frequência.

Agora imagina a situação da Maria*. Era o momento mais legal que ela poderia viver, o nascimento de seu filho. E esse momento foi roubado. Ela foi violentada, se sentiu abusada sexualmente. E mesmo assim cuida de seu filho 24h por dia como qualquer outra mãe no puerpério, lidando com todas as dificuldades naturalmente já impostas por essa fase. Mas além disso ela tem que lidar com pessoas insensíveis que emitem julgamento porque reconheceram ela pela publicação do médico Iaperi. A publicação teve sim repercussão negativa em sua vida.

Então não, ela não vai se expor mais ainda. Ela quer curtir o que lhe resta. E para ter voz ela não precisa ter cara. Todas nós mulheres damos voz a ela. E trabalharemos até que algum tipo de justiça seja feito. E vamos nos unir e nos fortalecer cada vez mais para mudar esse sistema.

Violência obstétrica não é drama, é realidade.
Mas depois de ler isso tudo pode ser que exista pessoas que acham que possa ter acontecido algo sim, mas que a história é muito dramática.

Xa eu falar uma coisa pra você: Violência obstétrica não é drama, é realidade.

Muitas mulheres nem sabem que sofreram violência obstétrica. Mas relatam sentirem uma memória ruim em relação ao parto. Nessa sociedade machista e nesse sistema patriarcal (sim, sou feminista e luto pela igualdade), com a interpretação pra lá de medieval do “parirás com dor”, a mulher que luta pela autonomia de seu corpo e de sua vida é taxada de surtada, com o objetivo de humilhá-la e deslegitimar seu poder de escolha.

Então, vou colocar algumas fontes confiáveis para você se informar e ver que violência obstétrica não é drama e que é uma realidade das maternidades públicas e privadas brasileiras. Ah, vale ressaltar que cesárea não salva ninguém de violência não tá? A violência obstétrica é institucional e de gênero. Ou seja, só por ser mulher é um fator de risco.
Vamos lá:
Não importa sua opinião pessoal sobre a mulher. Houve agressão, realização de procedimentos contrários às diretrizes do MS e da OMS, à portaria 371 e muita falta de respeito. Isso é uma violência. 


Mas se você ainda não ficou sensibilizado com o caso, faça o seguinte: fique grávid@ ou acompanhe alguém grávida que queira ter um parto natural, seguindo as recomendações da OMS, e diga que tem direito de decisão sobre seu corpo, que você quer respeito a sua autonomia e você terá uma grande probabilidade em testemunhar atos de violência obstétrica. Porque você está indo contra um sistema muito produtivo para a indústria do nascimento. Porque você depois vai ter que ir contra o corporativismo médico. Porque as pessoas esqueceram do que é prestar o cuidado. E a violência preenche as práticas rotineiras intervencionistas desses profissionais da assistência ao parto e nascimento.

Mas eu queria encontrar ela para dar um apoio
Deixe sua mensagem de apoio aqui: http://nosnaodormimos.tumblr.com/

E o que vocês estão fazendo?
Estamos em rede de apoio. A Lígia, do Cientista que virouMãe e as mulheres da Artemis estão coladinhas com o caso para ter encaminhamento, como o ocorrido com o caso de Adelir. Uma denúncia já foi entregue e acompanharemos o encaminhamento.

Você sabia?
O médico Iaperi (que disse que ia deixar a obstetrícia #torcemos) tem um processo no passado. Ele foi acusado pela morte de um bebê pelo uso de fórceps.

¹O Movimento pela Humanização do Parto e Nascimento no Brasil tem uma força muito grande, porque trabalha em rede. Se você sofreu violência obstétrica em Natal e se sente preparada para denunciar, denuncie. Você não está só. É extremamente essencial que a violência obstétrica saia da invisibilidade. Precisamos mudar essa realidade, todos os dias. Se você testemunhar alguma violência também, não fique calado. Ajude a fazer uma sociedade de paz.


Juntas somos mais fortes