sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O Renascimeto (de mim mesma)

Depois de ir à pré-estreia do Renascimento do Parto, em João Pessoa, algumas pessoas me “cobraram” uma resenha sobre o filme, queriam saber como tinha sido a experiência e eu, que falo bem pouco sóquenão (principalmente quando o assunto é parto) resumia dizendo que tinha sido maravilhoso!
De fato, o é. Mas é bem mais que isso. Tem mais de uma semana que vimos o filme, e desde então, sigo digerindo muitas coisas.
Fomos marido, eu e baby ver o filme. Cauã dormiu o filme todo (uma pena que acordou no debate reclamando silêncio). Eu e o marido vivemos intensamente o filme. Nos emocionamos muito.

Não consegui dormir direito na noite depois do filme. Ficava me revirando, repensando, revivendo o nosso não parto. Durante o filme segurei a onda no choro com receio de acordar Cauã. A vontade que deu e que já tinha me dado muitas outras vezes era de voltar no tempo, mandar as médicas que fizeram terror psicológico comigo (“41 semanas com esse líquido? Você precisa ir ver sua obstetra AGORA, é bem preocupante” mesmo com um bem estar fetal) irem pra merda. Não, na verdade eu não iria em médico nenhum. Ia ficar em casa esperando a hora em que ele dissesse que estava pronto. Mas talvez eu não estivesse preparada pra tamanha pressão que é de todos que nos cercam passar das 40 semanas de gestação. Tanto que eu nem tinha coragem de falar direito com minha doula. Eu sabia que ela iria me puxar pra realidade, mas diante do contexto, me aterrorizei, junto com marido e mãe, diante da possibilidade de causar sofrimento ao meu filho (hoje com a informação que tenho, sei que estava tudo bem e que poderíamos seguir monitorando o bebê). É isso, me senti refém. E o que eu vinha lidando desde o nascimento em doses homeopáticas veio muito em uma dose única depois de ver o filme.

Lembro que depois que Cauã nasceu, eu passei algum tempo sem crer na humanidade. O mundo me pareceu por algum tempo um lugar muito hostil. Simplesmente me parecia impossível tamanha frieza diante de um ato como o nascimento, tamanha violência com a mãe e bebê separá-los, fazer procedimentos sem questionar, dentre outras coisas que vivenciei. Flashes vinham e iam na minha mente da tremedeira do pós-cirúrgico, do abandono na sala de recuperação, das mãos amarradas, de terem dado leite artificial quando pedimos que não o fizessem, da incapacidade de me dedicar à minha cria como queria, do silêncio da obstetra ao testemunhar a grosseria do anestesista comigo e com meu marido, da técnica em enfermagem mexendo na minha virilha espremendo pêlo encravado sem me perguntar... Em meio a tantas coisas ruins, me veio o cheiro, a textura da pele do meu bebê, do meu rosto esfregando o dele por microsegundos, do choro que se interrompeu quando ele escutou minha voz, do olhar que ele me deu pela primeira vez. Ver as cenas das mulheres parindo seus bebês de maneira tão respeitosa me reacendeu mais ainda a fé na humanidade. Depois de algum tempo vivendo o luto do nosso não parto, comecei o Movimentopela Humanização do Parto e do Nascimento em Natal junto de outras mulheres que também foram violentada durante o nascimento de seus filhos. Simplesmente eu não poderia silenciar diante dessa realidade violenta. E esse Movimento foi me alimentando de esperança em mudanças possíveis.

Entender como o modelo de assistência é perverso com as mães e bebês me ajudou a entender o nascimento do meu filho. E esse filme é tão poderosa ferramenta de mudança de consciência que eu me pego pensando em como vai ser lindo quando as sementes por ele plantadas encherem bosques. As pessoas podem até não sair modificadas imediatamente após assistir. Mas que elas devem passar algum tempo digerindo o que viram, repensando condutas e pensamentos.... ah vão! E quem disser que passou imune por esse filme eu desconfio de tamanha insensibilidade. Não estou falando só para as gestantes ou mães ou wannabe mães. O Renascimento é pra todo mundo, afinal, se trata da sensibilidade da Humanidade.

Eu posso dizer que saí muito mais forte do que entrei naquele cinema. Mais forte pra peitar os profissionais contrários à humanização, pra lutar pelas e com as mulheres pelo respeito que nos é direito, pra lutar para que bebês sejam respeitados e para que o sofrimento de ninguém seja naturalizado e silenciado. Mais forte pra viver o meu parto. Sou eternamente agradecida aos criadores pela possibilidade de vi(ver) algo tão lindo.

Pode te interessar:

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Baby Led Weaning (BLW) = DEIXA O BEBÊ COMER!

Você conhece o BLW? Quando Cauã ia começar a introdução alimentar, comecei a pesquisar sobre isso. Encontrei o BLW e confesso que não o utilizei desde o início. Bom, eu realmente cheguei a fazer algumas brincadeiras nesse meio tempo com exploração sensorial com comida, como essa aqui aos 7 meses.


Ele simplesmente adorava explorar os alimentos, e eu adorava ver ele fazendo aquilo, mas hoje vejo que não tinha entendido a proposta do BLW direito, como entendo agora. A introdução alimentar de Cauã foi muito conduzida pelo que a pediatra dizia, por insegurança minha. A medida que fui adquirindo maior confiança nos meus conhecimentos adquiridos por estudo e observações com Cauã, fui explorando mais os alimentos. Inicialmente, especialmente no primeiro mês de introdução, amassava beeeeeeeeeeeeeeeeeeem os alimentos no garfo. BEM mesmo. E Cauã não comia quase nada. Depois de um mês fui perceber o que a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde (MS) dizem: alimentação complementar. Oras, se é complementar, ela não é o principal, certo? Certíssimo. Comecei a desencanar da quantidade e fui me preocupando com que ele tivesse prazer em comer. Inicialmente utilizei o Método Montessori, com copo de vidro, tigela de vidro e colher real (Uso até hoje). Pode me chamar de louca, mas eu li relatos e vi esse vídeo em particular que me encorajaram bastante. De 6 ele quebrou 5 copos de vidro. Comprei desses de cachaça, sabe? Bom, hoje com 10 meses ele não joga mais no chão, pois já sabe que quebra e que não é legal. Com 8 meses ele começou a tentar a colocar a colher na própria boca. Mas eu ainda não sentia que ele achava legal comer. E eu queria que fosse uma experiência prazerosa pra ele... Bom, não sei se foi por ser mãe de primeira viagem, mas apenas com 9 meses e meio é que consegui ver Cauã curtindo suas refeições de verdade. Eu digo de verdade porque finalmente conseguimos almoçar eu, meu marido e ele ao mesmo tempo sem ele reclamar. Isso aconteceu depois que aprofundei meus conhecimentos quanto ao BLW e resolvi colocar em prática. Antes dos 9 meses e meio eu fazia uma espécie de BLW sem a adaptação do alimento e eu dando o alimento (apesar de dar uma colher pra ele também, que obviamente ia parar no chão). Duuurrr! Por isso que dava errado provavelmente. A consistência era muito amassada e úmida e tudo misturado. Não tinha nem uma variedade de cor, coitado! Mas o que importa é que nas minhas tentativas e erros eu aprendi! YES! o/\o e hoje todos comemos com muito prazer! E devo dizer que Cauã come bem mais também.

Como é esse BLW?
O BLW é simples. É deixar o bebê comer sozinho, a partir dos 6 meses de idade, conforme as diretrizes da OMS. Você obviamente precisa deixar a comida adaptada ao bebê, mas não em forma de purê. Por exemplo, uma batata deve ser previamente cozida (no vapor de preferência) e fatiada de maneira que o bebê consiga pegar o alimento segurando com a mão e colocar na boca. Olha o que almoçamos hoje: couve flor com tofu picadinho com couve, batata doce, arroz integral, feijão com abóbora. Essa é a foto do prato do Cauã! Ele comeu um bocado! 

O bebê não engasga?
É importante seguir as dicas de segurança, como a maneira que você oferece o alimento para o bebê. Por exemplo, eu jamais ofereço espinafre, couve “soltos”. Eles estão sempre bem picadinhos em alguma coisa do prato (como em um tofu, ou no arroz), pois o bebê ainda não os dentes molares (os posteriores) para triturar esses alimentos.  Aqui as regras retiradas do grupo de BLW do facebook – por Érika Tavares:
Mantenha o seu bebê seguro:
  • Verifique se ele está sentado ao comer. O bebê deve sempre estar em posição vertical; NUNCA deitado. O alimento pode ir para o fundo da boca e o bebê pode não ter habilidade para movê-lo com a língua, resultando em engasgo.
  • Não dar nozes/castanhas/amendoins inteiros.
  • Os frutos pequeninos, como azeitonas, cerejas, acerola, jabuticabas, etc, devem ser cortados ao meio e retiradas as sementes.
  • Não deixe que ninguém, exceto seu bebê, coloque comida em sua boca.
  • Explique como funciona o BLW para todas as outras pessoas que cuidam do seu bebê.
  • NUNCA deixe seu bebê sozinho com os alimentos

Por que o BLW é uma boa opção?
Bom, além de propiciar uma variedade muito maior de exploração sensorial, devido às texturas, cores, formas, o BLW também faz com que a criança use mais os órgãos fonoarticulatórios (lábios, língua, dentes, bochechas) e a musculatura facial, o que colabora para o correto desenvolvimento craniofacial (aliado à amamentação então, é supimpa!). Além disso tudo, com o bebê guiando, ele sabe quando está satisfeito. Com papas provavelmente acontece uma ingestão de uma quantidade maior, por ser fácil de “entrar” é mais rápido do que o comando de satisfação que o cérebro manda.

Que mais?
Bom, uma coisa eu devo dizer. Se criança feliz é criança suja com certeza há felicidade no BLW. Aqui utilizamos o cadeirão de alimentação, e ele fica assim ó:


Já teve vez de alguém comer pelas orelhas!


E há sempre uma parceria do crime cachorro+bebê+comida
    


Quer saber mais? Indico:
Grupo de BLW no facebook
Site do BLW (em inglês)
Vídeo do Dr. Carlos Gonzalez sobre alimentação complementar

Por fim, deixo uma poesia da Fabíolla, que escreve no Alimento e Comportamento:
BLW é nada.
É só observação.
É deixar o dia que a cria vai comer acontecer.
É ter comida boa à mesa e a cria ter braço comprido para alcançar a vida nova alimentar.
Apetite infantil é família que come com gosto.
É não pressa, é respeito, é paciência e observação.
Pode acontecer a qualquer hora.
Não tem hora certa para acontecer.
Com 6 meses, com 9 meses, com 12 meses, cada um no seu tempo re-conhecendo o mundo novo, novo mundo.
Autonomia e diversão.
Comer sozinho sob supervisão.
Comer com as mãos, com os dedos, com os olhos e com o coração.
Não precisa de papinhas, só precisa de atenção.
No seu prato pedacinhos e aventura e comida lúdica.
Comer é brincar e nada mastigar.
Comer é mastigar brincando.
Comer é estar junto e compartilhar.
Importante atentar: comer é diversão.
Não é trapaça, não é chantagem, nem barganha, nem punição.
Não é também pressão.
É respeito e tempo.
Tempo de cada um crescer a seu tempo e se ver crescendo em interesse sem fim pela vida toda, por tudo dessa vida.
Comida, interesse e prazer.





terça-feira, 6 de agosto de 2013

Meu relato de amamentação

Mamando e recebendo cheiro!
Ainda na gravidez eu já tinha decidido que ia amamentar. Cada vez que eu procurava me informar, mais certeza eu tinha da minha escolha. No nascimento propriamente dito, no centro cirúrgico a pediatra colocou ele 5 segundos no meu peito e já disse que não ia dar certo porque meu bico do peito era plano. Como você sabe, eu passei por uma cesárea desnecessária, além de outras violências obstétricas durante o nascimento do meu filho. Lembro do meu marido saindo acompanhando a pediatra e eu lembrando ele: não deixe darem leite artificial (LA)! Não deixe! E ele afirmou com a cabeça. Quando chegamos no quarto, perguntei pro meu marido se tinham dado LA. Ele disse que pediu para não dar, mas o profissional que receptou ele disse que teria que dar porque era protocolo de rotina do hospital. (Um protocolo bem atrasado, diga-se de passagem). Enfim, fiquei muito mais triste e me senti muito mais violentada. Não respeitaram nenhuma das nossas vontades... Mas tudo bem, na manhã seguinte eu acordaria e daria de mamar. Durante a madrugada, uma técnica em enfermagem veio e deu LA. Eu estava dormindo, fiquei sabendo depois. Bom, chegou o dia em que levantei, ninguém veio me ajudar com a amamentação. Levaram ele para dar banho e quando ele voltou eu perguntei e disseram que tinham dado LA de novo. Fiquei muito mais triste. Bom, na hora do almoço que eu já tinha me levantado, quando a moça do berçário veio com sua caixinha de LA eu disse pra ela: Vamos fazer assim? Você me ajuda com a amamentação e se não der certo você dá LA pra ele. Ela disse: ok. Me ajudou, colocou ele no peito e ele mamou lindo. Meus olhos encheram d'água. Fiquei sentindo a maior plenitude da minha vida ao olhar praquele ser lindo sugando o que há de melhor em mim! Depois chamei umas mil vezes alguém do berçário pra me ajudar. Toda vida que ele tinha que começar a mamar, eu precisava de ajuda para entender como era a pega e tal. O problema (hoje que eu sei) é que elas vinham, colocavam ele no peito e iam embora. Elas não me ensinaram mesmo. Bom, chegou o dia de alta, fomos para casa e aí começou os 15 dias mais esquisitos da minha vida! Eu simplesmente não conseguia colocar ele no peito sozinha. Ele tinha dificuldade em abocanhar a auréola e eu achava que o problema era o bico do peito. Chamei minha doula inúmeras vezes, que é também consultora em lactação e fonoaudióloga, e ela me ajudou pra caramba! Mas o problema persistia... Comecei a ter fissuras horríveis no peito! Doía tanto para amamentar! Mas para mim não tinha outra opção. Eu não ia desistir. Cheguei a colocar toalha na boca para morder quando ele dava as primeiras sugadas, de tanta dor que a pega incorreta dava. Um dos peitos chegou a sangrar. Algumas vezes pensei em dar logo o NAM, mas logo isso passava. Lembrava dos relatos de amigas e de outras mães dizendo que amamentar não era tão fácil para algumas mulheres... Comprei um bico de silicone pra ver se ajudava. Pensei que talvez fosse a falta de bico que estivesse dificultando. Pareceu ajudar no primeiro tempo, mas as fissuras continuavam. Quando Cauã pegava direito no peito, mesmo com o mamilo machucado, eu não sentia dor. O problema era que não conseguia acertar a pega sozinha, me desesperava com o choro dele, e minhas inseguranças vinham à tona. Ele sentia meu medo de não conseguir. Fiquei sem usar sutiã, deixando o peito respirar bem. Ordenhava leite e deixava estocado para dar para ele no copinho quando não conseguia dar o peito. Até que fomos no banco de leite para fazer o cadastramento de doadora de leite. Lá pedi ajuda, mostrei as fissuras, as bolhas de sangue... E aí eu encontrei uma senhora simples, do interior. Mandou logo eu tirar o bico de silicone, disse que não tinha necessidade. Disse que meu bico do peito não tinha nenhum problema. Me colocou numa sala e lá me deixou a vontade. Disse para eu ficar lá o tempo que fosse e chamar ela quantas vezes fosse necessário. Ela me mostrou como tinha que ficar a boca dele no peito e ela saiu. E aí fiquei lá nessa sala. Chamei ela umas duas vezes. Perguntei como era mesmo a posição do braço? Da boca? Do peito? Aí ela disse algo que foi fundamental para o sucesso da amamentação: esquece a técnica. Bebês choram. Não se desespere. É a única maneira que ele tem de falar pra você o que ele quer. Se você se desesperar, ele vai sentir. Veja qual a melhor posição pra você, não fique presa a posições. E aí foi quando tudo aconteceu. A partir daquele momento ali na sala, por tentativa e erro, eu fui construindo minha confiança em vários aspectos e me comunicando com meu filho. Lá eu chorei um bocado ao ver que tinha conseguido sozinha. Foi incrível. Depois desse dia tiramos de letra! Larguei a almofada de amamentação pra lá e fui seguindo minha intuição. Foi assim, com a ajuda de várias pessoas e principalmente com o apoio do meu marido, que me incentivou, deu a mão pra eu apertar quando sentia dor, e com o amparo da família que conseguimos estabelecer uma amamentação prazerosa! Hoje estamos com quase 10 meses de amamentação, sendo 6 desses com amamentação exclusiva. Em todas as posições! =)

Para mim hoje percebo como amamentar é se doar. Tenho profunda admiração por essa entrega, essa conexão, essa troca de amor com tanta pureza e beleza!


Esse relato foi para comemorar a Semana Mundial da Amamentação 2013! O tema não podia ser melhor: Apoio próximo, contínuo e oportuno! Ou seja, um apoio de qualidade, um apoio acolhedor e sensível à realidade de cada mãe! 

Mamíferas unidas!

terça-feira, 30 de julho de 2013

Renascer é preciso

No mês de agosto terá o lançamento do aguardadíssimo filme O Renascimento do Parto. Me lembro como hoje quando, ainda grávida, assisti ao teaser do filme. Naquela época os organizadores ainda estavam procurando maneiras de viabilizar o lançamento sem ficar sem ter o que comer. No início desse ano as coisas caminharam muito bem com a realização de uma vaquinha coletiva pra finalizar o filme e fazer o lançamento. Esse é um filme que estará em circulação com mão do coletivo de pessoas que acreditam na importância que esse filme tem para o cenário atual da assistência ao parto e ao nascimento. Por que essa importância?

O Brasil tem índices altíssimos de cesárea. Muito distante do que preconiza a Organização Mundial da Saúde. Esse problema já está em evidência e o Ministério da Saúde tem desenvolvido ações que estimulem o parto normal. A questão é que não se trata só de via de parto. Quando se fala de parto, uma série de outras coisas está envolvida. Por que há esse mito em torno do parto normal? De onde vem tamanha desinformação dos profissionais envolvidos com o nascimento e das gestantes com suas cesáreas agendadas? E as indicações fictícias de cesárea? E a violência obstétrica? Puxa! São tantas questões a serem elucidadas... Várias pesquisas vem sendo desenvolvidas por todo o Brasil para evidenciar a falha grave que temos na assistência ao parto e ao nascimento em nosso país.

Michel Odent, em seu livro O Camponês e a Parteira: uma alternativa à industrialização da agricultura e do parto, relata diversas pesquisas que associam a industrialização da vida com aumento da criminalidade. A industrialização da vida trouxe uma série de intervenções desnecessárias ao processo fisiológico do parto, como a introdução de fármacos, procedimentos invasivos, posições não verticalizadas para a comodidade do médico, dentre outras. O pré-natal, um momento para ser de construção, de preparação, de informação; se torna na industrialização uma procura por algo errado que receberá um rótulo que fará com que a gestante passe a ser uma enferma. No nosso país, 25% das mulheres dizem terem sofrido algum tipo de violência obstétrica durante seus partos. Esses dados foram encontrados nessa pesquisa de 2012. O parto humanizado (re)surge nesse contexto para trazer o respeito a autonomia da mulher, o respeito ao parto fisiológico, sem intervenções que atrapalhem o seu desenvolvimento, que acolha a parturiente e seu bebê. No livro do Leboyer, Nascer Sorrindo, há uma longa reflexão a ser feita ao enxergar o nascimento do ponto de vista do bebê. As contrações avisam ao bebê que algo irá acontecer. Ele se prepara para aquele momento. Já pensou em retirá-lo do útero sem nenhum tipo de aviso? As pesquisas mostram que cesáreas desnecessárias possibilitam maior probabilidade de complicações maternas e neonatais, além de dificultar o estabelecimento da amamentação. As cesáreas eletivas tem sido associadas com o aumento da prematuridade e do desconforto respiratório dos recém-nascidos.

Enquanto isso, discute-se a redução da maioridade penal. Michel Odent diz que “a criminalidade juvenil pode ser vista como uma deficiência em amar o outro”. Será que não está na hora de repensarmos e fazermos algo para mudar o modo do nascer no Brasil? Países com baixos índices de criminalidade são os países com as menores taxas de violência obstétrica. Será que isso é mero acaso? Será que o fato do surgimento da anestesia no parto dos bebês que foram os adultos da geração dos anos 60 não está relacionada a busca incessante dessa mesma geração em se anestesiar com drogas? Eu concordo com Michel Odent. Eu não acredito em acaso. Há uma forte relação entre esses índices.

É preciso informar as pessoas sobre a possibilidade de um parto respeitoso.
É preciso informar às pessoas que o parto normal é melhor pra mãe e bebê.
É preciso informar.
É preciso renascer.


O Renascimento do Parto no Facebook




quinta-feira, 18 de julho de 2013

Considerações sobre a estação do desenvolvimento motor

Recebi algumas perguntas e sugestões quanto ao brinquedo que fiz e achei importante registrar o que me foi colocado, por desencargo de consciência :)

- Observar se a parte debaixo da madeira está plana. Quando eu furei a madeira para colocar os pregos, eu passei um pouco da conta e furei até o chão (risos), mas tomei o cuidado de não deixar nenhum parafuso passar por debaixo da madeira. Assim, caso Cauã conseguisse virar, não se machucaria.

- As bordas da madeira devem ser arredondadas ou lixadas. Eu não fiz isso na minha madeira porque não achei necessário. Eu só ofereço esse brinquedo quando estou observando, não deixo ele sozinho com ele... Mas, caso queira, é importante livrar qualquer possibilidade de arranhões e machucados das quinas da madeira.

- Cuidados ao escolher o que pregar. Na hora de escolher o que pregar, levei em consideração os movimentos a serem feitos, a segurança do que ia ser pregado, a viabilidade de pregar na madeira (por exemplo, fechaduras eu não conseguiria pregar porque precisaria cortar a madeira, ou usar uma madeira mais funda). Nenhum dos materiais que escolhi oferecem perigo de cortes ou arranhões. A quina da dobradiça é a que eu acho que poderia oferecer maior risco, mas tenho o cuidado de observar bem quando ele vai utilizá-la. 

- Fazer a atividade com a presença de um adulto. Como eu disse anteriormente, sempre ofereço esse material quando posso observar o uso que meu filho faz dele. Assim, qualquer movimento mais grosseiro que possa vir a causar algum machucado, eu interrompo explicando o porque de não poder fazer aquilo. Até agora não tivemos nenhum problema com a estação. 

Será que esqueci de algo? Espero que não!
Se você lembrar coloca aí nos comentários pra compartilhar!

Beijos

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Estação do desenvolvimento motor: brincando e aprendendo

Desde quando me vi sozinha com Cauã, quando ele era bem pequenino mesmo, eu já pensava em todas as brincadeiras que queria fazer com ele. Já falei de uma aqui, lembra? Então, eu sou absolutamente fascinada por esse universo do brincar, do descobrir. Amo ficar observando Cauã explorar as coisas. Desde cedo, a gente percebeu que ele tinha um choro de tédio. Ele chorava e a gente entendia o que ele queria dizer: tá chato, vamos fazer algo mais legal? Isso me instigou cada vez mais a fazer brincadeiras novas, a propor novos desafios. Fui fazendo algumas que eu criava, outras (a grande maioria delas) encontrava (e ainda encontro) com muita pesquisa na internet nessa maravilhosa blogosfera materna... Mas onde eu sempre encontro brincadeiras maravilhosas mesmo que é fonte certa de brincadeiras inteligentes é no grupo Montessori para Mamães e no site How We Montessori (em inglês).
 
Através da brincadeira/atividade (como queira chamar) que a criança aprende, né? Então, observando Cauã percebi que ele estava querendo abrir e fechar tudo: gaveta, porta, livro, tapete, interruptor... Então comecei a matutar o que poderia desenvolver. Comecei a pensar em uma caixa com uma porta, mas me pareceu um pouco óbvio demais. Então fui na fonte do grupo de Montessori e achei exatamente o que eu queria! Aí fui, tirei uma prateleira de um armário que tá encostado e furei com a furadeira essas coisas aqui embaixo que comprei em loja de material de construção.
 
 
Nesse espaço que tá sem nada eu tinha planejado colocar uma daquelas fechaduras que tem uma corrente, sabe? Mas não encontrei aqui perto de casa, então deixei o espaço para prender quando encontrar! Essa é uma estação de desenvolvimento motor. Tem vários tipos de movimentos que são realizados em cada um dos objetos. Deslizar, apertar, empurrar, puxar. Nessa tomada do meio eu coloquei um adaptador que tinha aqui em casa pra fazer o encaixe.
 

 
Cauã adorou! E eu também adorei fazer! Ele ficou um tempo passando a mão e tentando arrancar as coisas e depois começou a explorar outros movimentos! Acredito que com o passar do tempo vai ficar cada vez mais legal de acordo com o aprimoramento das habilidades motoras.

 
Gostou? Tem alguma dica? Fala pra gente! :)
 
 

terça-feira, 2 de julho de 2013

Terrible 8? O dia em que cogitamos cogitar dar chupeta

Eu já ouvi falar do abominável terrible 2! Muita gente já relatou que o filho mudou completamente, ficou reclamão, respondão, birrento, cheio de manha! Alguns dizem que parece que o filho foi embora e botaram alguém muito do chato no lugar! Ainda não li muita coisa a respeito disso, mas já sei mais ou menos o que esperar daqui a um ano. Enquanto Cauã está com 8 meses eu aproveito para curtir essa fase mais gostosa e fazer descobertas com ele. Então a vida seguia tranquilamente com meu bebê lindo, sorridente, brincalhão, carinhoso quando de repente SOCORRO! Ele passou a dormir menos, comer menos, mamar mais, querer colo o tempo inteiro (mais especificamente o meu colo), reclamar o tempo todo. Nada parecia estar bom! Entramos em parafuso aqui em casa! Não entendíamos mais nada!
Se antes ele ia dormir às 19h e acordava às 6h, ele passou a ir dormir às 21h e acordar às 6h. A soneca da manhã sumiu. A da tarde ficou menor. Passava quase o tempo inteiro fazendo um barulho de reclamação pra lá de irritante! Parava por alguns minutos quando dava peito ou quando pegava no colo ou quando inventava uma brincadeira nova. De repente só o meu colo resolvia. Era tanto isso que eu não conseguia ir fazer xixi sem ouvir um choro de lamento por ter ido pro chão ou pro colo do pai. Ou, quando estávamos sozinhos, tinha que carregar ele no colo pra fazer xixi comigo (Quem nunca?). O pai ficou sentido, achando que ele não gostava mais dele. Eu fiquei meio doida, sem tempo pra nada enquanto ele estivesse acordado. Ele simplesmente não ficava sozinho. Eu e meu marido nos perguntávamos: será que ele tá mimado? viciado em colo? será que é por isso que os pais dão chupeta pros seus filhos? Será que isso nunca vai ter fim? Isso é um teste de paciência? - E aí surgiu a pergunta que evidenciou que estávamos no caminho errado das perguntas: Vamos comprar uma chupeta?
OI?
É que a gente desde quando Cauã estava na barriga tínhamos combinado de não dar chupeta. Pelos mais diversos motivos que podem existir: o uso de bico artificial estar correlacionado com o fenômeno de confusão de bicos, interferir no mau desenvolvimento craniofacial e no desenvolvimento da fala, o uso de chupeta na verdade ser um "cala a boca" pra criança... enfim. Sabíamos que o uso da chupeta era conveniente para os pais e só pra eles. (Quer saber mais sobre os malefícios da chupeta? Leia aqui )
Para mim nunca foi uma opção dar chupeta. Mas por um milésimo de segundo, eu cogitei a possibilidade. Mas depois não. Depois nós fomos ter uma DR sobre essa mudança repentina, tentamos buscar o racional em algum lugar onde eu tinha deixado também um pouco mais de paciência e lembrei na hora que ele deveria estar passando por um baita de um pico de crescimento. Fui atrás de um artigo maravilho que tenho impresso da Dra. Andréia Mortensen sobre isso e PÁ! Achei a descrição exata de como Cauã vinha se comportando!
"- 37 semanas (8 meses e meio): o bebê fica ‘temperamental’, tem mudanças frequentes em seu humor, de alegre para agressivo e vice-versa, ou de exageradamente amoroso para ataques de raiva em questão de momentos. Chora com mais frequência. Quer ter mais atividades e protesta se não as tem! Não quer que troquem sua fralda, chupa seus dedos. Protesta quando o contato corporal é interrompido. Dorme menos, tem menos apetite, movimenta-se menos e “fala” menos. Às vezes senta-se quieto e sonha acordado. O bebê agora começa a explorar as coisas de uma forma mais metódica. Passa a entender que as coisas podem ser classificadas, por exemplo, sabe o que é comida e o que é animal, seja ao vivo ou em um livro. Fala "mamá" e"papá" sem distinção de quem é a mãe ou o pai. Engatinha, aponta objetos, procura objetos escondidos, usa o polegar e dedo indicador para segurar objetos."  (Trecho retirado do artigo Fases de crescimento e desenvolvimento que modificam o padrão de sono do bebê e da criança da Dra. Andréia Mortensen)
 
 Poxa, me senti um pouco "menos", o pai também. Como esquecemos de pensar o lado dele?  Quanta falta de sensibilidade nossa, poxa! Então tudo começou a fazer sentido. Ao tentar enxergar o lado dele, nos tornamos mais sensíveis ao turbilhão que ele vinha passando. Sabíamos que era uma fase que ia passar e que ele precisava do nosso apoio, atenção e carinho. De repente viramos um poço de paciência e de maior cumplicidade com nosso bebê em pleno pico de crescimento! :)
Como já dizia Montessori: Siga sua criança.
Elas realmente dão os sinais e nós temos o dever de ter mais compaixão e compreensão com o que as crianças nos mostram através de todos os meios que elas tiverem para usar.