quarta-feira, 26 de março de 2014

Sobre o desmame

Eu sou apoiadora incondicional da amamentação. Quando fiquei grávida esperava ansiosamente por esse momento. Quando ele aconteceu, depois de alguns perrengues, foi maravilhoso! No início eu não entendia mulheres que não queriam amamentar. Na verdade não só não entendia, como também as julgava. E depois, ao longo do tempo, fui vivenciando a maternidade e percebendo os vários aspectos emocionais relacionados à amamentação e percebendo como é complexa essa entrega. Laura Gutman, no livro A revolução das mães: o desafio de nutrir nossos filhos, diz:
Portanto, digamos com todas as letras: para dar de mamar temos que estar dispostas a perder toda a autonomia, liberdade e tempo para nós mesmas. É uma decisão. Na medida em que optemos por uma modalidade, perderemos vantagens na outra. Explicando de outra forma: se nos apegamos a nossa liberdade pessoal, possivelmente o bebê tenha que se conformar com outros alimentos, porque mãe e filho não encontrarão prazer nem relaxarão na amamentação. Ou, ao contrário, se decidimos dar prioridade a amamentação, perderemos liberdade e vida própria. Ambas as situações, amamentação e liberdade, não são compatíveis. Ninguém pode determinar o que é que cada qual deve fazer. Mas sim é importante que saibamos o que ganhamos e o que perdemos frente a cada decisão”
Confesso que em alguns momentos amamentar pode ser bem cansativo e enfadonho, principalmente quando há um aumento da demanda ou quando passamos por estresses da vida cotidiana. Algumas vezes nesse um ano e cinco meses de amamentação já cogitei a possibilidade de fazer o desmame, por não estar disponível emocionalmente a me entregar pra amamentação. No meu caso, quando passo por essas sensações negativas procuro uma maneira de lidar primeiro com elas sem interferir na amamentação, para perceber se consigo me resolver para voltar a me entregar. E tem funcionado. Mas para algumas mães não é possível, e é essencial conhecer nossos limites. Passei a estudar cada vez mais como seria possível fazer um desmame respeitoso com a criança e que respeitasse também os limites da mãe, depois que algumas amigas passaram por situações emocionais bem complicadas que não seriam fáceis de resolver e que se sentiam exaustas para amamentar.

A amamentação é muito importante pra saúde da mulher, do bebê e para o vínculo de ambos. Previne doenças, aumenta o sistema imunológico, auxilia na construção da confiança, no desenvolvimento craniofacial, entre tantos outros benefícios. A Organização Mundial da Saúde (OMS) orienta amamentar exclusivamente até os 6 meses e de maneira continuada até 2 anos ou mais. A composição do leite muda de acordo com o crescimento da criança. O leite materno é tão perfeito que contém exatamente o que a criança precisa naquela faixa etária. Por exemplo, o leite materno no segundo ano de vida é composto por:


  • 95% do total de vitamina C necessária;
  • 45% do total de vitamina A necessária;
  • 38% do total de proteínas necessárias;
  • 31% de calorias necessárias.

Outro ponto importante é que a proteção imunológica continua enquanto a criança é amamentada. Alguns benefícios extras de crianças amamentadas são: ficam menos doentes, tem menos diarreia, vão menos ao pediatra, tem menor risco de desenvolver obesidade, maior facilidade de sociabilidade, são mais espertas e permite um desenvolvimento emocional mais sólido. A amamentação se torna uma importante atividade para auxiliar a criança a adquirir sua independência. E essa aquisição ocorre de maneira natural quando ocorre o desmame natural, pois não se força a criança a pular estágios que ela ainda não alcançou de seu desenvolvimento. Desconheço artigos científicos que tragam pontos negativos da amamentação prolongada. O que os profissionais de saúde muitas vezes indicam, um desmame a um ano de vida na verdade está relacionado a fatores culturais e não às evidências científicas e orientações da OMS e MS.


O homem é o único mamífero em que o desmame (aqui definido como a cessação do aleitamento materno) não é primariamente determinado por fatores genéticos e instinto, sendo fortemente influenciado por fatores socioculturais. “ Elsa Regina Justo Giugliani, SBP
Um estudo de 1993¹ relata que a idade média encontrada para o desmame natural foi de 3 a 4 anos. O desmame precoce tem sido associado a uma necessidade emergencial de maior independência das crianças; sem a preocupação se ela está preparada para essa quebra. Ossos do ofício do modo de vida ocidental pós industrial onde os bebês aparentemente tem que sobreviver, porque a “vida não é fácil”, “ter independência é muito importante”. Enfim, com a industrialização da vida e o distanciamento do nosso eu, a relação mãe e bebê acaba sendo desconexa, mecânica, o que prejudica as interpretações dos símbolos que o bebê mostra. Ou seja, não há uma comunicação eficaz entre mãe e o bebê. Mera coincidência ou um reflexo da maneira que a sociedade vive?
Hoje, em muitas culturas “modernas”, a amamentação prolongada (cujo conceito varia de acordo com a “convenção” da época e do local) freqüentemente é vista como um distúrbio inter-relacional entre mãe e bebê. Perdeu-se a noção de que o desmame não é um evento e sim um processo, que faz parte da evolução da mulher como mãe e do desenvolvimento da criança, assim como sentar, andar, correr, falar. Nesta lógica, assim como nenhuma criança começa a andar antes de estar pronta, nenhuma criança deveria ser desmamada antes de atingir a maturidade para tal. Em harmonia com esta linha de pensamento, Dr. William Sears, um antigo pediatra, recomendava “Não limite a duração da amamentação a um período pré-determinado. Siga os sinais do bebê. A vida é uma série de desmames, do útero, do seio, de casa para a escola, da escola para o trabalho. Quando uma criança é forçada a entrar em um estágio antes de estar pronta, corre o risco de afetar o seu desenvolvimento emocional”. Essas palavras sábias podem ter pouco respaldo em sociedades individualistas, que tendem a acelerar o processo de independização do ser humano, substituindo o seio por métodos de auto-consolo como chupetas, paninhos, mantinhas, ursinhos, etc. […] Já se avançou muito na valorização do aleitamento materno nos últimos tempos. A recomendação da duração da amamentação passou de 10 meses na década de 30 para dois anos ou mais nos dias de hoje. Atualmente, fala-se em desmame natural como a forma ideal de desmame, sem especificar uma idade mínima ou máxima para que esse processo ocorra. Apesar desse avanço ainda estamos longe de encararmos o desmame como um marco do desenvolvimento da criança. Para chegarmos a este estágio, faz-se necessário entender e enfrentar as circunstâncias que, segundo Souza e Almeida, “ultrapassam a natureza e desafiam a cultura e a sociedade”. Elsa Regina Justo Giugliani, SBP
Há também uma sexualização do ato de amamentar. Culturalmente crianças que andam e que são amamentadas são vistas com certa desconfiança. Para algumas pessoas há até mesmo a desconfiança em relação à saciedade e ao teor nutritivo que o leite materno pode ter. O leite da vaca seria melhor? Não. O leite da vaca é do bezerro. E não deveria ser de ninguém mais. Pela vaca, pelo bezerro e pela saúde do nosso corpo, que consome uma bomba e sobrecarrega o organismo desnecessariamente, desequilibrando-o e tornando-o mais propenso ao desenvolvimento de doenças. (Saiba mais aqui)
“Através da amamentação, a mãe recebe uma resposta da boca do seu filho, das mãos dele, do corpo e dos olhos dele. Isso dá-lhe informação sobre como ele se sente e sobre o que ele está a fazer. Quase todas as mães que amamentam até mais tarde, afirmam que esta intimidade com o bebê é o elemento mais satisfatório da amamentação. Quando a mãe está a ter este tipo de prazer, ele transmite-se, por sua vez, ao seu filho. Os sorrisos dela, as carícias e o relaxamento do seu corpo, tudo isso ajuda a tornar a experiência da amamentação mais agradável para o seu filho, também. O contato da pele entre mãe e filho, estimula a hormona prolactina que pode aumentar os sentimentos maternais. Estes sentimentos maternais e de proteção em relação ao filho defende a criança de possíveis maus tratos e abandono por parte da mãe. Em países onde se tem melhorado e aumentado a amamentação devido às mudanças nas práticas hospitalares para que não haja separação entre a mãe e o bebé, encontrou-se uma redução no abandono de bebés por parte das mães.”¹
E quando amamentar não é mais prazeroso para a mãe? Quado ela está desgastada por diversos fatores de seu cotidiano, cansada emocionalmente, o que fazer? Antes de orientar a como fazer um desmame artificial de maneira gradual e mais respeitosa ao tempo do bebê, é bom nos perguntarmos as motivações de realizar o desmame, tomar consciência das consequências para mãe e bebê e para que a mãe tome uma decisão. Eu mesma, em alguns dias exaustivos ou em situações emocionalmente ruins, não sinto o prazer e a disposição em amamentar que sinto em outras oportunidades. Ajuda conversar com alguém, sair pra caminhar, ir a praia... 
“O pedido de ajuda para desmamar deve ser ouvido e acolhido com um pouco mais de sensibilidade por parte de quem se propõe a ajudar, visto que, na maioria das vezes, quando a mulher consegue verbalizar verdadeiramente o que a incomoda ou deseja, e uma vez que isso é realmente sanado, a amamentação pode continuar seguindo tranquilamente um caminho de alegria e sintonia entre mãe e filho!  Geralmente o pedido para desmamar é apenas um SINTOMA que demonstra outros problemas, outros desejos e necessidades daquela mãe, que são, na verdade, as coisas que precisam de cuidado e atenção. E passar por isso, para a mulher, pode ser uma ótima oportunidade para que ela aprenda a enxergar, verbalizar e legitimar seus verdadeiros sentimentos, desejos e necessidades! “ Luzinete R. C. Carvalho (psicanalista) (GVA)
Existem alguns tipos de desmame: o abrupto, o noturno, o gradual e o natural. O desmame abrupto é aquele feito sem levar em consideração o tempo da criança, de maneira abrupta. O desmame noturno é o que caracteriza um desmame guiado pelo bebê somente pelo período da noite/madrugada. O desmame gradual é também guiado pelo bebê e feito de maneira lenta. O desmame natural é o desmame ideal, quando a criança deixa de mamar sozinha. Não existe receita de bolo para fazer o desmame. Mas ele deve ser feito considerando a idade do bebê. No mínimo do mínimo um ano, mas mesmo assim as perdas são muito grandes. A partir dos dois anos pode-se considerar um mínimo com menos prejuízos. Cada binômio é um mundo diferente, carregado de emoções, vivências, rotinas e pessoas diferentes. O que temos que ter em mente, após conhecer e pesar na balança os motivos e os prejuízos para o desmame é que ele deve ser feito de maneira gradual, carinhosa e respeitosa ao tempo do bebê; por acordo da mãe e do bebê. Existem três aspectos que devem ser observados se existem sem a amamentação para considerar o desmame, que são sinais da maturidade e autonomia da criança: nutrição, afeto e comunicação.

Os estudos científicos mostram que o desmame não melhora o sono, nem o apetite e não torna o bebê um ser independente. Fique atenta a profissionais de saúde que indicam desmame por prescrição de medicamento. Muitos deles tem total desconhecimento que a maioria dos fármacos são compatíveis com a amamentação. Confira a lista de medicamentos que podem ser utilizados na amamentação de fontes confiáveis aqui e aqui. O desmame natural ocorre quando o bebê está pronto, é um estágio de seu desenvolvimento que foi atingido e que ele suspende por ter suprido o que lhe faltava para seguir adiante.

Jamais deve-se utilizar artifícios para que a criança rejeite o peito.
"O mais cruel e nocivo dos desmames abruptos é aquele que faz com que a criança prove no seio da mãe algo ácido, azedo ou amargo, especialmente quando isso é associado a uma visão terrível (seios pintados, com band-aid etc) do seio, objeto que até então só trazia prazer e que aparece repentinamente como algo assustador. […] Esses sentimentos e impressões ficam inscritos no córtex para o resto da vida, a confusão entre prazer e desprazer ficará gravada e um dos sintomas mais comuns será a inabilidade da pessoa para acreditar que merece prazer e que ele pode ser algo perene, confiável. Perdurará a impressão de que o prazer pode a qualquer momento virar uma ameaça. Nos piores casos a pessoa não consegue buscar o prazer, já caminha diretamente para a punição.Cláudia Rodrigues (retirado do Grupo Virtual de amamentação)
A amamentação é o primeiro vínculo entre mãe e bebê e é preciso compreender isso como a solidificação de uma relação de uma vida inteira. O que ocorre nessa fase fica guardado e pode refletir na infância e vida adulta em sentimento ruins sem causa aparentemente explicável. Por isso é preciso mais sensibilidade para enxergar esse momento e procurar ter respeito, amor e cuidado. O desmame gradual permite uma adaptação física e emocional da mãe e do bebê. Na mãe o desmame abrupto está relacionado à depressão, ingurgitamento mamário, mastite. O desmame gradual respeita a maneira que o bebê lida com a perda do contato íntimo da amamentação ao ser substituída por outros contatos.

Existem alguns métodos para o desmame noturno, como o da Elizabeth Pantley, Dr. Jay Gordon (ambos em inglês). Em português traduzido o da Elizabeth Pantley tem na De Peito Aberto Esses métodos são guiados pelo bebê e não concordo com nenhum deles plenamente. Talvez eles possam servir de orientação geral e não como um passo a passo. É preciso estar atento aos sinais que o bebê dá, considerar modificar outros aspectos e ir percebendo, escutando seu coração para ver o que funciona melhor para vocês.

Deixo abaixo como sugestão essas leituras para que as mães façam decisões conscientes.

DIGA NÃO AO DESMAME ABRUPTO.

Fontes:
-A revolução das mães: o desafio de nutrir nossos filhos - Laura gutman


domingo, 16 de março de 2014

O menino que queria pintar as unhas

Azul com purpurina prata. Assim estavam pintadas as unhas da tia preferida dele. Ele achou o máximo, pegou a mão, o dedo, a unha, olhou de perto. Mexeu pra um lado e mexeu pro outro. Viu a mudança de luminosidade no brilho quando se movia. Fazia isso levemente, sorrindo e falando. Pegou o esmalte, pediu pra pintar também. O pai pintou uma unha. Ele foi mostrar. Mostrou pro cachorro, pro gato, pra mãe, pra avó. Voltou, pediu pra pintar mais. O pai pintou a outra unha. De rosa. Ele achou o máximo. Mostrou pra todo mundo! Sorrindo! Quanta alegria! Então uma tia disse algo que repreendia pintar a unha de um menino. Ninguém deu muita bola. Eu fiquei refletindo. Que coisa esquisita. Brincadeira legal daquela, todo mundo se divertindo! Claro que entendi o preconceito de gênero, essa coisa incrustada na nossa sociedade: o machismo. Que pena danada, pensou, quando vejo que a grande maioria de nós humanos ainda vive como se ter pênis ou vagina que definisse se somos homens ou mulheres. Se gostamos de homens ou mulheres. Isso porque passamos a imensa maior parte do tempo cobrindo nossos órgãos sexuais. Já pensou? Se fosse só isso, na verdade só saberíamos se todo mundo andasse nu. Mas não andamos. Cauã adora colocar minhas tiaras. E ele usa. Eu uso. O pai já usou. Ele adora brincar de bola. Eu brinco, o pai também. E não é isso nem aquilo que vai fazer dele menino ou menina. Não estamos preocupados com isso. Ainda não consegui me desvencilhar de outras concepções incrustadas dessa porcaria de concepção de gênero, como a escolha de roupas. Mas vamos caminhando. Por enquanto ele parece confortável usando as roupas que usa. Mas se um dia ele não sentir, procurarei auxiliá-lo a encontrar as que lhe parecem mais confortáveis. Esperamos propiciar pra ele uma plenitude de infância com aprendizados de todas as brincadeiras legais e divertidas. No fim o que importa é que ele esteja feliz e se sinta amado. E nisso a gente se empenha! 



terça-feira, 4 de março de 2014

Veganismo e humanização do parto: vivendo de maneira consciente

Um colega me mostrou um texto muito bom da maravilhosa Laura Gutman, que me instigou a escrever esse texto. Já faz algum tempo que consigo perceber uma relação entre os movimentos do veganismo, da humanização do parto e do feminismo. Os três lutam pela libertação e os três buscam através da informação um mundo mais igualitário e mais consciente. No veganismo acontece a alimentação consciente. Foi o que aconteceu comigo. Fui me informando e cada vez mais que sabia o que acontecia aos animais e como funcionava a indústria alimentícia de produção em massa e naturalmente passei a mudar minha alimentação e meu modo de vida. Tomei consciência e não tinha como ter um modo de vida incoerente com o que passei a saber. Na humanização do parto acontece o parto consciente. Luta-se pelo respeito ao protagonismo feminino, pela prática baseada em evidências científicas e pelos direitos reprodutivos femininos. O que já dá o link pro feminismo. No feminismo acontece a igualdade de ser Humano por ser Humano, não pelo que você carrega (ou não) entre as pernas. Os três temas abraçam minorias. Deixarei para um próximo texto o aprofundamento na questão do feminismo com os dois outros movimentos. Hoje quero falar especificamente sobre viver de maneira ativa e consciente.

Nesse final de semana de carnaval encontrei uma conhecida, que não sabia que estava grávida. Parabenizei e fomos conversando até que chegou no tópico parto. Ela disse algo que deu a entender que parto normal era algo muito assustador.
Perguntei: você já sabe como quer que ele venha ao mundo?
Ela disse: acho que não quero parto normal.
Eu: Por quê?
Ela: Porque é muito sofrimento.
Eu: Será que é mesmo? Tem mulheres que tem orgasmo durante o parto! Imagina aí se não é possível ter um parto com prazer!
Ela, meio com vergonha, disse: Eu tenho muito medo.
A mãe então se mete no meio da conversa e diz: Ela é muito medrosa! Até parece que vai encarar um parto normal.
Aí eu disse: Você tem medo de que? Olha, com uma equipe bacana, você pode buscar lidar com esse sentimento e parir de maneira fortificadora.
A conversa seguiu e a gestante pegou meu telefone para procurar um grupo de apoio na cidade em que mora. Mas bem, o que quero focar aqui é que já tive esse tipo de conversa inúmeras vezes e em todas elas o que me deixa triste é o fato dessas mulheres estarem tão desconectadas delas mesmas. O parto pode ser um ritual transformador, com o encontro e o enfrentamento de questões emocionais que nos tornarão mais fortes. A maneira como lidamos com o nascimento diz muito da maneira que lidamos com a vida. Distante, desconectada, passiva. A vida gira no automático, o tempo passa passa passa e nada se cria, nada se faz para mudar o que nos incomoda. Poxa! Que desperdício! Gosto de pensar que é uma questão de tempo. Que uma hora tomar as rédeas de nossas vidas e assumir posicionamentos coerentes em todos os aspectos dela não vai ser uma possibilidade e sim uma necessidade para transformar o planeta. Se esconder no medo, na insegurança, na zona de conforto não vai ser suficiente para um número cada vez maior de pessoas. Quando soube o que se encontrava nos alimentos que ingeria, se fez necessário mudar todo um estilo de vida. Não dá pra passar de olhos fechados diante de tanta crueldade, de tanta violência, de tanta falta de amor. Com a natureza, com os animais, com as mulheres, homens e com tudo. E assim é também com o nascimento. Não dá pra continuar recebendo seres novos com tamanha brutalidade que é para o bebê e para a mãe a cirurgia cesariana (salvo os casos com indicação real) ou um parto vaginal carregado de violência obstétrica. Não dá pra tantas mulheres continuarem perdendo o contato com si mesmas e se enfraquecendo alimentando uma forma de viver, gestar e nascer que não é coerente com a nossa natureza, com o nosso ser - a plenitude da existência.
Eu recebi Cauã na minha vida de uma maneira que nunca pensei, e passei por situações que eu não desejo pra ninguém durante o nascimento dele. Mas dessas situações ruins, eu procuro tirar algo bom, e isso tem me fortalecido. Ele chegou trazendo mais emergência ainda de viver de maneira consciente, ativa e coerente. Ele chegou trazendo mais força pra mim e pra nossa família de uma maneira arrebatadora. E às vezes não é fácil, dá um trabalhão... a luta, a vida, a birra... mas no fim sempre vale a pena.
E por isso as lutas se fazem tão essenciais nessa vida. Não dá pra passar por esse planeta sem ter feito nada pra tornar aqui um lugar melhor para todos do presente e do futuro.
Isso me move. O que move você?


Dá uma lida também:
Galactolatria – Mau deleite
Política Sexual da carne
O Renascimento do Parto
Cientificação do amor
O Camponês e a parteira

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

A violência nossa de cada dia

Situação 1) O pai pergunta pro filho se ele quer tomar um murro na boca em frente a uma atendente em uma padaria

Situação 2) Uma médica obstetra manda a parturiente em trabalho de parto pegar as coisas e ir embora ao ser questionada sobre os procedimentos que iriam fazer e diz que quem sabe mais é ela, que é médica

Situação 3) Uma pessoa discute com a outra, xingando e dando dedo pela janela do carro, porque a outra entrou na faixa sem dar a seta 

Situação 4) Uma mãe dirige palavras de maneira hostil ao filho, todos os dias. 


Essas são algumas situações vivenciadas por mim nessas duas últimas semanas. Poucas coisas ruins me deixam realmente perplexas como a violência deixa. Já faz algum tempo que eu estava bem triste por testemunhar tantas coisas em tão pouco tempo. Fiquei pensando se elas estiveram sempre ali e eu não as via. Fico bem incomodada quando testemunho violências assim e depois conversas de como a sociedade está violenta e mimimi. Desde quando nos desconectamos do todo? Não fazemos parte desse lugar violento não? E o que temos feito para melhorar a situação? O fato de algumas violências serem tão legitimadas deixa o quadro um pouco mais complexo. Algumas violências simplesmente não são vistas como violência. E não é só por uma pessoa, mas por várias. Veja só, imagina que você acordou de mau humor e se comunica de maneira grosseira com as pessoas. Isso é uma violência. Não só com quem escuta, mas com quem fala também. Se a gente pensar energicamente, o fato de xingarmos alguém no trânsito, por exemplo, joga para o universo uma energia densa e ruim, que provavelmente encontrará força em outras energias da mesma afinidade e que provavelmente resultará em um acontecimento ruim. Quando você grita comigo, a energia não é legal. Quando você me bate, a energia não é legal.     

Depois de ser mãe eu passei a entender melhor o porquê de educar sem violência ser tão fundamental. Faz todo sentido. Eu nunca gostei quando gritavam ou me batiam. Me calava porque era o jeito. Obedecia porque era o jeito. Muitas vezes o que consideravam respeito, era medo. Realmente parece que quando estamos cansados, estressados e desconectados de nós mesmos e do todo, o primeiro ímpeto para uma ação indesejada de nosso filho (ou de quem quer que seja) é o de usar a violência, seja gritando, ameaçando, ignorando, batendo. É um lado feio, mas é um lado que faz parte da gente. A jornada da vida não é fácil, e depois que somos pais e decidimos por uma pa/maternidade ativas, conhecer e refletir sobre os processos do desenvolvimento infantil e sobre o nosso próprio crescimento, produz situações de crescimento coletivo muito mais prazerosas. Viver de maneira consciente e coerente é essencial para mudar o mundo para melhor. Se estamos sendo agressivos com nosso filhos, é hora de olhar para dentro, pois aquela "danação" pode não ter a dimensão que damos a ela ou mesmo pode ser um sintoma de que algo na comunicação não vai bem. Por que essa situação me estressa? O que ele quer me dizer com isso? É preciso ir além. Laura Gutman, diz que a maternidade é o encontro com a própria sombra. Ao invés de fugir dela, vamos abraçá-la e procurar compreendê-la para que não depositemos pedras nas costas de nossos filhos que na verdade são nossas. Uma infância sem violência gerará seres mais comprometidos com o amor e a paz no nosso planeta. Assim não faz mais sentido? Se quer amor, plante amor. Em todos os lugares com todas as pessoas. É um exercício diário! 
Só poderia encerrar com um pedido:


para ler:
Comunicação não violenta - Marshall Rosemberg



sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Fralda de pano, o tanque não te pertence mais

Se ficamos com uma imagem de que fralda de pano é coisa do tempo da vovó e que dá trabalho pra caramba, é porque provavelmente a gente não sabe muito sobre as fraldas de pano modernas. Me lembro como hoje, quando ainda estava grávida e mostrei pra minha mãe as primeiras fraldas de pano que tinha comprado, que tinha demorado um tempão pra escolher as estampas, os modelos... e ela então me disse: você gosta de arrumar trabalho hein? Ela já foi da geração das descartáveis, pra ela tudo muito prático e funcional. Fralda de pano era sinônimo de trabalho a mais. Pois bem, o objetivo desse post é exatamente de falar da minha experiência com as fraldas de pano modernas.

As fraldas de pano modernas são bem diferentes das fraldas de antigamente porque tem uma grande variedade de modelos, materiais e de absorventes e podemos tacar tudo na máquina de lavar (EEEEEE). Aqui vou falar só do basicão, porque podemos ficar horas falando delas. Os modelos nacionais tem elástico caseado que regula tanto a medida da cintura quanto da perninha, o que aumenta muito por quanto tempo que você vai usar. Além disso elas possuem vários botões ou velcros pra ajudar no quadril. 
elástico
Fralda de pano Fralda Madrinha
Basicamente existem três tipos:

  1. a capa: que é tipo uma fralda enxuta, que você coloca o absorvente por cima e fecha)
    Foto fraldasecologicas.art.br
  2. a pocket: que tem um bolso e que você pode inserir o absorvente tanto dentro do bolso e ela ficar como uma descartável (apesar de ser mais prático você suja mais fralda) ou usar o absorvente por cima e fechar como o modelo de capa e ficar trocando só o absorvente
    Foto bebebrasileiro.net
    3. All in one (AIO): são as fraldas que funcionam como as descartáveis, o recheio já vem costurado dentro da fralda, é só tirar e colocar outra. É prático, mas demora bem mais pra secar.
Quanto aos materiais existem vários! As fraldas geralmente são feitas por uma camada de tecido, uma de impermeável (que não impede vazamento pra frente) e outra de tecido. E aí tem de algodão (a mais fresquinha), tem de microsoft/fleece/soft/poliéster que são tecidos sintéticos que deixam a sensação de sempre seca e além disso secam super-rápido, de carvão de bambu...

Quanto ao absorvente temos mais variedade também: atoalhado de algodão, microfibra (que nunca deve ficar em contato direto com a pele do bebê), a fralda cremer de praxe (mas tem uma absorção muito baixa), e o carvão de bambu. Você pode comprar um atoalhado e fazer um recheio bacana, corta e faz o acabamento.

Cada um tem uma preferência e cada bebê se adapta melhor com determinada combinação. Por exemplo, você pode comprar uma pocket de soft e algodão e usar como capa com absorvente de algodão dentro durante o dia e durante a noite fazer uma combinação reforçada de recheio (colocar mais absorventes pra aguentar a maior demanda de xixi) e colocar no bolso pra que o bebê não fique molhado a noite toda, já que o xixi vai passar pela camada de soft e ir direto pro absorvente.

Além disso, na hora de comprar tem que levar em consideração o clima de onde você mora. Aqui em Natal como é muito quente sempre, eu tenho em grande maioria fraldas de pano algodão/soft.

O bebê fica com um volume um pouco maior que o da fralda descartável, mas isso nunca foi problema aqui. Eu particularmente acho muito mais linda a fralda de pano com tantas estampas maravilhosas pra escolher! Eu tive que parar de olhar fraldas na internet porque eu queria comprar todas!

Outra vantagem é que o uso das fraldas de pano evita assaduras e evita o uso de pomada no bebê. Eu não uso pomada no dia-a-dia de trocas. Só se tiver vermelhinho por algum motivo excepcional como quando tá nascendo dente, ou se deixo por tempo demais uma fralda, ou se ele comeu algo que deixou a pele mais sensível... enfim. E quando passa tem que usar pouco, para não impermeabilizar a fralda. As pomadas de assadura geralmente são bem gordurosas...

Por que usar?
Bom, o que me motivou inicialmente era o excesso de lixo produzido e a dificuldade de decomposição das fraldas descartáveis. Depois descobri que a química das fraldas descartáveis ficavam em contato com a pele do bebê e que a maioria deles derivava do petróleo, além de ser muito mais abafado do que as fraldas de pano e o bebê nunca ter a propriocepção de que fez xixi. E depois vi o quanto poderia ser prático também.


É mais caro?

Botando na calculadora, vi que além de tudo as fraldas de pano inicialmente exigiriam um pouco mais de dinheiro, mas que no final das contas saíam muito mais baratas que as descartáveis. Cada fralda de pano nacional sai em média de R$35. Um enxoval bacana pra lavar dia sim e dia não são de 20 fraldas (aqui eu tenho mas uso muito menos em dois dias. Acho bacana investir em recheios. E essa vai ser sua compra... Dá R$700. Já se vamos pra descartável, o gasto é bem maior, imaginando que gasta-se em média 5600 unidades até o desfralde. Eu fui fazendo minhas compras aos poucos, comprava umas duas e esperava desafogar pra comprar o resto. As lojas tem também uns pacotes bem legais que valem muito a pena. Além disso, tem o grupo no facebook que tem fraldas usadas, seminovas, que sai bem mais em conta.

Que marca?

Outro motivo que me incentiva muito a comprar fraldas de pano nacionais é de saber que são mães que trabalham em casa que fazem. Geralmente são mulheres que mudaram de ramo depois da maternidade para ficar mais perto dos filhos. Acho incrível poder incentivar esse tipo de trabalho. Seguindo a linha do consumo consciente, é importante ver que a fralda nacional tem um valor maior que o da internacional por uma série de motivos, e que as marcas nacionais vendem a um preço justo, inclusive algumas utilizam cooperativas de costureiras para fazer algumas peças, então, há de se pensar muito sobre isso. Eu tenho de várias marcas nacionais e só de uma gringa. Sinceramente, acho as nacionais bem melhores. 


Como lavar?

Muito simples. Eu tenho uma caixa de plástica com tampa dessas que se compra em mercado e loja de 1,99. Ao longo do dia vou colocando as fraldas sujas lá e tampo. Quando é xixi coloco direto, quando é cocô, agora que já é um cocô mais durinho eu passo uma ducha higiênica no vaso e o a maioria do cocô sai lá. Geralmente preciso passar uma água no tanque com uma esfregadinha básica sem sabão pra tirar algum restinho, e coloco na caixa também. Por que não usar sabão? Porque o sabão impermeabiliza a fralda, e vai dar um trabalho danado enxaguar mil vezes pra tirar o sabão. Por isso, ao final de dois dias, coloco todas na máquina com um fiozinhoinho de sabão de coco líquido, bicarbonato e muita água no ciclo rápido e enxágue duplo. É preciso mais água do que sabão. Se a fralda ficar com resíduo de sabão, o cheiro vai ficar muito forte quando o bebê fizer xixi. O bicarbonato de sódio eu coloco por ser bactericida e fungicida. Geralmente coloco 1/4 de um copo americano pra meia máquina de 11kg. Uma vez a cada 15 dias uso meio copo de vinagre pra máquina cheia pelo mesmo motivo do bicarbonato. Só não pode misturar bicarbonato + vinagre na máquina hein? E uma vez por mês uso o óleo de melaleuca (tea tree), Uso 10 gotinhas pra meia máquina pra dar uma geral nas fraldas. O óleo de melaleuca é maravilhoso e dá um up nas fraldas, é bactericida, fungicida e tem um cheirinho delicioso. Só não pode usar muito, tá?

Foto clothdiapergeek.com
Acho que é isso o básico! Eu devo ter esquecido de alguma coisa, apesar de ter escrito em três dias esse post. Mas qualquer dúvida falem comigo.
Beijos


sábado, 9 de novembro de 2013

Carta a uma amiga que passa das 40 semanas de gestação

                                                        
A maternidade é uma coisa tão maravilhosa, tão bela e tão transformadora quando a gente permite mergulhar nesse oceano de turbilhões. Na gestação a espera é linda e um pouco solitária. Pelo menos me pareceu pra mim. Assim como você eu também lutei toda a minha gestação para ter um parto natural. Mas parece que encontrar apoio é bem mais difícil do que encontrar histórias macabras de conhecidos sem fim de folclores míticos resultado desse histórico dessa assistência de merda ao parto que temos no Brasil. Infelizmente, a grande maioria das pessoas não entende que é possível parir com dignidade, beleza e respeito onde a gente escolhe parir. Mas aconteceram tantas coisas ao longo da gestação e mais precisamente no finalzinho que me deixaram muito vulnerável emocionalmente. Lhe escrevo porque sei como é: o cansaço do peso, das pernas, o tampão saindo de pouquinho ou de muitinho (mas ele se regenera), uma contração aqui outra acolá... vários sinais de que a hora está chegando, mas ela parece que nunca vai chegar. A vontade de ficar com a barriga pra sempre e a vontade de ver logo nosso bebê fora da barriga. De viver logo aquilo de verdade. Enquanto tá na barriga parece muito teoria e no final a gente quer a prática quer ver o rostinho, a mãozinha... E se não bastasse os turbilhões de emoções que nos invadem por inteiro: um mix de ansiedade, medo, curiosidade e euforia, @ companheir@, a família, os amigos vão perguntando, querendo saber: nasceu? Poxa, sistema filhadaputa esse. Até o bebê tem que nascer logo. Algumas pessoas tem a audácia de cobrar o tempo, como se tivesse prazo de validade. Gravidez não tem prazo de validade. Tem prazo que o bebê quem dá. Seguindo monitorando, escutando, sentindo o bebê, a gente vai seguindo com ele na barriga até ele dizer: pronto, tô pronto. E a hora é dele. E da mãe. E só. Da gente você só quer respeito e paciência e apoio. Tô aqui amiga. Eu mesma vivi uma pressão muito chata quando caminhava pras 42 semanas. Eu não escutei meu corpo, não dei um pé na bunda da obstetra que insistia em procurar uma coisa pra justificar a retirada do meu bebê. E até hoje e sempre vou me perguntar como teria sido se tivesse tido essa sabedoria. O evento do parto é o seu renascer. Viva lindamente esse momento e saia fortalecida desse processo tão maravilhoso e transformador. Se permita se fortalecer nesse finalzinho! Não deixe que roubem esse momento de vocês. Que os espíritos de nossas ancestrais te acompanhem na boa hora e te envolvam de paciencia e coragem para parir linda onde você escolher. O tempo.... é seu.

Cheiro de jasmim.

sábado, 19 de outubro de 2013

Eu sou ativista da humanização do parto

Dei uma sumida, a vida tava uma loucura! Aniversário de um ano seguido de organização da Marcha pela Humanização do Parto! Ambos eventos foram sucesso total! Eba!

Fiz um texto que tá na nota do meu perfil do facebook e gostaria de compartilhar aqui também:

Sou ativista da humanização do parto e do nascimento

Não se trata só de via de nascimento. Não. O buraco é muito mais embaixo do que você imagina (e do que eu imaginava antes de entrar nessa luta também). A gente não quer forçar ninguém a parir naturalmente. A luta pela humanização quer respeito à autonomia e ao protagonismo da mulher na hora de parir, quer que ela tenha privacidade, tenha um pré-natal informativo e de qualidade abordando conteúdos menos objetivos do que altura uterina, pressão arterial e peso. Queremos que os profissionais tenham uma prática baseada em evidências científicas. Simplesmente porque as evidências científicas tem mostrado que o sentido que a assistência ao parto no Brasil vai tomando é um sentido errado que não beneficia nem a mulher e nem o bebê. Quando a gente fala em evidência científica a gente tá falando de um monte de pessoas que dedicam grande parte de seu tempo pesquisando e estudando mais a fundo determinado tema. Não é opinião. É estudo, tempo, análise, conclusão. E a prática não está sendo baseada em evidência científica na assistência ao parto no Brasil. E não está seguindo as diretrizes da Organização Mundial da Saúde e nem do Ministério da Saúde. O que a gente quer é que os profissionais forneçam informações de qualidade para que as gestantes façam suas próprias escolhas. Mas temos encontrado muita resistência por parte dos profissionais em abrir espaço para conversa. Então sempre seguimos o caminho de informar as mulheres. Porque as mulheres podem mudar a realidade da assistência. Exigindo uma nova conduta, questionando velhas práticas, requerendo seus direitos, denunciando violências. Se uma mulher, sabendo que em uma cesárea sem real indicação médica tem um risco de 3x mais complicação materna e 2,5x mais complicação neonatal, que a cesárea eletiva tem sido associada com desconforto respiratório do recém-nascido e com prematuridade iatrogênica, com depressão pós-parto, entre outras coisas e ainda assim ela escolher marcar uma cesárea... que assim seja. Mas acho uma pena que as mulheres encontrem médicos que topem fazer uma cesárea eletiva. E acho lamentável profissionais que se baseiam em motivos ultrapassados (quando não absurdos) para justificar uma cesárea. Cômodo pra quem? Bom pra quem? Se cesárea fosse a via normal de nascimento, acredito que a OMS e o MS não estariam preocupados com o elevadíssimo índice de cesariana no Brasil. E a mortalidade materna não diminuiu, mesmo com o uso massivo de intervenções. Será que precisa disso tudo mesmo pra um evento que acontece o mesmo tanto de tempo que a Humanidade existe? A luta pela humanização do parto é a luta pela escolha informada, pelo empoderamento feminino. Nosso corpo sabe parir, sabe gestar. Nossa luta é para que cada vez mais mulheres saibam que é possível parir com privacidade, com respeito, com autonomia, com liberdade, respeitando a fisiologia do nascimento. Porque é nosso direito parir e do nosso bebê nascer com dignidade. O parto não precisa ser um evento traumático, permeado de dor. Eu acredito que o modo como uma sociedade lida com o nascimento está muito relacionado a outros aspectos, como a criminalidade (já comprovou Michel Odent no livro O camponês e a parteira). Se ¼ das mulheres brasileiras relata ter sofrido algum tipo de violência durante o nascimento dos seus filhos, o que será de nossa sociedade? Nós da humanização do parto queremos enaltecer cada vez mais a beleza do nascimento. O milagre da vida.


Saiba mais sobre a Marcha pela Humanização do Parto e do Nascimento e do Movimento pela Humanização do Parto e do nascimento em Natal