Azul com
purpurina prata. Assim estavam pintadas as unhas da tia preferida
dele. Ele achou o máximo, pegou a mão, o dedo, a unha, olhou de
perto. Mexeu pra um lado e mexeu pro outro. Viu a mudança de
luminosidade no brilho quando se movia. Fazia isso levemente,
sorrindo e falando. Pegou o esmalte, pediu pra pintar também. O pai
pintou uma unha. Ele foi mostrar. Mostrou pro cachorro, pro gato, pra
mãe, pra avó. Voltou, pediu pra pintar mais. O pai pintou a outra
unha. De rosa. Ele achou o máximo. Mostrou pra todo mundo! Sorrindo!
Quanta alegria! Então uma tia disse algo que repreendia pintar a
unha de um menino. Ninguém deu muita bola. Eu fiquei refletindo. Que
coisa esquisita. Brincadeira legal daquela, todo mundo se divertindo!
Claro que entendi o preconceito de gênero, essa coisa incrustada na
nossa sociedade: o machismo. Que pena danada, pensou, quando vejo que
a grande maioria de nós humanos ainda vive como se ter pênis ou
vagina que definisse se somos homens ou mulheres. Se gostamos de
homens ou mulheres. Isso porque passamos a imensa maior parte do
tempo cobrindo nossos órgãos sexuais. Já pensou? Se fosse só
isso, na verdade só saberíamos se todo mundo andasse nu. Mas não
andamos. Cauã adora colocar minhas tiaras. E ele usa. Eu uso. O pai
já usou. Ele adora brincar de bola. Eu brinco, o pai também. E não
é isso nem aquilo que vai fazer dele menino ou menina. Não estamos
preocupados com isso. Ainda não consegui me desvencilhar de outras
concepções incrustadas dessa porcaria de concepção de gênero,
como a escolha de roupas. Mas vamos caminhando. Por enquanto ele
parece confortável usando as roupas que usa. Mas se um dia ele não
sentir, procurarei auxiliá-lo a encontrar as que lhe parecem mais
confortáveis. Esperamos propiciar pra ele uma plenitude de infância
com aprendizados de todas as brincadeiras legais e divertidas. No fim
o que importa é que ele esteja feliz e se sinta amado. E nisso a
gente se empenha!
domingo, 16 de março de 2014
terça-feira, 4 de março de 2014
Veganismo e humanização do parto: vivendo de maneira consciente
Um colega me mostrou um
texto muito bom da maravilhosa Laura Gutman, que me instigou a
escrever esse texto. Já faz algum tempo que consigo perceber uma
relação entre os movimentos do veganismo, da humanização do parto
e do feminismo. Os três lutam pela libertação e os três buscam
através da informação um mundo mais igualitário e mais
consciente. No veganismo acontece a alimentação consciente. Foi o
que aconteceu comigo. Fui me informando e cada vez mais que sabia o
que acontecia aos animais e como funcionava a indústria alimentícia de produção em massa e naturalmente passei a mudar minha alimentação e meu modo de vida. Tomei consciência e não tinha como ter um modo de vida incoerente com o que passei a saber. Na humanização
do parto acontece o parto consciente. Luta-se pelo respeito ao
protagonismo feminino, pela prática baseada em evidências
científicas e pelos direitos reprodutivos femininos. O que já dá o
link pro feminismo. No feminismo acontece a igualdade de ser Humano
por ser Humano, não pelo que você carrega (ou não) entre as
pernas. Os três temas abraçam minorias. Deixarei para um próximo texto o aprofundamento na questão
do feminismo com os dois outros movimentos. Hoje quero falar
especificamente sobre viver de maneira ativa e consciente.
Nesse final de semana
de carnaval encontrei uma conhecida, que não sabia que estava
grávida. Parabenizei e fomos conversando até que chegou no tópico
parto. Ela disse algo que deu a entender que parto normal era algo
muito assustador.
Perguntei: você já
sabe como quer que ele venha ao mundo?
Ela disse: acho que não
quero parto normal.
Eu: Por quê?
Ela: Porque é muito
sofrimento.
Eu: Será que é mesmo?
Tem mulheres que tem orgasmo durante o parto! Imagina aí se não é
possível ter um parto com prazer!
Ela, meio com vergonha, disse: Eu tenho muito medo.
A mãe então se mete
no meio da conversa e diz: Ela é muito medrosa! Até parece que vai
encarar um parto normal.
Aí eu disse: Você tem
medo de que? Olha, com uma equipe bacana, você pode buscar lidar com
esse sentimento e parir de maneira fortificadora.
A conversa seguiu e a
gestante pegou meu telefone para procurar um grupo de apoio na cidade
em que mora. Mas bem, o que quero focar aqui é que já tive esse
tipo de conversa inúmeras vezes e em todas elas o que me deixa
triste é o fato dessas mulheres estarem tão desconectadas delas
mesmas. O parto pode ser um ritual transformador, com o encontro e o
enfrentamento de questões emocionais que nos tornarão mais fortes.
A maneira como lidamos com o nascimento diz muito da maneira que
lidamos com a vida. Distante, desconectada, passiva. A vida gira no
automático, o tempo passa passa passa e nada se cria, nada se faz
para mudar o que nos incomoda. Poxa! Que desperdício! Gosto de
pensar que é uma questão de tempo. Que uma hora tomar as rédeas de
nossas vidas e assumir posicionamentos coerentes em todos os aspectos
dela não vai ser uma possibilidade e sim uma necessidade para
transformar o planeta. Se esconder no medo, na insegurança, na zona
de conforto não vai ser suficiente para um número cada vez maior de pessoas.
Quando soube o que se encontrava nos alimentos que ingeria, se fez
necessário mudar todo um estilo de vida. Não dá pra passar de
olhos fechados diante de tanta crueldade, de tanta violência, de
tanta falta de amor. Com a natureza, com os animais, com as mulheres,
homens e com tudo. E assim é também com o nascimento. Não dá pra
continuar recebendo seres novos com tamanha brutalidade que é para o
bebê e para a mãe a cirurgia cesariana (salvo os casos com
indicação real) ou um parto vaginal carregado de violência obstétrica. Não dá pra tantas mulheres continuarem perdendo
o contato com si mesmas e se enfraquecendo alimentando uma forma de
viver, gestar e nascer que não é coerente com a nossa natureza, com
o nosso ser - a plenitude da existência.
Eu recebi Cauã na minha vida de uma maneira que nunca pensei, e passei por situações que eu não desejo pra ninguém durante o nascimento dele. Mas dessas situações ruins, eu procuro tirar algo bom, e isso tem me fortalecido. Ele chegou trazendo mais emergência ainda de viver de maneira consciente, ativa e coerente. Ele chegou trazendo mais força pra mim e pra nossa família de uma maneira arrebatadora. E às vezes não é fácil, dá um trabalhão... a luta, a vida, a birra... mas no fim sempre vale a pena.
Eu recebi Cauã na minha vida de uma maneira que nunca pensei, e passei por situações que eu não desejo pra ninguém durante o nascimento dele. Mas dessas situações ruins, eu procuro tirar algo bom, e isso tem me fortalecido. Ele chegou trazendo mais emergência ainda de viver de maneira consciente, ativa e coerente. Ele chegou trazendo mais força pra mim e pra nossa família de uma maneira arrebatadora. E às vezes não é fácil, dá um trabalhão... a luta, a vida, a birra... mas no fim sempre vale a pena.
E por isso as lutas se
fazem tão essenciais nessa vida. Não dá pra passar por esse
planeta sem ter feito nada pra tornar aqui um lugar melhor para todos do presente e do futuro.
Isso me move. O que move você?
Dá uma lida também:
Galactolatria – Mau
deleite
Política Sexual da
carne
O Renascimento do Parto
Cientificação do amor
O Camponês e a
parteira
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
A violência nossa de cada dia
Situação 1) O pai pergunta pro filho se ele quer tomar um murro na boca em frente a uma atendente em uma padaria
Situação 2) Uma médica obstetra manda a parturiente em trabalho de parto pegar as coisas e ir embora ao ser questionada sobre os procedimentos que iriam fazer e diz que quem sabe mais é ela, que é médica
Situação 3) Uma pessoa discute com a outra, xingando e dando dedo pela janela do carro, porque a outra entrou na faixa sem dar a seta
Situação 4) Uma mãe dirige palavras de maneira hostil ao filho, todos os dias.
Essas são algumas situações vivenciadas por mim nessas duas últimas semanas. Poucas coisas ruins me deixam realmente perplexas como a violência deixa. Já faz algum tempo que eu estava bem triste por testemunhar tantas coisas em tão pouco tempo. Fiquei pensando se elas estiveram sempre ali e eu não as via. Fico bem incomodada quando testemunho violências assim e depois conversas de como a sociedade está violenta e mimimi. Desde quando nos desconectamos do todo? Não fazemos parte desse lugar violento não? E o que temos feito para melhorar a situação? O fato de algumas violências serem tão legitimadas deixa o quadro um pouco mais complexo. Algumas violências simplesmente não são vistas como violência. E não é só por uma pessoa, mas por várias. Veja só, imagina que você acordou de mau humor e se comunica de maneira grosseira com as pessoas. Isso é uma violência. Não só com quem escuta, mas com quem fala também. Se a gente pensar energicamente, o fato de xingarmos alguém no trânsito, por exemplo, joga para o universo uma energia densa e ruim, que provavelmente encontrará força em outras energias da mesma afinidade e que provavelmente resultará em um acontecimento ruim. Quando você grita comigo, a energia não é legal. Quando você me bate, a energia não é legal.
Depois de ser mãe eu passei a entender melhor o porquê de educar sem violência ser tão fundamental. Faz todo sentido. Eu nunca gostei quando gritavam ou me batiam. Me calava porque era o jeito. Obedecia porque era o jeito. Muitas vezes o que consideravam respeito, era medo. Realmente parece que quando estamos cansados, estressados e desconectados de nós mesmos e do todo, o primeiro ímpeto para uma ação indesejada de nosso filho (ou de quem quer que seja) é o de usar a violência, seja gritando, ameaçando, ignorando, batendo. É um lado feio, mas é um lado que faz parte da gente. A jornada da vida não é fácil, e depois que somos pais e decidimos por uma pa/maternidade ativas, conhecer e refletir sobre os processos do desenvolvimento infantil e sobre o nosso próprio crescimento, produz situações de crescimento coletivo muito mais prazerosas. Viver de maneira consciente e coerente é essencial para mudar o mundo para melhor. Se estamos sendo agressivos com nosso filhos, é hora de olhar para dentro, pois aquela "danação" pode não ter a dimensão que damos a ela ou mesmo pode ser um sintoma de que algo na comunicação não vai bem. Por que essa situação me estressa? O que ele quer me dizer com isso? É preciso ir além. Laura Gutman, diz que a maternidade é o encontro com a própria sombra. Ao invés de fugir dela, vamos abraçá-la e procurar compreendê-la para que não depositemos pedras nas costas de nossos filhos que na verdade são nossas. Uma infância sem violência gerará seres mais comprometidos com o amor e a paz no nosso planeta. Assim não faz mais sentido? Se quer amor, plante amor. Em todos os lugares com todas as pessoas. É um exercício diário!
Só poderia encerrar com um pedido:
para ler:
Comunicação não violenta - Marshall Rosemberg
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Fralda de pano, o tanque não te pertence mais
Se
ficamos com uma imagem de que fralda de pano é coisa do tempo da
vovó e que dá trabalho pra caramba, é porque provavelmente a gente
não sabe muito sobre as fraldas de pano modernas. Me lembro como
hoje, quando ainda estava grávida e mostrei pra minha mãe as
primeiras fraldas de pano que tinha comprado, que tinha demorado um
tempão pra escolher as estampas, os modelos... e ela então me
disse: você gosta de arrumar trabalho hein? Ela já foi da geração
das descartáveis, pra ela tudo muito prático e funcional. Fralda de
pano era sinônimo de trabalho a mais. Pois bem, o objetivo desse
post é exatamente de falar da minha experiência com as fraldas de
pano modernas.
As
fraldas de pano modernas são bem diferentes das fraldas de
antigamente porque tem uma grande variedade de modelos, materiais e
de absorventes e podemos tacar tudo na máquina de lavar (EEEEEE). Aqui vou falar só do basicão, porque podemos ficar horas falando delas. Os modelos nacionais tem elástico caseado que regula
tanto a medida da cintura quanto da perninha, o que aumenta muito por quanto tempo que você vai usar. Além disso elas possuem vários botões ou velcros pra ajudar no quadril.
| elástico |
Basicamente existem três tipos:
- a capa: que é tipo uma fralda enxuta, que você coloca o absorvente por cima e fecha)
Foto fraldasecologicas.art.br - a pocket: que tem um bolso e que você pode inserir o absorvente tanto dentro do bolso e ela ficar como uma descartável (apesar de ser mais prático você suja mais fralda) ou usar o absorvente por cima e fechar como o modelo de capa e ficar trocando só o absorvente
Foto bebebrasileiro.net 3. All in one (AIO): são as fraldas que funcionam como as descartáveis, o recheio já vem costurado dentro da fralda, é só tirar e colocar outra. É prático, mas demora bem mais pra secar.
Quanto
aos materiais existem vários! As fraldas geralmente são feitas por
uma camada de tecido, uma de impermeável (que não impede vazamento
pra frente) e outra de tecido. E aí tem de algodão (a mais
fresquinha), tem de microsoft/fleece/soft/poliéster que são tecidos sintéticos
que deixam a sensação de sempre seca e além disso secam
super-rápido, de carvão de bambu...
Quanto ao absorvente temos mais variedade também: atoalhado de algodão, microfibra (que nunca deve ficar em contato direto com a pele do bebê), a fralda cremer de praxe (mas tem uma absorção muito baixa), e o carvão de bambu. Você pode comprar um atoalhado e fazer um recheio bacana, corta e faz o acabamento.
Cada um tem uma preferência e
cada bebê se adapta melhor com determinada combinação. Por
exemplo, você pode comprar uma pocket de soft e algodão e usar como
capa com absorvente de algodão dentro durante o dia e durante a
noite fazer uma combinação reforçada de recheio (colocar mais
absorventes pra aguentar a maior demanda de xixi) e colocar no bolso
pra que o bebê não fique molhado a noite toda, já que o xixi vai
passar pela camada de soft e ir direto pro absorvente.
Além disso, na hora de comprar tem que levar em consideração o clima de onde você mora. Aqui em Natal como é muito quente sempre, eu tenho em grande maioria fraldas de pano algodão/soft.
O bebê fica com um volume um pouco maior que o da fralda descartável, mas isso nunca foi problema aqui. Eu particularmente acho muito mais linda a fralda de pano com tantas estampas maravilhosas pra escolher! Eu tive que parar de olhar fraldas na internet porque eu queria comprar todas!
Outra vantagem é que o uso das fraldas de pano evita assaduras e evita o uso de pomada no bebê. Eu não uso pomada no dia-a-dia de trocas. Só se tiver vermelhinho por algum motivo excepcional como quando tá nascendo dente, ou se deixo por tempo demais uma fralda, ou se ele comeu algo que deixou a pele mais sensível... enfim. E quando passa tem que usar pouco, para não impermeabilizar a fralda. As pomadas de assadura geralmente são bem gordurosas...
O bebê fica com um volume um pouco maior que o da fralda descartável, mas isso nunca foi problema aqui. Eu particularmente acho muito mais linda a fralda de pano com tantas estampas maravilhosas pra escolher! Eu tive que parar de olhar fraldas na internet porque eu queria comprar todas!
Outra vantagem é que o uso das fraldas de pano evita assaduras e evita o uso de pomada no bebê. Eu não uso pomada no dia-a-dia de trocas. Só se tiver vermelhinho por algum motivo excepcional como quando tá nascendo dente, ou se deixo por tempo demais uma fralda, ou se ele comeu algo que deixou a pele mais sensível... enfim. E quando passa tem que usar pouco, para não impermeabilizar a fralda. As pomadas de assadura geralmente são bem gordurosas...
Por que
usar?
Bom, o
que me motivou inicialmente era o excesso de lixo produzido e a
dificuldade de decomposição das fraldas descartáveis. Depois
descobri que a química das fraldas descartáveis ficavam em contato
com a pele do bebê e que a maioria deles derivava do petróleo, além
de ser muito mais abafado do que as fraldas de pano e o bebê nunca
ter a propriocepção de que fez xixi. E depois vi o quanto poderia ser prático também.
É mais caro?
Botando na calculadora, vi que além de tudo as fraldas de pano inicialmente exigiriam um pouco mais de dinheiro, mas que no final das contas saíam muito mais baratas que as descartáveis. Cada fralda de pano nacional sai em média de R$35. Um enxoval bacana pra lavar dia sim e dia não são de 20 fraldas (aqui eu tenho mas uso muito menos em dois dias. Acho bacana investir em recheios. E essa vai ser sua compra... Dá R$700. Já se vamos pra descartável, o gasto é bem maior, imaginando que gasta-se em média 5600 unidades até o desfralde. Eu fui fazendo minhas compras aos poucos, comprava umas duas e esperava desafogar pra comprar o resto. As lojas tem também uns pacotes bem legais que valem muito a pena. Além disso, tem o grupo no facebook que tem fraldas usadas, seminovas, que sai bem mais em conta.
Que marca?
Outro motivo que me incentiva muito a comprar fraldas de pano nacionais é de saber que são mães que trabalham em casa que fazem. Geralmente são mulheres que mudaram de ramo depois da maternidade para ficar mais perto dos filhos. Acho incrível poder incentivar esse tipo de trabalho. Seguindo a linha do consumo consciente, é importante ver que a fralda nacional tem um valor maior que o da internacional por uma série de motivos, e que as marcas nacionais vendem a um preço justo, inclusive algumas utilizam cooperativas de costureiras para fazer algumas peças, então, há de se pensar muito sobre isso. Eu tenho de várias marcas nacionais e só de uma gringa. Sinceramente, acho as nacionais bem melhores.
Como lavar?
Muito simples. Eu tenho uma caixa de plástica com tampa dessas que se compra em mercado e loja de 1,99. Ao longo do dia vou colocando as fraldas sujas lá e tampo. Quando é xixi coloco direto, quando é cocô, agora que já é um cocô mais durinho eu passo uma ducha higiênica no vaso e o a maioria do cocô sai lá. Geralmente preciso passar uma água no tanque com uma esfregadinha básica sem sabão pra tirar algum restinho, e coloco na caixa também. Por que não usar sabão? Porque o sabão impermeabiliza a fralda, e vai dar um trabalho danado enxaguar mil vezes pra tirar o sabão. Por isso, ao final de dois dias, coloco todas na máquina com um fiozinhoinho de sabão de coco líquido, bicarbonato e muita água no ciclo rápido e enxágue duplo. É preciso mais água do que sabão. Se a fralda ficar com resíduo de sabão, o cheiro vai ficar muito forte quando o bebê fizer xixi. O bicarbonato de sódio eu coloco por ser bactericida e fungicida. Geralmente coloco 1/4 de um copo americano pra meia máquina de 11kg. Uma vez a cada 15 dias uso meio copo de vinagre pra máquina cheia pelo mesmo motivo do bicarbonato. Só não pode misturar bicarbonato + vinagre na máquina hein? E uma vez por mês uso o óleo de melaleuca (tea tree), Uso 10 gotinhas pra meia máquina pra dar uma geral nas fraldas. O óleo de melaleuca é maravilhoso e dá um up nas fraldas, é bactericida, fungicida e tem um cheirinho delicioso. Só não pode usar muito, tá?
| Foto clothdiapergeek.com |
Acho que é isso o básico! Eu devo ter esquecido de alguma coisa, apesar de ter escrito em três dias esse post. Mas qualquer dúvida falem comigo.
Beijos
Beijos
sábado, 9 de novembro de 2013
Carta a uma amiga que passa das 40 semanas de gestação
A maternidade é uma
coisa tão maravilhosa, tão bela e tão transformadora quando a
gente permite mergulhar nesse oceano de turbilhões. Na gestação a
espera é linda e um pouco solitária. Pelo menos me pareceu pra mim.
Assim como você eu também lutei toda a minha gestação para ter um
parto natural. Mas parece que encontrar apoio é bem mais difícil do
que encontrar histórias macabras de conhecidos sem fim de folclores
míticos resultado desse histórico dessa assistência de merda ao
parto que temos no Brasil. Infelizmente, a grande maioria das pessoas
não entende que é possível parir com dignidade, beleza e respeito
onde a gente escolhe parir. Mas aconteceram tantas coisas ao longo da
gestação e mais precisamente no finalzinho que me deixaram muito
vulnerável emocionalmente. Lhe escrevo porque sei como é: o cansaço
do peso, das pernas, o tampão saindo de pouquinho ou de muitinho
(mas ele se regenera), uma contração aqui outra acolá... vários
sinais de que a hora está chegando, mas ela parece que nunca vai
chegar. A vontade de ficar com a barriga pra sempre e a vontade de
ver logo nosso bebê fora da barriga. De viver logo aquilo de
verdade. Enquanto tá na barriga parece muito teoria e no final a
gente quer a prática quer ver o rostinho, a mãozinha... E se não
bastasse os turbilhões de emoções que nos invadem por inteiro: um
mix de ansiedade, medo, curiosidade e euforia, @ companheir@, a
família, os amigos vão perguntando, querendo saber: nasceu? Poxa,
sistema filhadaputa esse. Até o bebê tem que nascer logo. Algumas
pessoas tem a audácia de cobrar o tempo, como se tivesse prazo de
validade. Gravidez não tem prazo de validade. Tem prazo que o bebê
quem dá. Seguindo monitorando, escutando, sentindo o bebê, a gente
vai seguindo com ele na barriga até ele dizer: pronto, tô pronto. E
a hora é dele. E da mãe. E só. Da gente você só quer respeito e
paciência e apoio. Tô aqui amiga. Eu mesma vivi uma pressão muito
chata quando caminhava pras 42 semanas. Eu não escutei meu corpo,
não dei um pé na bunda da obstetra que insistia em procurar uma
coisa pra justificar a retirada do meu bebê. E até hoje e sempre
vou me perguntar como teria sido se tivesse tido essa sabedoria. O
evento do parto é o seu renascer. Viva lindamente esse momento e
saia fortalecida desse processo tão maravilhoso e transformador. Se
permita se fortalecer nesse finalzinho! Não deixe que roubem esse
momento de vocês. Que os espíritos de nossas ancestrais te
acompanhem na boa hora e te envolvam de paciencia e coragem para
parir linda onde você escolher. O tempo.... é seu.
Cheiro de jasmim.
sábado, 19 de outubro de 2013
Eu sou ativista da humanização do parto
Dei uma sumida, a vida tava uma loucura! Aniversário de um ano seguido de organização da Marcha pela Humanização do Parto! Ambos eventos foram sucesso total! Eba!
Fiz um texto que tá na nota do meu perfil do facebook e gostaria de compartilhar aqui também:
Sou ativista da humanização do parto e do nascimento
Saiba mais sobre a Marcha pela Humanização do Parto e do Nascimento e do Movimento pela Humanização do Parto e do nascimento em Natal
Fiz um texto que tá na nota do meu perfil do facebook e gostaria de compartilhar aqui também:
Sou ativista da humanização do parto e do nascimento
Não se trata só de
via de nascimento. Não. O buraco é muito mais embaixo do que você
imagina (e do que eu imaginava antes de entrar nessa luta também). A
gente não quer forçar ninguém a parir naturalmente. A luta pela
humanização quer respeito à autonomia e ao protagonismo da mulher
na hora de parir, quer que ela tenha privacidade, tenha um pré-natal
informativo e de qualidade abordando conteúdos menos objetivos do
que altura uterina, pressão arterial e peso. Queremos que os
profissionais tenham uma prática baseada em evidências científicas.
Simplesmente porque as evidências científicas tem mostrado que o
sentido que a assistência ao parto no Brasil vai tomando é um
sentido errado que não beneficia nem a mulher e nem o bebê. Quando
a gente fala em evidência científica a gente tá falando de um
monte de pessoas que dedicam grande parte de seu tempo pesquisando e
estudando mais a fundo determinado tema. Não é opinião. É estudo,
tempo, análise, conclusão. E a prática não está sendo
baseada em evidência científica na assistência ao parto no Brasil.
E não está seguindo as diretrizes da Organização Mundial da Saúde
e nem do Ministério da Saúde. O que a gente quer é que os
profissionais forneçam informações de qualidade para que as
gestantes façam suas próprias escolhas. Mas temos encontrado muita
resistência por parte dos profissionais em abrir espaço para
conversa. Então sempre seguimos o caminho de informar as mulheres.
Porque as mulheres podem mudar a realidade da assistência. Exigindo
uma nova conduta, questionando velhas práticas, requerendo seus
direitos, denunciando violências. Se uma mulher, sabendo que em uma
cesárea sem real indicação médica tem um risco de 3x mais
complicação materna e 2,5x mais complicação neonatal, que a
cesárea eletiva tem sido associada com desconforto respiratório do
recém-nascido e com prematuridade iatrogênica, com depressão
pós-parto, entre outras coisas e ainda assim ela escolher marcar uma
cesárea... que assim seja. Mas acho uma pena que as mulheres
encontrem médicos que topem fazer uma cesárea eletiva. E acho
lamentável profissionais que se baseiam em motivos ultrapassados
(quando não absurdos) para justificar uma cesárea. Cômodo pra
quem? Bom pra quem? Se cesárea fosse a via normal de nascimento,
acredito que a OMS e o MS não estariam preocupados com o
elevadíssimo índice de cesariana no Brasil. E a mortalidade materna
não diminuiu, mesmo com o uso massivo de intervenções. Será que
precisa disso tudo mesmo pra um evento que acontece o mesmo tanto de
tempo que a Humanidade existe? A luta pela humanização do parto é
a luta pela escolha informada, pelo empoderamento feminino. Nosso
corpo sabe parir, sabe gestar. Nossa luta é para que cada vez mais
mulheres saibam que é possível parir com privacidade, com respeito,
com autonomia, com liberdade, respeitando a fisiologia do nascimento.
Porque é nosso direito parir e do nosso bebê nascer com dignidade.
O parto não precisa ser um evento traumático, permeado de dor. Eu
acredito que o modo como uma sociedade lida com o nascimento está
muito relacionado a outros aspectos, como a criminalidade (já
comprovou Michel Odent no livro O camponês e a parteira). Se ¼ das
mulheres brasileiras relata ter sofrido algum tipo de violência
durante o nascimento dos seus filhos, o que será de nossa sociedade?
Nós da humanização do parto queremos enaltecer cada vez mais a
beleza do nascimento. O milagre da vida.
Saiba mais sobre a Marcha pela Humanização do Parto e do Nascimento e do Movimento pela Humanização do Parto e do nascimento em Natal
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
O Renascimeto (de mim mesma)
Depois de ir à
pré-estreia do Renascimento do Parto, em João Pessoa, algumas
pessoas me “cobraram” uma resenha sobre o filme, queriam saber
como tinha sido a experiência e eu, que falo bem pouco sóquenão
(principalmente quando o assunto é parto) resumia dizendo que tinha
sido maravilhoso!
De fato, o é. Mas é
bem mais que isso. Tem mais de uma semana que vimos o filme, e desde então, sigo digerindo muitas coisas.
Fomos marido, eu e baby
ver o filme. Cauã dormiu o filme todo (uma pena que acordou no
debate reclamando silêncio). Eu e o marido vivemos intensamente o
filme. Nos emocionamos muito.
Não consegui dormir
direito na noite depois do filme. Ficava me revirando, repensando,
revivendo o nosso não parto. Durante o filme segurei a onda no choro
com receio de acordar Cauã. A vontade que deu e que já tinha me
dado muitas outras vezes era de voltar no tempo, mandar as médicas
que fizeram terror psicológico comigo (“41 semanas com esse
líquido? Você precisa ir ver sua obstetra AGORA, é bem
preocupante” mesmo com um bem estar fetal) irem pra merda. Não, na
verdade eu não iria em médico nenhum. Ia ficar em casa esperando a
hora em que ele dissesse que estava pronto. Mas talvez eu não
estivesse preparada pra tamanha pressão que é de todos que nos
cercam passar das 40 semanas de gestação. Tanto que eu nem tinha
coragem de falar direito com minha doula. Eu sabia que ela iria me
puxar pra realidade, mas diante do contexto, me aterrorizei, junto
com marido e mãe, diante da possibilidade de causar sofrimento ao
meu filho (hoje com a informação que tenho, sei que estava tudo bem
e que poderíamos seguir monitorando o bebê). É isso, me senti
refém. E o que eu vinha lidando desde o nascimento em doses
homeopáticas veio muito em uma dose única depois de ver o filme.
Lembro que depois que
Cauã nasceu, eu passei algum tempo sem crer na humanidade. O mundo
me pareceu por algum tempo um lugar muito hostil. Simplesmente me
parecia impossível tamanha frieza diante de um ato como o
nascimento, tamanha violência com a mãe e bebê separá-los, fazer
procedimentos sem questionar, dentre outras coisas que vivenciei.
Flashes vinham e iam na minha mente da tremedeira do pós-cirúrgico,
do abandono na sala de recuperação, das mãos amarradas, de terem
dado leite artificial quando pedimos que não o fizessem, da
incapacidade de me dedicar à minha cria como queria, do silêncio da
obstetra ao testemunhar a grosseria do anestesista comigo e com meu
marido, da técnica em enfermagem mexendo na minha virilha espremendo
pêlo encravado sem me perguntar... Em meio a tantas coisas ruins, me
veio o cheiro, a textura da pele do meu bebê, do meu rosto
esfregando o dele por microsegundos, do choro que se interrompeu
quando ele escutou minha voz, do olhar que ele me deu pela primeira
vez. Ver as cenas das mulheres parindo seus bebês de maneira tão
respeitosa me reacendeu mais ainda a fé na humanidade. Depois de
algum tempo vivendo o luto do nosso não parto, comecei o Movimentopela Humanização do Parto e do Nascimento em Natal junto de outras
mulheres que também foram violentada durante o nascimento de seus
filhos. Simplesmente eu não poderia silenciar diante dessa realidade
violenta. E esse Movimento foi me alimentando de esperança em
mudanças possíveis.
Entender como o modelo
de assistência é perverso com as mães e bebês me ajudou a
entender o nascimento do meu filho. E esse filme é tão poderosa
ferramenta de mudança de consciência que eu me pego pensando em
como vai ser lindo quando as sementes por ele plantadas encherem
bosques. As pessoas podem até não sair modificadas imediatamente
após assistir. Mas que elas devem passar algum tempo digerindo o que
viram, repensando condutas e pensamentos.... ah vão! E quem disser
que passou imune por esse filme eu desconfio de tamanha
insensibilidade. Não estou falando só para as gestantes ou mães ou
wannabe mães. O Renascimento é pra todo mundo, afinal, se trata da
sensibilidade da Humanidade.
Eu posso dizer que saí
muito mais forte do que entrei naquele cinema. Mais forte pra peitar
os profissionais contrários à humanização, pra lutar pelas e com
as mulheres pelo respeito que nos é direito, pra lutar para que
bebês sejam respeitados e para que o sofrimento de ninguém seja
naturalizado e silenciado. Mais forte pra viver o meu parto. Sou
eternamente agradecida aos criadores pela possibilidade de vi(ver)
algo tão lindo.
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