quinta-feira, 18 de julho de 2013

Considerações sobre a estação do desenvolvimento motor

Recebi algumas perguntas e sugestões quanto ao brinquedo que fiz e achei importante registrar o que me foi colocado, por desencargo de consciência :)

- Observar se a parte debaixo da madeira está plana. Quando eu furei a madeira para colocar os pregos, eu passei um pouco da conta e furei até o chão (risos), mas tomei o cuidado de não deixar nenhum parafuso passar por debaixo da madeira. Assim, caso Cauã conseguisse virar, não se machucaria.

- As bordas da madeira devem ser arredondadas ou lixadas. Eu não fiz isso na minha madeira porque não achei necessário. Eu só ofereço esse brinquedo quando estou observando, não deixo ele sozinho com ele... Mas, caso queira, é importante livrar qualquer possibilidade de arranhões e machucados das quinas da madeira.

- Cuidados ao escolher o que pregar. Na hora de escolher o que pregar, levei em consideração os movimentos a serem feitos, a segurança do que ia ser pregado, a viabilidade de pregar na madeira (por exemplo, fechaduras eu não conseguiria pregar porque precisaria cortar a madeira, ou usar uma madeira mais funda). Nenhum dos materiais que escolhi oferecem perigo de cortes ou arranhões. A quina da dobradiça é a que eu acho que poderia oferecer maior risco, mas tenho o cuidado de observar bem quando ele vai utilizá-la. 

- Fazer a atividade com a presença de um adulto. Como eu disse anteriormente, sempre ofereço esse material quando posso observar o uso que meu filho faz dele. Assim, qualquer movimento mais grosseiro que possa vir a causar algum machucado, eu interrompo explicando o porque de não poder fazer aquilo. Até agora não tivemos nenhum problema com a estação. 

Será que esqueci de algo? Espero que não!
Se você lembrar coloca aí nos comentários pra compartilhar!

Beijos

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Estação do desenvolvimento motor: brincando e aprendendo

Desde quando me vi sozinha com Cauã, quando ele era bem pequenino mesmo, eu já pensava em todas as brincadeiras que queria fazer com ele. Já falei de uma aqui, lembra? Então, eu sou absolutamente fascinada por esse universo do brincar, do descobrir. Amo ficar observando Cauã explorar as coisas. Desde cedo, a gente percebeu que ele tinha um choro de tédio. Ele chorava e a gente entendia o que ele queria dizer: tá chato, vamos fazer algo mais legal? Isso me instigou cada vez mais a fazer brincadeiras novas, a propor novos desafios. Fui fazendo algumas que eu criava, outras (a grande maioria delas) encontrava (e ainda encontro) com muita pesquisa na internet nessa maravilhosa blogosfera materna... Mas onde eu sempre encontro brincadeiras maravilhosas mesmo que é fonte certa de brincadeiras inteligentes é no grupo Montessori para Mamães e no site How We Montessori (em inglês).
 
Através da brincadeira/atividade (como queira chamar) que a criança aprende, né? Então, observando Cauã percebi que ele estava querendo abrir e fechar tudo: gaveta, porta, livro, tapete, interruptor... Então comecei a matutar o que poderia desenvolver. Comecei a pensar em uma caixa com uma porta, mas me pareceu um pouco óbvio demais. Então fui na fonte do grupo de Montessori e achei exatamente o que eu queria! Aí fui, tirei uma prateleira de um armário que tá encostado e furei com a furadeira essas coisas aqui embaixo que comprei em loja de material de construção.
 
 
Nesse espaço que tá sem nada eu tinha planejado colocar uma daquelas fechaduras que tem uma corrente, sabe? Mas não encontrei aqui perto de casa, então deixei o espaço para prender quando encontrar! Essa é uma estação de desenvolvimento motor. Tem vários tipos de movimentos que são realizados em cada um dos objetos. Deslizar, apertar, empurrar, puxar. Nessa tomada do meio eu coloquei um adaptador que tinha aqui em casa pra fazer o encaixe.
 

 
Cauã adorou! E eu também adorei fazer! Ele ficou um tempo passando a mão e tentando arrancar as coisas e depois começou a explorar outros movimentos! Acredito que com o passar do tempo vai ficar cada vez mais legal de acordo com o aprimoramento das habilidades motoras.

 
Gostou? Tem alguma dica? Fala pra gente! :)
 
 

terça-feira, 2 de julho de 2013

Terrible 8? O dia em que cogitamos cogitar dar chupeta

Eu já ouvi falar do abominável terrible 2! Muita gente já relatou que o filho mudou completamente, ficou reclamão, respondão, birrento, cheio de manha! Alguns dizem que parece que o filho foi embora e botaram alguém muito do chato no lugar! Ainda não li muita coisa a respeito disso, mas já sei mais ou menos o que esperar daqui a um ano. Enquanto Cauã está com 8 meses eu aproveito para curtir essa fase mais gostosa e fazer descobertas com ele. Então a vida seguia tranquilamente com meu bebê lindo, sorridente, brincalhão, carinhoso quando de repente SOCORRO! Ele passou a dormir menos, comer menos, mamar mais, querer colo o tempo inteiro (mais especificamente o meu colo), reclamar o tempo todo. Nada parecia estar bom! Entramos em parafuso aqui em casa! Não entendíamos mais nada!
Se antes ele ia dormir às 19h e acordava às 6h, ele passou a ir dormir às 21h e acordar às 6h. A soneca da manhã sumiu. A da tarde ficou menor. Passava quase o tempo inteiro fazendo um barulho de reclamação pra lá de irritante! Parava por alguns minutos quando dava peito ou quando pegava no colo ou quando inventava uma brincadeira nova. De repente só o meu colo resolvia. Era tanto isso que eu não conseguia ir fazer xixi sem ouvir um choro de lamento por ter ido pro chão ou pro colo do pai. Ou, quando estávamos sozinhos, tinha que carregar ele no colo pra fazer xixi comigo (Quem nunca?). O pai ficou sentido, achando que ele não gostava mais dele. Eu fiquei meio doida, sem tempo pra nada enquanto ele estivesse acordado. Ele simplesmente não ficava sozinho. Eu e meu marido nos perguntávamos: será que ele tá mimado? viciado em colo? será que é por isso que os pais dão chupeta pros seus filhos? Será que isso nunca vai ter fim? Isso é um teste de paciência? - E aí surgiu a pergunta que evidenciou que estávamos no caminho errado das perguntas: Vamos comprar uma chupeta?
OI?
É que a gente desde quando Cauã estava na barriga tínhamos combinado de não dar chupeta. Pelos mais diversos motivos que podem existir: o uso de bico artificial estar correlacionado com o fenômeno de confusão de bicos, interferir no mau desenvolvimento craniofacial e no desenvolvimento da fala, o uso de chupeta na verdade ser um "cala a boca" pra criança... enfim. Sabíamos que o uso da chupeta era conveniente para os pais e só pra eles. (Quer saber mais sobre os malefícios da chupeta? Leia aqui )
Para mim nunca foi uma opção dar chupeta. Mas por um milésimo de segundo, eu cogitei a possibilidade. Mas depois não. Depois nós fomos ter uma DR sobre essa mudança repentina, tentamos buscar o racional em algum lugar onde eu tinha deixado também um pouco mais de paciência e lembrei na hora que ele deveria estar passando por um baita de um pico de crescimento. Fui atrás de um artigo maravilho que tenho impresso da Dra. Andréia Mortensen sobre isso e PÁ! Achei a descrição exata de como Cauã vinha se comportando!
"- 37 semanas (8 meses e meio): o bebê fica ‘temperamental’, tem mudanças frequentes em seu humor, de alegre para agressivo e vice-versa, ou de exageradamente amoroso para ataques de raiva em questão de momentos. Chora com mais frequência. Quer ter mais atividades e protesta se não as tem! Não quer que troquem sua fralda, chupa seus dedos. Protesta quando o contato corporal é interrompido. Dorme menos, tem menos apetite, movimenta-se menos e “fala” menos. Às vezes senta-se quieto e sonha acordado. O bebê agora começa a explorar as coisas de uma forma mais metódica. Passa a entender que as coisas podem ser classificadas, por exemplo, sabe o que é comida e o que é animal, seja ao vivo ou em um livro. Fala "mamá" e"papá" sem distinção de quem é a mãe ou o pai. Engatinha, aponta objetos, procura objetos escondidos, usa o polegar e dedo indicador para segurar objetos."  (Trecho retirado do artigo Fases de crescimento e desenvolvimento que modificam o padrão de sono do bebê e da criança da Dra. Andréia Mortensen)
 
 Poxa, me senti um pouco "menos", o pai também. Como esquecemos de pensar o lado dele?  Quanta falta de sensibilidade nossa, poxa! Então tudo começou a fazer sentido. Ao tentar enxergar o lado dele, nos tornamos mais sensíveis ao turbilhão que ele vinha passando. Sabíamos que era uma fase que ia passar e que ele precisava do nosso apoio, atenção e carinho. De repente viramos um poço de paciência e de maior cumplicidade com nosso bebê em pleno pico de crescimento! :)
Como já dizia Montessori: Siga sua criança.
Elas realmente dão os sinais e nós temos o dever de ter mais compaixão e compreensão com o que as crianças nos mostram através de todos os meios que elas tiverem para usar.
 
 
 

domingo, 16 de junho de 2013

De volta com inquietações!

Poxa! Andei passando por umas crises existenciais e muitas mudanças na vida acontecem quando a gente repensa as coisas, né? Tinha um monte de coisa que eu queria escrever por aqui, mas estava um pouco em dúvida na continuidade do coletivo. Por fim percebi o quanto gosto de escrever aqui, o quanto gosto de trocar experiências com outras mães e o quanto a blogosfera materna já me ajudou um bocado! Então, hoje, publico um texto que eu escrevi em meio às inquietações e que ora ora não é sobre... inquietações! :)

Eu sempre fui uma pessoa inquieta. Não consigo ficar parada. Tudo bem que essa inquietação toda hora, pode debandar pra um lado ruim, mas não é essa inquietação que eu falo. É a inquietação que o movimento gera. A inquietação contrária à ociosidade. A inquietação que instiga a procura, a ação. Ela não está relacionada à velocidade. Afinal, pode-se agir na velocidade que lhe é peculiar. Também não está relacionada à uma diarreia de pensamentos. Quer dizer, nem sempre. O ócio me parece um puta desperdício. Desperdício de vida, de energia. Não entendo como algumas pessoas deixam a vida passar, e não passam por ela. Caramba! Sabe-se lá até quando temos tempo pra fazer o que queremos, pra mudar o disco, pra construir ou reconstruir. Me peguei pensando em umas dessas inquietações. Que triste passar a vida justificando o não ato e acabar vivendo o não vivido. Já pensou? Que coisa doida. Viver o não vivido. Um tanto quanto contraditório e ainda assim uma realidade nas vidas. Minha gente! Como pode? Sabendo que não se sabe aonde tá a linha de chegada, o que se faz? Deixa de correr? E faz o que? Senta e vê os outros correrem? E de onde se está, será que dá pra ver qual a sensação de quem chegou, fez, correu? Não. Fica só na imaginação. Ah, poderia correr se a linha estivesse lá. E se estivesse lá diria que correria se não houvesse sol. E se não houvesse sol? Aí acharia uma não tão boa desculpa pra justificar a inércia. A não ação. Adiando uma vida que uma hora vai ter que ser vivida.
A vida às vezes me parece bolhas de sabão, a qualquer momento elas podem explodir e se acabar! :)

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Coletivo Entrevista: mãe vegana!

Recentemente estava assistindo ao Globo Rural (?) e estava passando uma reportagem sobre como aumentar a produtividade do leite da vaca. Fiquei um tanto horrorizada ao saber que injetavam ocitocina e a vaca ficava com um sugador na teta para estimular a produção de leite. Fiquei passada. Eu nunca gostei muito de leite, mas tomava porque tinha que tomar. Daí fiquei um pouco intrigada com essa realidade. Foi então que parei pra pensar em uma série de coisas e fiquei bem interessada em saber como era o processo de nutrição de uma vegana na gravidez/amamentação e como seria a introdução alimentar vegana e quais alimentos poderiam substituir os tão conhecidos leite como fonte de cálcio e a carne como fonte de proteína.
E foi assim que esbarrei com a Leide, professora de Inglês e de Português, mãe do Angelo, que tem 7 anos e do Miguel, de 4 anos. Ela é vegana e seus filhos também!
Ficou curios@
Leide e sua família !
? Óia:



1) Há quanto tempo você é vegana?
            Me tornei Lacto-vegetariana a 11 anos, sou vegana há 8 anos.
2) O que é ser vegana pra você?
            Ser vegana pra mim é me alimentar com consciência sobre os sentimentos dos animais, sobre o impacto que minha alimentação pode trazer ao meio ambiente e ao nosso planeta de uma forma geral.
3) Por que você se tornou vegana?
            Não sei dizer exatamente como me tornei vegana. O processo foi natural e gradativo, eu já estava envolvida em causas dos direito dos animais, já tinha consciência do que acontecia nos batedouros e aos poucos deixei o leite de vaca para trás.

Gestação e Amamentação
4) Quando eu fazia pré-natal, os médicos sempre falavam para que eu comesse proteína porque era importante pra formação do bebê. Durante a gestação, o profissional de saúde que te acompanhou soube que você era vegana? O que disseram pra você?
            Eu tive a sorte de encontrar obstetras que entendiam a minha escolha, eles diziam que eu tinha que ingerir proteínas e muito cálcio para que o bebê se formasse sem defeitos e tudo mais, mas nunca disseram para eu comer carne ou tomar leite. Só houve uma situação em que uma nutricionista quase me bateu (sem exageros), quando já com 6 meses de gestação, da minha segunda gravidez, a procurei para poder montar um cardápio variado e sem alguns alimentos que me causavam muito enjoo. Quando disse que era vegana, ela me acusou de ser extremista, de estar maltratando o bebê que estava na minha barriga e que ele nasceria pequeno e desnutrido. Daí disse a ela que aquela não era a minha primeira gravidez e que não comi carne durante a gestação anterior e que meu filho nasceu normal e era saudável. Foi uma situação no mínimo constrangedora.
5) Você teve anemia durante a gestação ou na amamentação?
            Não, eu tive duas gestações muito saudáveis e sem problemas com ferro.
6) Onde está a proteína na sua alimentação?
            Como muita proteína de soja, glúten, castanhas, leites de castanhas e vegetais ricos em proteínas.
7) Você toma algum suplemento vitamínico?
            Não. Já tomei nos 3 primeiros meses de gestação, durante a amamentação e hoje em dia não tomo mais.
8) Você amamentou seus filhos até que idade?
            Meu primeiro filho amamentei até 1 ano e 11 meses de idade e o segundo até 1 ano e 9 meses de idade.
9) Muitas pessoas acreditam que a pessoa que não come nenhum tipo de carne é fraca. Se disser que a pessoa é vegana, acreditam que a pessoa é mais fraca ainda. Por que você acha que existe essa associação de ingestão de carne/leite com ser saudável/forte?
            Acredito que essa seja uma associação comumente feita com base em crenças pessoais e populares, enfim, um embasamento mais cultural do que científico, digamos assim. A carne foi e ainda é relacionada a poder aquisitivo e força física. A pessoa que come carne fica mais forte para trabalhar, a mulher que come carne durante a gestação terá filhos mais fortes entre outras crenças relacionadas à ingestão de proteína animal.

Introduzindo comida para o bebê
10) Como você começou a introduzir comida pro seu filho? Quais os alimentos que você adicionou à dieta de acordo com a idade?
            Meus filhos começaram a se alimentar com 6 meses de idade. Para ambos apresentei primeiro frutas amassadinhas, raspadinhas e sucos. Tudo sem adição de açúcar. Pouco tempo depois, duas semanas depois de introduzir outras comidas a alimentação deles, comecei a dar papinhas de legumes e verduras, todas sem temperos e com pouquíssimo sal, já que a maioria dos bebês rejeitam papinhas salgadas. Nunca dei papinhas prontas ou sucos industrializados até os 2 anos de idade. Refrigerantes entre outras guloseimas só foram dadas com mais de 3 anos de idade.
11) Na apostila “Dez passos para crianças brasileiras menores de dois anos” do Ministério da Saúde, há a indicação de “carne ou vísceras ou ovo” como fonte proteica. Como você vê isso? De que maneira a proteína pode estar presente na dieta infantil vegana?
            Acho assustadora a ideia de dar pedaços de animais mortos a um bebê! Vitaminas com leites vegetais, frutas, castanhas e outros alimentos que possam suprir a necessidade de proteínas de um bebê e criança.
12) Muitos alimentos saudáveis são mais caros. Você acredita ser possível a alimentação vegana para todas as pessoas?
            Acredito que a alimentação vegana possa ser acessível a todos sim. Alguns alimentos são mais caros, pois a procura não é grande. Se muitas pessoas começarem a consumir mais alimentos saudáveis e veganos, os produtos se tornarão mais acessíveis a todos.
13) Quais sites você poderia indicar para quem quiser conhecer mais sobre a dieta vegana?
           Em relação aos sites, Gosto muito do Vista-se, ele tem muitas informações boas a respeito de receitas, outros sites, documentários, reportagens a respeito do veganismo. Gosto muito também do  http://www.veggietal.com.br/, ele segue a mesma linha do vista-se mas é mais focado em receitas.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Nascer em Natal: um negócio pra lá de escrachado

Sinceramente eu tenho medo de parir em Natal. A situação do nascimento aqui está pior do que o quadro geral do Brasil, que já é ruim. O ano começou já com proibição de doula e recentemente uma das duas maternidades particulares de Natal lançou seu vídeo de divulgação de 2013. É possível perceber que se trata de uma cesárea eletiva (quando há agendamento prévio sem real motivo) como sendo uma situação normal de nascimento, contrariando o que preconiza a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde (MS). As evidências científicas mostram que cesárea eletiva tem sido associada com maior risco de desfechos maternos graves e maiores complicações para o bebê, principalmente quanto a questão da prematuridade. O Brasil tem um índice muito superior aos 15% estabelecidos pela OMS para o índice de cesarianas. A situação de Natal me parece um tanto horrenda. Eu mesma rodei por cinco obstetras até encontrar um que estivesse disposto a conversar sobre a minha concepção de como eu gostaria que fosse o meu parto. E ainda assim eu passei por uma cesárea desnecessária entre outras situações péssimas durante o nascimento do meu filho. Tive a certeza de que a prática definitivamente não era baseada em evidência científica. A situação obstétrica de Natal tem se mostrado cada vez mais tensa. Profissionais da assistência que se mostram a favor da humanização do parto e questionam condutas de um modelo obstétrico engessado são alvo de chacota e de condutas desrespeitosas por parte do complô da assistência engessada. Os protocolos de atenção ao recém-nascido vão contra o que recomenda OMS e MS. Não há contato pele a pele. Não há incentivo a amamentação, uma vez que já ministram leite artificial assim que o recém-nascido chega no berçário. Quem perde no final das contas são as mulheres e os bebês. Em sua grande maioria estão desinformadas e/ou estão a mercê de um corporativismo que não está disposto a mudar paradigmas. O pré-natal, que era para funcionar como um momento de informação e de troca, funciona mais como uma  pesquisa minuciosa para achar algo que justifique a cesárea (e que geralmente não é uma real razão).
O município conta com uma maternidade pública com instalações favoráveis ao parto humanizado. O problema é que os profissionais não estão capacitados dispostos a acompanhar o parto de forma humanizada. Ver o nascimento como um negócio, prezando pela comodidade de horários agendados e de retorno financeiro ao invés de ver o bem estar da mãe e do bebê são condutas desumanas. 
Pelo que vivi, para parir em Natal de maneira natural, humanizada, para que respeitem os desejos da parturiente, só mesmo parindo em casa longe das armadilhas do pré-natal ou então protegida das armadilhas que são colocadas por obstetras cesaristas. Os profissionais e os hospitais de Natal não estão preparados para essa demanda do parto humanizado. As pessoas que podem mudar essa realidade são as mulheres. Exigindo e lutando por um modo de nascer respeito e com carinho DE VERDADE. Porque pra ser respeitoso, é preciso ter uma conduta horizontal, é preciso acompanhar o parto. Afinal, o parto é da mulher e de quem mais ela quiser que o seja.

Mulheres, o direito é nosso!

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Guest Post: Elucubrações sobre alimentação complementar de uma mãe amante de comida

Perto de Cauã fazer seis meses comecei minha procura por informações e relatos da introdução alimentar. E hoje o post é da querida Soraya Souza, a Sol, mãe da linda Rosa (essa menina de olhos luminosos da foto)! Eu aprendi um bocado com a experiência dela! Olhaí:

O que comer é para você? Para mim, é algo entre uma benção, uma celebração, um honra, uma dádiva, um deleite. Não sei quando ou como isso se deu, sei somente que comer é uma das coisas mais importantes e prazerosas da minha vida. Mas só tive a dimensão disso quando, grávida, comer se tornou uma obrigação regrada: enjoos tão intensos no primeiro trimestre que perdi um bocado de peso e nos meses seguintes uma fome tão descomunal que eu não podia atrasar as refeições em mais que dez minutos, para evitar perigosas quedas de pressão. Some a isso o entendimento da importância de comer bem para o bem-estar global e pronto, estava composto o contexto para uma mãe preocupadíssima com o futuro alimentar da sua cria.
Felizmente, Rosa mamou muito bem desde a primeira oferta. Amamentando em livre demanda, sofri horrores no primeiro mês, peguei o jeito no segundo e no terceiro a vi se organizar para mamar a cada 2h, em média por 40min. Ciente de que o retorno às atividades do doutorado me imporiam limites na manutenção desse esquema, muito cedo comecei a me preocupar com a introdução alimentar. Quando a hora chegou, estrategicamente me cerquei de boas referências: fui para perto de minha mãe, que introduziu oito pessoas à vida alimentar, e da minha irmã com quem tenho mais sintonia, que tem três filhos e um pediatra que é também gastroenterologista. Assim, eu tive quem me auxiliasse na tarefa de preparação e oferta das primeiras refeições, juntamente com a sorte de receber as orientações de alguém de confiança e muito preocupado em fazer a coisa de um jeito respeitoso ao organisminho dos bebês.
Esse profissional é adepto da separação por grupos de alimentos, visando, ao mesmo tempo, oferecer variedade e respeitar o ritmo de funcionamento dos órgãos digestivos, principalmente os sensíveis intestinos. Ele me passou um esqueminha que ajuda a orientar como garantir a variedade e progressão de introdução das coisas mais difíceis de digerir. Uma coisa que é meio consenso é de que o oferecimento nunca deve envolver mamadeira, pelo simples fato de que ela é extremamente confortável pro bebê. Ou seja, acostumou com ela, vai se apegar e, muito, provavelmente, largar o peito, que demanda deles um esforço danado. Atentos a isso, usamos sempre a colher pros sólidos (tem vários modelos em silicone bem legais) e o copo pros líquidos (o primeiro foi comprado por minha mãe, pasmem, feito para se tomar cachaça, de um plástico molinho). Aos 7 meses oferecemos canudinho e ela sugou feliz da vida, tanto que é a maior “canudeira” até hoje.
Ela já estava com 10 meses quando aprendeu a usar uma caneca de transição que nos tem sido genial: ela tem alças, uma tampa com bico de silicone molinho e uma válvula de segurança que nem deixa derramar, nem deixa os restinhos babados voltarem pra dentro da caneca. A funcionalidade dela é tanta que quando a esquecemos em algum passeio, ficamos meio atrapalhados, especialmente se não há disponibilidade de canudo ou onde lavar bem a menininha, já que o uso do copo comum implica em maior sujeira. Fazemos uso dela sabendo que contraria as recomendações médicas, que são enfáticas quanto ao uso exclusivo de copos simples. Mas essa escolha entra no rol daquelas que fazemos assumindo os riscos da discordância pela conveniência que oferece ao cotidiano que vivemos, tal como foi com a escolarização aos 7 meses e o desmame precoce, aos 12.
A primeira coisa que oferecemos foi mamão, depois pera, em dias alternados e nesse meio tempo rolou também suco de laranja lima, que é menos ácida e mais doce. As papinhas salgadas fizemos conforme o esquema do pediatra, sempre amassadas no garfo e mantendo os vegetais separados. A finalidade é favorecer a mastigação e trabalhar o paladar pros diferentes sabores e texturas. Quando eu senti que ela já encarava, passei a oferecer pedacinhos e cedo ela demonstrou preferência por essa forma, tanto que permanece meio reticente a coisas pastosas, como purê de batata, por exemplo.
Eu demorei a entender que as papinhas salgadas não só podem como devem ser temperadinhas que nem comida de gente grande, e quando passei a temperar, ela aceitou ainda melhor, mesmo tendo estranhado as primeiras vezes, o que não só é considerado normal como sadio. Ela já comia há mais de um mês quando parei para ler com atenção a caderneta de vacinação e lá me deparei com o link para o site do programa do Ministério da Saúde sobre complementação alimentar. Lá, tivesse acesso ao pdf com receitas regionais de papinhas para a complementação alimentar, o que me ajudou muito com isso dos temperos e, mais ainda, com o cálculo das quantidades. Porque era um tal de falta papinha pra janta (ofertávamos o mesmo do almoço), sobra papinha pra mais três bebês, e eu vivia louca sem acertar as quantidades. Fora as vezes que me desliguei um pouco e ela comeu beterraba várias vezes na mesma semana e ficou avermelhada, como se tivesse tomado sol sem protetor...
Na orientação do pediatra, as fontes de glúten (trigo, aveia, cevada) deveriam ser oferecidas somente após os 8 meses, preferencialmente na versão integral, assim como as frutas muito ácidas (cupuaçu, por exemplo) e que prendem muito o intestino (açaí, goiaba), e foi o que fizemos. Para reduzir a produção de gases, os grãos eram mantidos primeiro num molho, cuja água era dispensada, e somente depois eram cozidos, para serem consumidos sempre no mesmo dia. Além disso, somente depois dela ter completado 1 ano foi que oferecemos alimentos com a clara de ovo e os derivados de leite, primeiro um queijo magro (aqui optamos pelo minas frescal) e depois iogurte natural, feito em casa, misturado somente com mel ou batidinho com frutas.
As poucas tentativas que fiz de oferecer mingaus foram frustradas e nunca envolveram leite de vaca (somente de soja e arroz), que ela até hoje só toma como ingrediente de alguma receita. Desde cedo oferecemos sucos variados, sempre com pouco açúcar, muitas vezes em combinações (abacaxi + hortelã ou gengibre, maracujá + manjericão, acerola + manga, manga + cardamomo, limão + couve). Em dias de temperaturas mais baixas, oferecemos também chás morninhos (cidreira, erva-doce, camomila). Dou preferência aos bolos e biscoitos feitos em casa, com farinha integral. E ofereço saladas cruas sempre temperadinhas com azeite, limão, ervas (secas e/ou frescas), pouco sal e sementes como de gergelim e mostarda.
Mesmo com a complementação, ela manteve o esquema de amamentação de 2h em 2h até os 8 meses, quando precisei escolarizá-la para poder cumprir com os compromissos do doutorado. Pouco antes dela completar o primeiro aninho, meu ritmo de trabalho somado com a amamentação noturna consumiram mais energia do que eu podia suportar, então conversei com o marido e as pediatras (contamos com a ajuda de uma homeopata e de uma alopata), e decidimos pelo desmame. Isso implicou no aumento do número de refeições diárias dela (de 4 para 6, depois para 7), o que fizemos gradualmente. Felizmente ela tolerou bem a mudança, permanecendo com um apego tão grande ao peito que, alguns meses depois, quando enfrentou um processo grave de adoecimento, voltou a mamar como se nada tivesse mudado. Até hoje, depois de mais de 1 ano de desmame, ela continua com verdadeira adoração ao peito e ainda pede para mamar vez por outra. E eu dou, feliz da vida.
Entre meus radicalismos, está a não oferta de várias coisas: biscoitos recheados, refrigerantes, embutidos, maionese, bebidas lácteas e achocolatados. Ela experimentou chocolate pela primeira vez ao completar 1 ano e depois disso em oportunidades tão poucas que contamos nos dedos das mãos. O mesmo vale para frituras, que jamais são feitas em casa. De vem quando, vamos a uma sorveteria na cidade onde os sorvetes são feitos artesanalmente, a partir de frutas frescas e sem gordura vegetal. Na pizzaria, que é raridade frequentarmos, escolhemos opções menos calóricas e oferecemos pequenas porções.
Um dos atrativos da escola escolhida foi a ajuda nesse sentido: são proibidos lanches muito artificiais e calóricos, ao invés de cantina tem cozinha, com cardápio feito por nutricionista, sem uso de açúcar branco (em casa usamos demerara para os sucos e mascavo para bolos e biscoitos), com boa variedade de vegetais e de receitas. Todos os dias ela leva fruta e somente fruta para o lanche, com tanta variedade quanto conseguimos manter (em geral, são 3 tipos).
Se foi fácil a introdução alimentar? Não. Impossível ser. Dá trabalho estar atenta à geladeira e à fruteira, calcular combinações, manter variedade, descascar, cortar, refogar, cozinhar. E ainda fugir dos agrotóxicos e adubos químicos, dos conservantes, corantes, espessantes, acidulantes e das pessoas querendo ser legais oferecendo toda a sorte (sorte?) de guloseimas supostamente saborosas. Mas, como eu disse no começo, isso de comer é algo que me encanta e fascina. Talvez por isso seja um trabalho a que me entreguei e entrego com esmero, dedicação e muita, muita satisfação. E certamente por isso que eu tenho uma criança que mastiga cookies de aveia com o mesmo prazer de bananas, sushis, tomates-cereja e cupcakes de limão.


E você? Como foi sua experiência com os alimentos do seu filho?