domingo, 7 de setembro de 2014

Maternagem Zen - Leo Babauta

Dando sequência à educação para a paz, à criação com apego, hoje trago a tradução de mais um texto do Leo Babauta: Pa/Maternagem Zen: como manter a paciência como pai/mãe.
Os textos dele são livres de direitos autorais.
Confira o original no site dele, o  ZenHabits

Que pai e mãe nunca perdeu as estribeiras quando uma criança se comporta de maneira diferente do que você espera? Um pai ou mãe que não tenha perdido sua paciência é uma criatura mítica, provavelmente montada em um unicórnio em algum arco íris agora mesmo.
Eu posso contar as vezes que perdi a paciência como pai nos dedos de uma mão – claro que essa mão precisaria ter infinitos dedos e eu precisaria de um tempo muito grande para contar eles.
Contudo, posso dizer uma coisa: eu sou um pai muito mais calmo nesses dias. Eu ainda fico com raiva de tempos em tempos (Sou humano), mas não é mais algo recorrente diariamente ou sequer semanalmente.
Qual o meu segredo? Muita prática de consciência.
Eu percebi isso: gritar e punir não funciona.
Deixe-me dizer mais uma vez: gritar e punir são métodos ineficazes na maternagem. Se eles funcionassem, todos nós seríamos pais brilhantes e as crianças iriam se comportar para sempre depois que gritássemos.
Mas eles não funcionam. Eu não preciso de estudos de educação para me dizer isso: eu posso ver com meus próprios filhos. (Leo tem 6 filhos) Claro, eu posso gritar com eles, e talvez eles se aquietem por medo se eles acham que eu levantarei uma mão. O que eu estarei ensinando a eles não é como se comportar bem, mas a terem medo de mim. E pior, estarei ensinando a eles que gritem quando estão bravos, a resolverem os conflitos com violência, ao invés de apenas conversar sobre as coisas e chegar a uma resolução pacífica.
Estarei ensinando que o que eu quero é mais importante do que o que eles querem e que estarei disposto a fazer coisas horríveis para conseguir o que eu quero a qualquer custo, até mesmo o custo de nosso relacionamento.
Essas não são coisas que eu quero ensinar às minhas crianças. Quero que elas saibam que nosso relacionamento é mais importante do que conseguir que se comportem de determinada maneira em determinada hora.
E sim, eu sei que crianças precisam de limites – Eu acredito em limites também. Eu os coloco e minhas crianças sabem que não é legal ultrapassa-los.
E sim, eu sei que eles precisam ser ensinados a como se comportarem adequadamente. Eu somente não acredito que gritando é a maneira de ensiná-los o comportamento adequado. Perder minha paciência e me comportar de maneira negativa não é a maneira de ensiná-los a agir quando eles perdem a paciência e se comportam de maneira negativa.
Dar o exemplo que estabelecemos para eles – como agir quando as coisas não saem da maneira que gostaríamos – é muito muito mais importante do que as regras que estabelecemos para eles. Eles aprendem lições sobre comportamento a partir de nosso exemplo ao longo do tempo.
Caminhe a caminhada. É por isso que eu me comprometi a ser consciente e pacífico como pai, mesmo que eu quebre esse juramento de tempos em tempos. Quando quebro esse compromisso, eu peço perdão e falo sobre como estava errado. Porque esse é meu exemplo de como se comportar depois que você se comportou de maneira negativa.
Então aqui vão algumas lições para ajudar você a manter a tranquilidade quando as coisas não saem como você gostaria:
1.      Não é sobre você. Nós pais tendemos a tomar os comportamentos negativos das crianças de maneira pessoal, como se eles estivessem fazendo um ataque pessoal a nós ou ao que nós acreditamos, uma ofensa pessoal. É por isso que ficamos bravos. A raiva não ajuda, mas vem emerge porque acreditamos que eles fizeram algo para nós. Eles não estão realmente tentando nada contra nós – elas são somente crianças, e elas não sabem como lidar com elas mesmas quando não conseguem o que querem ou quando ficam bravas por alguma razão. É sobre o que elas estão passando. Se nós removemos “nós” da equação, podemos ver mais objetivamente o que elas estão passando e como podemos ajudar.
2.      Seja o guia deles, não seu ditador. As crianças precisam aprender a como caminhar no mundo, porque nós pais não estaremos sempre lá para dizer como agir. E o melhor jeito de ensiná-las não é ditar a lei o tempo todo – se nós ditamos as ações delas eles nunca aprenderão a tomar decisões por elas mesmas. Nós devemos deixar que elas tomem suas decisão, com limites é claro, e guia-las quando necessitam de ajuda. Imagine ser Yoda (o mentor) ao invés de Darth Vader (o ditador barra pesada). Nota de ajuda: usar Star Wars para ensinar lições às crianças é ótimo.
3.      O que elas precisam? Quando as coisas não saem do jeito que gostariam, quando elas estão bravas, quando estão com medo... do que precisam? Você gritando ou ameaçando não é útil – coloque você mesmo nessa situação (e se imagine menor) e se pergunte se você gostaria de alguém gritando com você quando você está chateado. Como você reagiria se alguém maior e muito mais poderoso que você estivesse gritando e te ameaçando? Você não gostaria disso e iria apenas ressentir.  O que seria útil? Talvez carinho? Alguma conversa calma sobre o problema, examinando soluções. Um pouco de compaixão e empatia. E algumas palavras firmes ou algo que impeça que realmente possa machucar eles.
4.      Tire um tempo de descanso. Quando você está bravo, no momento, geralmente é melhor que você se afaste, respire e se acalme. Converse com eles quando você estiver de cabeça fria e que possa pensar as coisas mais claramente. Isso é bem difícil de fazer, porque nós pais tendemos a apenas mergulhar e resolver a situação no momento. Mas é difícil tomar boas decisões, falar calmamente, agir racionalmente quando estamos bravos. E isso é verdade pras crianças também.
5.      Se você ainda não perdeu sua paciência, suspenda a situação por um momento. Quando você perceber que está se estressando com uma situação ou começando a ficar bravo mas não completamente ainda... respire fundo. Pause. Suspenda o momento e olhe pra dentro de você e veja você estressado ou frustrado. Dê a você mesmo um momento de compaixão para essa frustração, que é perfeitamente normal e Ok. Acalme a dor, deseje a você mesmo felicidade e então respire fundo novamente. Se você puder, tente perceber que o sofrimento do seu filho é parecido com o seu e que precisa de compaixão também.
6.      Se comprometa a ser consciente com eles. Eu prometi às minhas crianças que eu seria um pai mais consciente e pedi que eles me observassem. Se eles me pegassem perdendo a paciência, eles colocariam um dólar em uma jarra para comprar sorvete com eles. Ajudou – eles ainda não chamaram minha atenção. Hahahaha – eles nunca mais comerão sorvete! Apenas brincando – nós ainda tomamos sorvete.
7.      Saiba que você errou. Espere ter dificuldades mas aprenda com elas. Perceba onde você errou. Seja consciente enquanto a dificuldade está acontecendo e perceba isso como um bom passo em direção a ser mais consciente e a ter mais compaixão como pai. Reveja suas ações e ao invés de se sentir mal, veja onde você pode melhorar e tenha um plano para a próxima vez que isso ocorrer. É importante planejar enquanto você está calmo, não decida como lidar com as coisas quando você está bravo. Vá ajustando o plano da próxima vez que as coisas saiam errado para que o plano fique cada vez melhor ao longo do tempo e também seu modo de ser um pai com mais compaixão.
O problema principal é que temos um ideal enquanto pais de como nossos filhos deveriam se comportar. Nós pensamos que eles deveriam ser crianças ideais, mas na realidade eles não são ideais, eles são reais. Eles tem falhas, como nós. Eles precisam de ajuda, cometem erros, ficam bravos, frustrados. Como nós também. Vamos descobrir como se comportar quando nós cometemos erros, ficamos bravos, nos sentimos chateados e mostrar às crianças como fazer isso através de nosso exemplo.


Aceite eles pelo que são, com falhas e tudo. Ame-os completamente, com abraços ao invés de gritos. Eu descobri que abraços são professores mais eficazes do que qualquer coisa na minha maleta de ferramentas de parentagem. 

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Violência obstétrica não é drama, é realidade.

Sabe, uma das coisas que mais me feriu depois que publiquei meu relato nas redes, foi o fato de uma pessoa muito próxima a mim dizer que eu estava fazendo drama. Que meu filho tinha nascido bem e era isso que importava. Isso me doeu profundamente. Quando uma pessoa expõe seus sentimentos e a outra os menospreza é uma falta de humanidade, de compaixão, de amor e de respeito ao próximo. E sim, meu filho estava bem. Mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Meu bebê estava bem, mas eu não estava. Ter com quem contar fez toda a diferença pra mim.

Algumas pessoas se mostraram desinformadas e duvidosas sobre o relato da Maria* e da versão do médico Iaperi Araújo. Outras acham puro drama. Muitos alguéns disseram por aí: Eu não acredito que Iaperi tenha feito isso, ele é referência na universidade (o professor tem dedicação exclusiva na UFRN, apesar de ter atendido a paciente em um hospital particular de Natal). 

Pra vocês que pensam assim eu tenho algumas coisas pra falar. Você pode continuar na sua bolha de desinformação ou pode ler e procurar se posicionar de maneira mais consciente sobre o que aconteceu. As pessoas tem lados bons, mas tem lados bem ruins também. E geralmente eles se mostram quando a pessoa tem um poder legitimado. Seja quando ela está em casa e agride a família, seja quando está num hospital e agride uma mulher, como foi o caso.

Sobre a veracidade da história: fatos são fatos
O médico obstetra Iaperi Araújo publicou em seu perfil um desabafo antiético expondo o caso de uma paciente que era chamada pejorativamente de surtada e comedora de placenta. A história contada por ele parecia surreal demais pra ser verdade. Quando vi pensei: tenho certeza que essa mulher foi violentada. Espero que ela consiga justiça e que não fique calada.

Dias depois eu recebi a ligação de uma mulher muito abalada, dizia que queria conversar comigo porque achava que tinha sido vítima de violência obstétrica. Falou mais ou menos aos prantos o que acontecera e combinamos de ir até sua casa para conversarmos pessoalmente e para que eu pudesse dar as orientações possíveis. Não sabia que estaria diante do relato mais sofrido de violência obstétrica da minha vida até agora.

Faz cerca de dois anos somente que venho recebendo diversos relatos de violência obstétrica em nosso estado, em nome do Movimento pela Humanização do Parto e Nascimento. Esse foi sem sombra de dúvida o mais impactante.

Ela e a família começaram a me contar e entre pausas e questionamentos ficou nítido o quanto o caso tinha abalado a todos. Em diversos momentos do relato me segurei para não chorar e conseguir dar o apoio que julgava necessário. Dei as orientações cabíveis, expliquei a ela a necessidade de escrever um relato, tanto para expor sua versão, quanto para seu próprio processo de cura. Manteríamos contato dali em diante e ela poderia contar comigo.

Entrei no carro e chorei bastante. Fico sempre muito tocada com os relatos das mulheres, mas esse... era carregado de tanta violação, de tanto machismo, de tanta omissão de todos que ali estavam e que nada fizeram, de tanta falta de apoio de quem poderia ajudar... Estou desde então sem dormir direito, inquieta. Fico pensando se consigo lidar com tudo isso. As pessoas ao meu redor dizem que tenho que saber diferenciar o que é meu e o que não é, mas pra mim eu e ela estamos conectadas. Assim como todos nós estamos. E eu preciso encontrar uma maneira de mudar isso. Lembro claramente do momento em que decidir criar o Movimento, quando estava lá embaixo numa depressão e quando ainda escutava que a Promater tinha proibido a entrada de doulas depois de alguns partos naturais lindos. Busquei força no meu filho. E em outras mulheres. E lembro de uma frase que me motivou:

Quando eu me curo
Eu curo a outra

Eu ia lutar todos os dias para que nenhuma mulher precisasse passar pelo que passei. E foi isso que me motivou a me fortalecer novamente. Precisava encontrar meu eixo para seguir na luta.

Entrei em contato com as ativistas mais engajadas, com toda a blogosfera materna, com alguns blogs feministas. Contei o caso. Falei do relato, mas não o tinha em mãos. Torcia para que ela escrevesse, mas sabia do quanto escrever sobre o fato era um desafio emocional. Muitas mulheres me procuram, desabafam. Mas poucas conseguem seguir adiante para lidar com isso. Mas ela não. No dia combinado eu recebia o relato virtualmente. Rapidamente o repassei a quem poderia interessar. E então se formava a grande rede de apoio¹.

Então eu sou testemunha de que o que aconteceu aconteceu. Eu mais três ativistas que estão envolvidas com o amparo legal do caso. E uma jornalista. Sim, o caso aconteceu.

Sobre o anonimato
Mas por que ela não tem nome nem cara? Não aparece em nenhum lugar?
Obviamente se você faz essas perguntas, você precisa de mais solidariedade com o outro. Vou te colocar na seguinte situação: imagina que você sofreu um estupro. Você vai fazer o que? Colocar na rede social e sair contando pra todo o mundo? Mas por que você não faria isso? Não é uma situação agradável, não é? Não é uma situação que você queira reviver com essa frequência.

Agora imagina a situação da Maria*. Era o momento mais legal que ela poderia viver, o nascimento de seu filho. E esse momento foi roubado. Ela foi violentada, se sentiu abusada sexualmente. E mesmo assim cuida de seu filho 24h por dia como qualquer outra mãe no puerpério, lidando com todas as dificuldades naturalmente já impostas por essa fase. Mas além disso ela tem que lidar com pessoas insensíveis que emitem julgamento porque reconheceram ela pela publicação do médico Iaperi. A publicação teve sim repercussão negativa em sua vida.

Então não, ela não vai se expor mais ainda. Ela quer curtir o que lhe resta. E para ter voz ela não precisa ter cara. Todas nós mulheres damos voz a ela. E trabalharemos até que algum tipo de justiça seja feito. E vamos nos unir e nos fortalecer cada vez mais para mudar esse sistema.

Violência obstétrica não é drama, é realidade.
Mas depois de ler isso tudo pode ser que exista pessoas que acham que possa ter acontecido algo sim, mas que a história é muito dramática.

Xa eu falar uma coisa pra você: Violência obstétrica não é drama, é realidade.

Muitas mulheres nem sabem que sofreram violência obstétrica. Mas relatam sentirem uma memória ruim em relação ao parto. Nessa sociedade machista e nesse sistema patriarcal (sim, sou feminista e luto pela igualdade), com a interpretação pra lá de medieval do “parirás com dor”, a mulher que luta pela autonomia de seu corpo e de sua vida é taxada de surtada, com o objetivo de humilhá-la e deslegitimar seu poder de escolha.

Então, vou colocar algumas fontes confiáveis para você se informar e ver que violência obstétrica não é drama e que é uma realidade das maternidades públicas e privadas brasileiras. Ah, vale ressaltar que cesárea não salva ninguém de violência não tá? A violência obstétrica é institucional e de gênero. Ou seja, só por ser mulher é um fator de risco.
Vamos lá:
Não importa sua opinião pessoal sobre a mulher. Houve agressão, realização de procedimentos contrários às diretrizes do MS e da OMS, à portaria 371 e muita falta de respeito. Isso é uma violência. 


Mas se você ainda não ficou sensibilizado com o caso, faça o seguinte: fique grávid@ ou acompanhe alguém grávida que queira ter um parto natural, seguindo as recomendações da OMS, e diga que tem direito de decisão sobre seu corpo, que você quer respeito a sua autonomia e você terá uma grande probabilidade em testemunhar atos de violência obstétrica. Porque você está indo contra um sistema muito produtivo para a indústria do nascimento. Porque você depois vai ter que ir contra o corporativismo médico. Porque as pessoas esqueceram do que é prestar o cuidado. E a violência preenche as práticas rotineiras intervencionistas desses profissionais da assistência ao parto e nascimento.

Mas eu queria encontrar ela para dar um apoio
Deixe sua mensagem de apoio aqui: http://nosnaodormimos.tumblr.com/

E o que vocês estão fazendo?
Estamos em rede de apoio. A Lígia, do Cientista que virouMãe e as mulheres da Artemis estão coladinhas com o caso para ter encaminhamento, como o ocorrido com o caso de Adelir. Uma denúncia já foi entregue e acompanharemos o encaminhamento.

Você sabia?
O médico Iaperi (que disse que ia deixar a obstetrícia #torcemos) tem um processo no passado. Ele foi acusado pela morte de um bebê pelo uso de fórceps.

¹O Movimento pela Humanização do Parto e Nascimento no Brasil tem uma força muito grande, porque trabalha em rede. Se você sofreu violência obstétrica em Natal e se sente preparada para denunciar, denuncie. Você não está só. É extremamente essencial que a violência obstétrica saia da invisibilidade. Precisamos mudar essa realidade, todos os dias. Se você testemunhar alguma violência também, não fique calado. Ajude a fazer uma sociedade de paz.


Juntas somos mais fortes


domingo, 13 de julho de 2014

O reencontro, a roupa e a força

Você descobre a gravidez, a barriga cresce, as roupas deixam de caber e mudam. O bebê nasce e você passa os primeiros meses sem nem olhar direito pra você. Algumas passam anos. As roupas de antes que você guardou retomam às vezes o mesmo corpo, mas não a mesma pessoa. Talvez elas ainda te sirvam, ou não, mas não imprimem o que você quer. Na verdade você nem sabe direito com o que se sente bem mais. Com que roupa, com que cabelo. Mas chega uma hora que cansa tanto desencontro de si mesma.
Esse desencontro é tão comum. As mulheres depois que são mães são encorajadas muitas vezes a se apagarem. As que se afirmam e se expressam livremente, com ideias contrárias aos valores do patriarcado, sofrem muitas repressões cotidianas. De todos os lados. Afinal, poucas pessoas se deixam pensar diferente e refletir sobre seus preconceitos.

Eu senti isso depois de ser mãe. Se já tinha ideias feministas antes, depois elas se concretizaram mais ainda. A opressão parece que duplica. Mas a força interna quadriplica.

E aí veio ela, minha mãe. Tinha mais de um ano que não pensava sobre o que vestia. Sabia que não tava legal, mas não sabia também como seria. Saí uma ou duas vezes pra comprar roupa pra mim e saía com várias roupas pra Cauã. Chegou pra mim e me deu um shortinho jeans, bem curto. Vesti e me senti nua. Acho que nunca tinha usado algo tão curto na minha vida. Ela me encorajou e eu saí com ele. Demorou até eu me acostumar. Às vezes penso que até eu mesma precisava desconstruir a ideia de ser mãe dissociada da de ser mulher.

E foi libertador. Daí pra frente, fui me reencontrando. Mas não tanto. Foram doses homeopáticas nesses quase dois anos. Definitivamente posso dizer que os grandes catalisadores foram as possibilidades que tive de estar em círculo com mulheres e de estar junto de grandes mulheres amigas. É uma coisa incrivelmente fortalecedora estar compartilhando com mulheres.

Se você é mulher e mãe, recomendo fortemente que tenha um grupo de amigas mães também. É incrível como nos fortalecemos e nos curamos umas às outras. Não precisa de assunto pré-estabelecido, de ritual, símbolos nem nada. Basta estar de alma e coração junto pra crescer. Ontem nos reunimos mais uma vez, depois de muito tempo. Fizemos um escambo – levamos coisas do guarda-roupa que queríamos doar. Trocamos, damos e recebemos. E nos reecontramos nos fortalecendo, como sempre.

Muitas vezes a vestimenta está associada com a ideia de consumo e de superficialidade. Mas ela pode não estar também. Já pensou como a história da indumentária e a revolução feminista andam lado a lado? Ou como o momento histórico de uma sociedade pode ser muito bem compreendido pelas roupas que se usam? Por exemplo, na segunda guerra mundial, na França e na Alemanha a paleta de cores das roupas eram escuras. Os tecidos, grossos. Os sapatos, grosseiros. Porque era isso que a sociedade estava vivendo: escassez, rigidez e tristeza.

Na vida a vestimenta pode aparecer como fator auxiliar pro desenvolvimento de auto-confiança, auto-conhecimento. É isso que vem acontecendo comigo e com minhas amigas de jornada. Estamos nos reecontrando, nos reconhecendo depois de tanto nos afastarmos de nós mesmas. E quando a gente se reencontra, a gente se fortalece. Quando a gente compartilha, fica mais leve.

Sabe, hoje acordei diferente. Vesti a calça que peguei de uma amiga ontem no escambo, coloquei um sapato que não usava há cerca de 3 anos, botei um lenço na cabeça e me senti linda. Muito provavelmente não pelas coisas que me adornavam, mas pelo que o encontro prévio me proporcionara: um sorriso na alma e mais coragem para cumprir minha missão.

Estar em círculo com mulheres é um presente.

Estar em contato com nosso interior é uma sabedoria.

Poder compartilhar a jornada faz ela mais leve, e incrivelmente mais prazerosa!  

Que a energia feminina universal esteja conosco, sempre, nos lembrando do nosso poder criador!

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Minimalismo: menos é melhor

Lembra que postei um texto do Leo Babauta sobre minimalismo e publicidade? Hoje retomo esse assunto, que tem mudado a minha vida.

Tudo começou quando comecei a estudar sobre o método Montessori. Tudo o que eu lia dizia que era absolutamente essencial que estivéssemos atentos aos tipos de estímulos que dávamos às crianças. Isso através dos materiais que oferecemos, da decoração que colocamos, do que dizemos e fazemos na frente delas. E aí confesso que ficava um pouco incomodada com isso. Li textos muitos bons sobre a importância de ambientes “clean” (no sentido estético, além de higiênico, da palavra), mas o conceito não entrava no meu coração. Para mim, a ideia de um ambiente minimalista não era nada aconchegante. O que era aconchegante pra mim era algo assim:
Aí, um belo dia uma amiga muito querida anuncia sua mudança pro Canadá e diz que não pode levar nada. Confesso que fiquei congelada só de pensar na ideia de ter que ir pra um lugar e levar só uma mala. Ela tem uma filha de um ano e pouco. Tentei me colocar no lugar dela algumas vezes... e fui ficando bastante incomodada. Sentei no sofá (que era da casa dela, inclusive) da minha casa e fiquei parada, pensando. O que tinha ali que eu daria? O que tinha na minha casa que era realmente essencial? Se eu precisasse mudar pro Canadá, o que eu levaria?

E comecei a me descongelar. Comecei a me ceder pro desapego e me despir do medo. Comecei a perceber que aquilo era muito coerente com viver conscientemente.

Aí fui fazer minha leitura do ZenHabits, que sempre me revigora, e PÁ, um texto sobre minimalismo. Sabe, o Leo, autor desse blog, tem SEIS filhos. Eu juro que inicialmente, pra não sair da minha zona de conforto, pensei, ah! Mas eu tenho criança... não dá pra ser minimalista com criança.

Mas dá. Se com seis crianças dá, imagina com uma.

Comecei a perceber como era absurdamente presente na minha vida coisas sem uso e como aquilo atrasava minha vida. E comecei a me aterrorizar diante da ideia de passar esses valores pro Cauã. Coisas que nem eu mesma percebia! Então, conversei com o companheiro (que já era minimalista na essência) e ele topou. O desafio maior seria (e ainda é) pra mim, eu sabia.

Comecei cômodo por cômodo. Tem cerca de 4 meses que estou nesse processo. Já tirei mais de 10 sacos enormes de coisas pra doar e de lixo. E a coisa começou a me dar gosto. Sabe, parar em um ambiente e ficar refletindo sobre as coisas que tem nele e ver o que realmente tem uso pra se desapegar é uma atividade para lá de terapêutica. Já chorei bastante, me apeguei e desapeguei, desapeguei e apeguei de novo(mas já tinha dado e tive que desapegar). Vendemos alguns móveis, completamente inúteis ou acumuladores de coisas desnecessárias. E então percebi uma coisa maravilhosa.

Percebi que com menos, se tem muito mais. Muito mais tempo, mais espaço, mais liberdade. Fica muito mais fácil de manter as coisas organizadas, limpas. Poxa, que merda de necessidades criadas que eu tinha (e ainda tenho) e não sabia! Confesso que hoje, se tivesse que mudar pro Canadá sem nada, seria algo muito menos doloroso do que quatro meses atrás.

O Minimalismo não é se livrar de tudo. Não tem regras, na verdade. Trata-se apenas de avaliarmos o que realmente é essencial em nossas vidas, e se livrar do resto. Para mim foi mais uma forma de viver ativamente, refletindo sobre as coisas da minha casa, as coisas que compro (realmente preciso delas?). Praticar o desapego. Está muito relacionado com outros movimentos de viver conscientemente como o yoga, o veganismo e o movimento pela humanização do parto.

E lembro do que li no blog daSandra (recomendo fortemente) sobre ser como a tartaruga. Li aquilo e achei tão bonito. Ela é de Natal mas já morou em diversos lugares no exterior. Continua morando por lá. Perguntaram pra ela se não era muito difícil viver assim, longe da família e tal. Ela disse que ela é como a tartaruga, a casa dela vai com ela pra onde ela for. Entendi essa casa não como as coisas materiais, mas os sentimentos e memórias que ela leva sempre, independentemente de onde estiver.

Um desafio ser como as tartarugas...

E se você quer saber rapidamente mais sobre Minimalismo, dá uma olhada nesse vídeo aqui (em inglês com legenda em espanhol), é muito bom para refletir:

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Ressignificando as birras: a criação com vínculo é o princípio da não violência (ahimsa) na educação

Juro pra você que eu não acreditava muito quando me diziam que quando Cauã crescesse é que ia dar "trabalho". Hoje percebo como na verdade o cuidado existe de maneira menos intensa do que quando são recém-nascidos, mas incrivelmente mais complexa. Se antes podíamos fazer as coisas quase que no automático hoje exige bastante auto controle e empenho em estudar para lidar com as contrariedades e dar o exemplo, educando.
Antes de ser mãe eu achava que "minha mãe me batia e eu tô aqui viva e tudo bem". Mas quando comecei a ler sobre a criação com vínculo, juro que fiquei chocada como eu pensava assim antes. Não quero ser sobrevivente, não quero que meu filho seja um sobrevivente. E comecei a perceber o ciclo de violência que se formava a partir daí. A opressão, o medo, o descontrole emocional, a falta de equilíbrio dos pais e consequentemente dos filhos.

E tem um grupo novo, do naipe da Supernanny, que não batem. E por isso acreditam que não estão educando com violência. Ao invés disso, colocam no "cantinho do pensamento". Vale ressaltar que as crianças não tem estrutura biológica e nem cognitiva para refletir sobre o que fizeram. Simplesmente não funcionam assim. Então, deixando-as sozinhas para que cheguem a conclusões sozinhas não vai fazer com que compreendam a causa do que fizeram não ser legal para os cuidadores ou para outras crianças. 

Ao invés de punir as crianças, seja por tapas ou castigos, o acolhimento se mostra mais coerente com a estrutura cognitiva e biológica para estruturar a compreensão das atitudes e emoções. Vamos combinar que essa opção também é mais.... Humana, não é mesmo? Falamos tanto da humanização do cuidado, da saúde, da morte, de tudo.... e da educação também.

Recentemente fiz um curso de yoga para gestantes e durante o curso deram o exemplo de criação com limites no estilo de educação mostrada nos programas da Supernanny. Confesso que fiquei um tanto surpresa, achei bastante incoerente. Na yoga falamos, aprendemos e procuramos viver o ahimsa, que é o princípio da não violência. Ele deve estar em todos os aspectos da nossa existência: no falar, no pensar, no comer, no agir e claro no educar. Achei importante colocar a situação da criação com vínculo e outras instrutoras de yoga entenderam inicialmente que era um modo de educar permissivo. Mas depois esclareci que não é.

E não é. A criação com vínculo não tem uma cartilha pronta, mas fornece as ferramentas para que possamos compreender os momentos pelos quais as crianças estão passando, os turbilhões de picos de crescimento, maturação neuronal, motora, dentre outras, para que possamos estabelecer os limites com afeto. Conheço amigas que tem filhos com 3, 6 e 9 anos que nunca se utilizaram de tapas ou castigos para educação e que tem filhos com limites.   

Assim podemos cortar o ciclo da violência. Mostrando que através do diálogo podemos nos entender, podemos ajudar um ao outro a entender melhor os sentimentos e as situações, estreitando o vínculo e promovendo a paz. Isso é ahimsa na educação.

Muitas pessoas desconhecem a criação com vínculo e por isso é de extrema importância que possamos divulgar cada vez mais para que os pais criem uma rede de apoio e troquem figurinhas sobre a criação. Afinal, sabemos o tanto que ma/paternar é um desafio diário e uma belíssima oportunidade de melhorarmos a nós mesmos para sermos bons exemplos pros nossos filhos.

Vale cada minuto ver o vídeo abaixo do programa Em Família do Canal Saúde:


quinta-feira, 19 de junho de 2014

Um chamado para a revolta: a publicidade é anti-minimalista

Tem um site que eu adoro ler. Principalmente quando me sinto meio down precisando de uma leitura revigorante, corro pra ele. Foi ele, o Leo Babauta que me instigou na busca em ser minimalista. Faz uns 4 meses que estamos nesse movimento aqui em casa, e tem sido uma roda gigante de emoções. Mas antes de falar do que venho vivendo, achei interessante traduzir esse texto dele sobre minimalismo e publicidade publicado nessa semana no site dele, o Zen Habits. Acredito que esteja muito relacionado a muitas coisas que falo aqui no blog. Os textos dele são livres de direitos autorais, porque assim ele acredita que suas palavras alcancem um maior número de pessoas. O nome do texto original é  A Call for Revolt: Advertising is the Anti-Minimalism, que você pode acessar clicando aí no título em inglês.

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O maior obstáculo para uma vida minimalista é a publicidade.

Vamos pensar sobre essa afirmação por um minuto: o que é uma vida minimalista e o que nos impede de alcança-la? Como a publicidade está envolvida?
Uma vida minimalista pode ser muitas coisas, mas em sua essência é tornar-se consciente sobre o que temos em nossas vidas. O espaço é limitado: nós temos horas limitadas em um dia, anos limitados em nossas vidas e espaços físicos limitados em nossas casas.
E nós enchemos todo esse espaço limitado inconscientemente, enchendo-o demais sem considerar ao menos se essa é a melhor maneira para usar nosso espaço.
Minimalismo é sobre pausa, e questionamentos sobre o que realmente é necessário. O que pertence a esse espaço e o que pode ser retirado? É a fantasia em nossas mentes que é a causa para buscarmos preencher inconscientemente a realidade que pensamos que fôssemos viver?
O objetivo da publicidade é exatamente o oposto: ela quer que nós gastemos sem pensar sobre isso. Quer quer compramos no impulso. Quer implantar fantasias em nossas mentes que façam com que saiamos e compremos.
Pense sobre um anúncio para roupa, ou para um produto da Apple, por exemplo: eles mostram lindas pessoas vivendo vidas maravilhosas, centrada na solução simples de possuir o produto em suas mãos (ou em seus corpos).
Anúncios para um sabão fazem com que pensemos que nós não teremos somente uma pele limpa, mas uma maçã do rosto perfeita e um namorado bonitão que nos ama.
Anúncios para um novo aplicativo fazem com que pensamos que de repente seremos mais organizados e mais produtivos e todas nossas necessidades serão magicamente sanadas com esse programa muito bem desenhado em nosso smartphone.
Obviamente, nada disso é verdade – nós não seremos mais organizados nem produtivos, nem mais saudáveis e bonitos, nem mais propensos a ter um(a) namorad@ bonit@ se comprarmos qualquer um desses produtos. Seremos apenas mais pobres com mais coisas para encher nossas já tão cheias vidas.
O pior da publicidade é que não só implanta fantasia em nossas mentes que nós instantaneamente queremos... como também nos dá uma sensação de vazio. De repente não nos sentimos completes, nem felizes, porque não vivemos a vida ideal. Nós não somos bons o suficiente ainda. Nós não somos felizes ainda.
E comprar não irá melhorar esse vazio. Nós compramos, e ainda não temos a fantasia, e então nos sentimos mal sobre nós mesmos. Nós ainda temos o vazio em nossos corações que nunca poderá ser preenchido.
Publicidade é o sussurro insidioso do anjo mal do comércio.
Eu não culpo os publicitários: eles foram pegos em um jogo onde eles tem que fazer publicidade ou morrer. Eu não culpo os consumidores: essa é a sociedade em que vivemos e nós nunca vivemos de uma maneira diferente.
Eu não culpo nem as agências de publicidade: os Googles e Don Draper do mundo só estão tentando fazer grana como tomo mundo, e descobriram o que funciona. Por que não fazer o que é eficaz, né?
Não culpe o jogador. Culpe o jogo.
Estamos presos em um jogo no qual temos que fazer mais dinheiro e consequentemente fazer propaganda, e para ser eficaz nisso precisamos introduzir fantasias inalcançáveis, um sentimento de vazio que não pode ser atenuado.
Estamos presos em um jogo onde o processo inteiro é OK com todo mundo, na verdade porque os mais bem-sucedidos são aplaudidos - Steve Jobs, Jeff Bezos, Barack Obama, Larry Page, Mark Zuckerberg, Steven Speilberg, Walt Disney, et al – eles são os vencedores de nossa sociedade. Nós endeusamos eles.
As pessoas que fogem desse jogo são ridicularizadas e taxadas pejorativamente de hippies, esquisitões e vagabundos.
Eu digo que devemos sair desse jogo. Pegue ele pelo cinto e mande-o para a calçada.
Eu acho que devemos nos revoltar.
Nós podemos nos revoltar simplesmente escolhendo sair disso. Eles não tem uma opção de entrada no formulário desse jogo, mas nós mesmo assim podemos sair mesmo sem terem nos dado essa possibilidade.
Nós podemos fugir não assistindo propagandas. Não tendo elas em nossos sites. Não comprando ingressos pra filmes que são simplesmente propagandas inteligentes. Não acreditando nas fantasias. Não comprando por impulso. Não usar como terapia ir às compras. Não usar compras como uma solução para tudo. Não apoiar as mídias que apenas estão lá para que leiamos os anúncios entre as estórias. Não indo a sites que tenham propagandas com popups intrusos. Não ouvindo a propagandas da radio. Não assistindo vídeos online que tenham propagandas. Não usando o email com propaganda. Não utilizando logos em nossas roupas. Não tatuando logos em nossos corpos. Não indo para parques temáticos que são apenas grandes propagandas para seus produtos. Não comprando quando estamos de férias. Não comprando presentes para celebrar datas. Não comprando smartphones por causa de anúncios que vimos. Não comprando roupa ou maquiagem ou produtos para a pele que façam com que pareçamos com a fantasia. Não lendo revistas que tentam fazer com que tenhamos uma fantasia de como deveríamos parecer. Não assistir a programas de TV patrocinados por anúncios.

Parece muito? Sim, eu concordo: estamos muito impregnados em propagandas. Não podemos sair deles. Somos dependentes. A revolta é muito revoltante. De volta a sua programação regular programada

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Seu discurso é contra produtivo?

Cauã enfia o dedo na tomada. Eu digo Não faça isso Cauã, machuca. Ele faz de novo. Eu digo Cauã, Não. Ele faz de novo. Eu digo com a voz alterada Cauã, NÃO pode. Ele continua. Chego a conclusão de que não adianta perder a cabeça, gritar e se estressar. Estou sendo contra produtiva. Não estou oferecendo outras opções mais interessantes que a tomada naquele momento. Tomo consciência, olho ao redor e peço pra ele pegar a bolinha do gato que estava no corredor. Ele vai, joga e começa a brincar comigo e o gato. Não volta pra tomada. 
Tem tantos momentos na nossa vida que somos contra produtivos. Algumas pessoas costumam ser na maior parte do tempo. Mas quando estamos vivendo conscientemente de nossas ações, muito dificilmente aceitaremos viver sendo contra produtivos. Porque ser contra produtivo cansa bem mais do que não ser. Exige maior energia em tentar se fazer entender e acabamos escolhendo vias negativas para conseguir uma comunicação eficaz, geralmente nos impondo através do grito, da grosseria. E aí as coisas tendem a ficar bem mais pesadas e desagradáveis. Lembro que quando comecei a ser ativista da Humanização do parto, tinha a errônea concepção de que as mulheres que faziam cesáreas e que tinham um discurso cesarista fossem pessoas más. Depois de amadurecer e de me informar, consegui sair do papel da dualidade de bomXmau e passei a perceber como era ruim pra mim entrar em debates contra produtivos com pessoas que não estavam a fim de compartilhar, ouvindo e falando, mas de impor o que acreditavam. E eu era uma dessas também. Queria impor. Agora não faço mais isso. Me consumia um montante de energia que agora escolho empregar pra fazer a informação chegar através de ações educativas aonde ela não está chegando:nas mulheres. Em outras esferas da nossa vida também podemos ser contra produtivos: nos relacionamento quando não falamos abertamente o que sentimos, quando estamos obcecados por algo que por algum motivo de ordem superior (destino? Deus? Energia cósmica ou como queira chamar) não acontece nunca, quando entulhamos nossas casas e armários de coisas além do que é realmente necessário (apesar de quantitativamente isso ser subjetivo), quando pensamos demais e não agimos nunca, quando não cuidamos da nossa saúde, da nossa alimentação, da nossa mente.... Ou quando o medo nos paralisa. Para mim a maternidade se mostra sempre como agente catalisador de mudanças positivas, e viver conscientemente em todos os aspectos da minha vida tem feito a minha vida melhor e bem mais produtiva. Quando digo produtiva, não me refiro à conotação negativa do modus operandi capitalista. Quero dizer que me tornei mais consciente do que quero fazer aqui, de quanto e como gasto minha energia, meu tempo de maneira a tornar a vida mais leve e feliz de acordo com meus valores e crenças de agora. 
E você? Já percebe quando é contra produtivo? Onde gasta mais energia?